ALENTEJO II
Ó terra de oiro antigo e céu sem fim
Pontilhada de verde e de castanho,
Eu quero-te sem prazo e sem tamanho
Com este querer maior que existe em mim
Terra de ervas e flores, como um jardim
Espraiando-se orgulhoso em chão de antanho
E onde o corpo móvel de um rebanho
Nos surge e se nos deixa ver, assim.
Que o teu povo magoado te acrescente
Os laços sempre férteis da semente
E possa eternizar-te no seu "cante "
Que a tua voz se eleve eternamente,
Que sempre seja livre a tua gente
E que haja em ti fartura a cada instante!
Maria João Brito de Sousa 06.12.2011 - 15.21h
Reformulado a 22.11.2015
Imagem do Alentejo, retirada da internet
Lindíssimo retrato do Alentejo meu.
ResponderEliminar:D Obrigada, Poeta! Nem sei como o consegui fazer porque tenho estado a arder em febre... já tomei benuron e não baixa. Chá quente, xarope, tudo o que é clássico menos a cama. Isso eu já disse que é só para dormir e morrer... :))
EliminarMas não sei se vou conseguir responder aos sonetilhos... acho que estou meia estupidificada pela febre.. mas posso tentar... se não conseguir, fica para amanhã, espero eu. Ao menos que seja daquelas gripes que dão "forte" e passam depressa...
Abraço grande! :)
“Escudo recauchutado”
ResponderEliminarVolta escudo estás perdoado
É certo que eras fraquinho
Mas éramos felizes a teu lado
Tão barato bebia o cafezinho
Voltará contigo a magreza
Dum consumo mais restrito
Mas controla-se a despesa
Que a gastar vejo-me aflito
Deixaremos de ser nobres
E de andar endividados
Voltaremos a ser pobres
Mas também mais honrados
De novo contaremos os cobres
Serão escudos recauchutados.
Poeta, peço desculpa. Não estou nada bem, cada vez tenho mais febre e penso que isto evoluiu de gripe (infecção viral) para infecção bacteriana. Nem sei o que faça pois só agora me consegui levantar um bocadinho. Os animais já tinham feito tudo onde não deviam e eu mal consegui limpar metade do que eles sujaram. Já tomei todos os clássicos para a gripe e cada vez estou mais aflita. Não dá para poetar e até responder em prosa me está a custar. Beijinho.
EliminarNão fui ao CP nem ao CJ... também nem telefonei porque estou quase, quase sem saldo e posso precisar de chamar alguém... sei lá, a D. Isa ou a D. Fernanda... para me irem lá abaixo com o Kico... o pior é que elas já não podem com ele ao colo e ele já nem consegue descer as escadas que dão para a porta da rua... caramba! Preciso de melhorar depressa...
PIB
EliminarSonetilho (em contraponto e um do Pedro)
Há para aí um produto
Que, se nosso, é interno
Se, do vizinho é externo
E a que chamam de bruto
Bruto será, ad eterno
Quem mal cuida do seu fruito
Já que estando no Governo
Não pensa pouco nem muito.
Porque o produto referido
Gera macroeconomia
Se ele for bem gerido
Mas quem o gere tão mal,
Por ter microencefalia
Esse é o bruto, afinal.
Eduardo
Boa noite, amigo Eduardo. Lamento não estar ainda em condições de lhe responder condignamente. Este desconforto provocado pela febre - embora menos alta agora - e pelas dores, tem o condão de me roubar a capacidade de poetar... até a de responder em prosa ou entender o que leio, mas vai dando para uma respostazinha mal-alinhavada e sem fazer grandes cerimónias. Ontem tentei, por mais do que uma vez, descodificar alguns textos mais longos que me foram enviados e tive de desistir. Até as letras parecem bailar-me diante dos olhos e acabo por ficar exausta logo nos primeiros parágrafos.
EliminarEntendi, contudo, o seu sonetilho que está muito bom, como todos os que me tem enviado.
Hoje comprometi-me a ir ao hospital caso a febre não baixasse... e ela baixou um nadinha... estou "como o tolo no meio da ponte"... mas a verdade é que pior não estou e talvez valha a pena alargar este prazo até ao final da tarde de amanhã...
Para já, se não fizer grandes esforços, consigo fazer o indispensável que é tratar dos animais e levar o Kico até à rua... vou ver se isto melhora amanhã!
Um abraço grande para si e esposa.
M. João
Nem sei bem como seria
EliminarSe o escudo um dia voltasse...
Também dele não haveria
Importância que chegasse...
Mas penso que há guerra aberta
C`oas duas moedas fortes...
Euro, dolar... tudo acerta
Pelos devidos desnortes...
Não estivesse eu tão cansada
E a tremer do frio que tenho
- que esta noite está gelada! -
Talvez pudesse fazer
Versos de um outro tamanho
Que não estes... pr`a esquecer!
Poeta, ainda me atrevi a esta tentativa mas acho que mais valeria ter estado quieta...
Vou-lho levar enquanto, literalmente, tremo de frio...
Abraço grande!
A Maria já regressou à blogosfera
ResponderEliminarhttp://maria-made-in.blogs.sapo.pt/
e faz hoje 38 anos. Pensei que gostaria de saber.
Obrigada, Poeta! Já fui deixar-lhe o meu abraço e os meus votos de um feliz aniversário mas não estou mesmo em condições de poetar... estou mais em condições de me atirar para cima da cama e esperar adormecer a ver se as dores de cabeça abrandam. Já agora, a febre também podia desaparecer que não faz faltinha nenhuma! :/
EliminarMas posso contar-lhe, correndo o risco de o fazer num português mais ou menos macarrónico, que estive a ouvir o Rádio Horizontes da Poesia e adorei o programa que foi todo dedicado a Florbela Espanca e ao Alentejo. Estranhamente publiquei o meu soneto de hoje antes de o saber... ele há coincidências!
Abraço grande, Poeta amigo!
“Sonho de Portugal”
ResponderEliminarAndam ávidos por dinheiro
O que não é nada de novo
Havia onde sacar primeiro
Mas andam a sacar ao povo
Povo que pagas, não bufes
A tua alegria não tem preço
Toca os ferrinhos e adufes
Qu’ist’inda é só o começo
Outros dias virão depois
Vais voltar pr’agricultura
Na sua forma mais artesanal
Dão-te uma junta de bois
Realizas farta a semeadura
O sonho deste teu Portugal.
Eu bem queria responder-lhe, Poeta... parece que a inteligência se me evaporou com a febre... e com ela a capacidade de poetar... até a de conseguir ler e compreender qualquer texto um pouco mais longo...
EliminarIsto é mesmo uma tristeza :( Vou mesmo ter de me ir deitar porque já percebi que nem vale a pena tentar escrever em verso...
Abraço grande e obrigada!
De economista não tenho
EliminarNem costela, nem saber
E quase sempre me abstenho
De sobre o tema escrever...
Saúde para arrancar
Da terra o que ela nos dá
Devo, também, confirmar
Que lamento mas não há...
E não sendo suicida
Vou chegando à conclusão
Que nem sequer tenho vida
O melhor será - quem sabe? -
Dizer à vida que não,
Rezar pr`a qu`ela se acabe...
Eheheheh... calma que eu suicida não sou, MESMO! A Florbela era, mas eu não. E não é por escrever sonetos que eu acho que deva sê-lo...
A febre está a voltar em força mas, desta vez, "pulou-me o pezinho para a brincadeira"... e não digo mentira nenhuma quando afirmo já não estar em condições para um trabalho que me exija deslocações e esforço físico. Essa parte é muitíssimo real e já há uns seis anos atrás eu - estava já doente desde muito jovem - me tinha de levantar às 4.40h para chegar ao centro às 8.30h. É que quando estamos com a mobilidade reduzida, levamos muito, muito mais tempo para fazer seja o que for.
Abraço grande, Poeta. Este foi feito em directo no seu blog e faço, agora, o caminho inverso...
Esta coisa de querer ler
EliminarTudo o que ficou pr`a trás,
Dá-me tanto que fazer
Que acho que nem sou capaz...
Já misturo a própria China
C `os jogos do capital
E uma ou outra falha interina
C`o a crise internacional...
Uma cimeira indecisa
Com a minha indecisão
Sobre ser, ou não, precisa
Uma nova intervenção
E, se um poema se eterniza,
É bem melhor que este não...
Tive de voltar até cá, Poeta... e saiu-me "isto" :))
É escusado tentar pôr-me em dia com as notícias que não vi durante estes "tempos da gripe". A minha cabeça parece que vai estalar e não faço senão meter os pés pelas mãos... tudo está a acontecer tão rapidamente, tão em simultâneo que eu já começo a duvidar que pudesse entender tudo, mesmo que estivesse no melhor da minha saúde... sempre vou aproveitando para, ao menos, tentar actualizar estes nossos sonetilhos...
Até já!
“Mau cheiro”
ResponderEliminarVamos ser desqualificados
Novo rating está em estudo
E como lixo classificados
Teremos mau cheiro e tudo
Mercados não vão suportar
Forte odor a putrefacção
Pôr-se-ão por daqui a cavar
Ou sofrem uma intoxicação
Virão para a grande limpeza
As brigadas anti-poluição
Limpar-nos-ão até ao tutano
E vocês podem ter a certeza
Será total a reconversão
Da nossa matéria em metano.
Sei do que é esse mau cheiro!
EliminarO Kico, hoje bem cedinho,
Fez cocó no quarto inteiro...
[só limpei há bocadinho..]
Com tanta dificuldade
Que nem pode imaginar
Limpei tudo e, na verdade,
Parece já não cheirar... :)
A febre, tendo baixado
Um bocadinho de nada,
Devia ter-me deixado
Um pouquinho mais saudável,
Algo mais aliviada...
Mas estou mesmo é... miserável!
Nem sei o que dizer-lhe, Poeta. Estou a ficar sem força para coisa nenhuma mas, não tendo nada a ver com o tema do seu sonetilho, aproveitei para relatar as desgraças desta manhã...
Abraço grande!
“A dívida explicada às crianças”
ResponderEliminarPaga a dívida se és criança
És governante faz a gestão
Credor não perde a esperança
Se lhe acenas com a solução
Se a solução é a vinte sete
Podes inclui-la no tratado
Que ninguém se compromete
E também não sai defraudado
Se é a vinte e três então
Um acordo devem assinar
Pois já sabem de antemão
Que não será para durar
É estratégia de alemão
Que a todos quer arrastar.
Prof Eta
Não pagues, criança! Morde!
EliminarMorde a mão que te prendeu!
Que o teu opressor recorde
Que o que quer roubar-te é teu!
Mesmo que ninguém concorde
Com este conselho meu,
Que, ao menos, a ti te acorde!
Se alguém pagar, que o pague eu!
Nestes tempos tão difíceis,
Que tão dura realidade
Possa ser-te, a ti, poupada
Que estes tempos, como mísseis,
São, pr`á tua tenra idade,
Ferida aberta, ensanguentada...
Ainda me saiu este... com algum receio de me estar a exceder... nem sei muito bem em quê. Afinal foi isto o que eu senti no momento em que li o seu sonetilho. E eu tinha prometido, a mim mesma, e a si, que responderia, sempre, a primeira coisa que sentisse fortemente.
Abraço grande, Poeta!
“A crise explicada às crianças”
ResponderEliminarEles caminhavam ordeiros
Às mãos do seu agressor
Eles pareciam cordeiros
Todos suportavam a dor
Eles eram uns bons milhões
Só uns milhares do agressor
Eles jazeram mortos no chão
O silêncio foi ensurdecedor
Mas a semente permaneceu
Em chão de sangue podrido
E quem pensa que venceu
Está prestes a ser vencido
Só que ainda não percebeu
Mas já está de morte ferido.
Errata, onde se lê "Eles eram uns bons milhões", deve ler-se "Eles eram mais de um milhão"
EliminarPoeta, terei em conta a sua errata. Peço desculpa mas estou tão cansada que me parece que não vou ser capaz de escrever nada de jeito... tenho as notícias todas atrasadas e estas últimas, que todos recebemos, não são nenhuma maravilha...
EliminarHoje até me passou pela cabeça que nós, portugueses, até nos estamos a aguentar muito bem! É que passamos os dias a querer acreditar que as coisas se vão definir - em termos políticos, claro - ou clarificar um bocadinho... e cada nova notícia consegue ser um pouco pior do que a anterior! Será que merecemos mesmo isto tudo?
Abraço grande!