DO AMOR PARA ALÉM DE NÓS
Que deste amor, de havê-lo amado “além”,
Me sobre, em estro, a voz para o cantar,
Pois sendo amor mais vasto e mais lunar,
Transcende o que me venha de outro alguém…
Se me não sei explicar, se mais ninguém
Humanamente o pode adivinhar,
Explicá-lo-ei à Terra, ao fundo mar,
Ao claro, imenso azul que nos contém
E, quando falte azul, sobrar-me-á
Desta imensa, insurrecta, convicção,
No arquivo de insondáveis da memória,
Isto que, para mim, perpetuará,
Em colorida-ambígua tradução,
A sintetização da nossa história…
Maria João Brito de Sousa – 09.02.2012 – 19.13h
NOTA - Soneto totalmente reformuladoa 15.06.2015
“Passado do futuro”
ResponderEliminarFuturo ao virar da esquina
Deste portugal de bananas
Democracia é pequenina
E mal gerida por sacanas
Democracia é a substituição
D’alguns corruptos apenas
Por incompetentes em aluvião
Que se pavoneiam às centenas
Acreditem não sou eu que digo
D.Carlos, Bernard Shaw e Eça
Relataram este filme no passado
E não parece filme tão antigo
Até me parece actual esta peça
Onde figurante povo é sacrificado.
Prof Eta
Já o li e aqui subscrevo
EliminarO que acaba de dizer!
Fazendo aquilo que devo,
Não me posso arrepender!
A pobre Democracia
Deste nosso Portugal
Está despojada, vazia,
E agora só nos faz mal!
Todos esses que escreveram
Sobre os males do mundo inteiro
Foram homens de visão
Por isso sobreviveram,
Até mesmo ao deus dinheiro,
Nessa sua opinião!
Um abraço grande, Poeta! Para si e para todos vós! :)
“Espiral louca”
ResponderEliminarSustentável leveza de não ser
É forma de existir confortável
Na actual sociedade do ter
Em que viver é insustentável
Podes existir, não mais viver
Existes e de forma inalienável
Concedem-te direito a sobreviver
Numa espiral louca e inenarrável
Agradeces a benesse concedida
A quem te oferece a sobrevivência
Se te permitissem mais irias sofrer
Assim tens existência protegida
Contra um estado de demência
Como alternativa emigrar ou morrer.
Lá morrer, hei-de morrer
EliminarQue a isso não vou escapar
Porém, doa a quem doer,
Não me hão-de ver emigrar!
Quanto ao "ter", possuo apenas
Esta graça de ir sonhando
E, às vezes, estas pequenas
Quadras que vou poetando...
Sobrevivo, isso é verdade,
Mas não consigo aceitar
Que outros sejam vitimados
Por toda esta insanidade,
Por este "desgovernar"
A que todos são votados!
Boa noite, Poeta :)
Lindíssimo Maria :)
ResponderEliminarPerante tais palavras, não necessito de acrescentar mais nenhumas ^^
Obrigada, Paper! :)
EliminarUm abraço grande, grande! :)
“A sentença”
ResponderEliminarEu não entrego os louros
Os louros são-nos roubados
Pelos ladrões de tesouros
De governantes disfarçados
Entregam o oiro ao bandido
A seguir vão-se endividar
P’ra nós piegas, o gemido
Somos carne para exportar
País não precisa de auxílio
Precisa vergonha e bom senso
Enviar alguns para o exílio
Da nossa maior indiferença
Encetar um processo intenso
Haja quem leia a sentença.
Prof Eta
:)
EliminarDeixo aqui o meu abraço
Para quem venha de novo;
Vou ao Terreiro do Paço,
Faço o Terreiro do Povo!
Porque isto há-de ir, meu amigo!
Há-de ir mais tarde ou mais cedo,
Que o poder do inimigo
Reside no nosso medo!
Tragam amigos, cartazes,
Tragam as mãos levantadas
E nelas o coração!
Amanhã, somos capazes
De percorrer cem mil estradas
Só pr`a lhes dizer que não!
Abraço grande, Poeta! :) Para todos, todos vós, o maior dos meus abraços! Até amanhã, sempre!
“Além mente”
ResponderEliminarPartamos além da mente
Muito há para descobrir
Sem a poluição residente
Ninguém nos pode impedir
O mundo de ideias feitas
Há muito entrou em falência
Novo mundo não enjeitas
Além mente a clarividência
Se daqui não nos libertamos
Não passaremos de normais
Reféns duma existência banal
Aprisionados que continuamos
Nas nossas prisões conceptuais
Libertemo-nos da prisão mental.
Ai, Poeta, quem me dera
EliminarQue toda a gente tivesse
O "conceito de conceito"...
Logo eu ficaria à espera
Que o ser humano crescesse,
Se tornasse mais perfeito...
Talvez o próprio poder
Lhe incutisse o estranho medo
Que cria escravos e servos
E, enquanto o não perder,
O resto fica em segredo
[dizem que faz mal aos nervos...]
Só agora redescobri este seu sonetilho que ficou por responder, entre acessos falíveis, bicharada a fazer das suas e as minhas maleitas todas :) Saiu-me assim, em sextilha paupérrima...
Abraço grande!
A LUSITANA CAPOEIRA
ResponderEliminarNa promíscua capoeira lusitana
Por todo o lado se vêem poleiros
Perfilam-se os galos, todos, com a gana
De ocuparem, sempre, os lugares cimeiros.
Vaidoso o chefe dos mais galinheiros
Se em dias festivos, sua cauda abana
E calha a falar de seus espigueiros
Sempre, a fazer contas, se enrola e se engana.
As fêmeas canoras e as de cacarejo
São raras e assaz bem incompetentes…
Trocam sempre as notas se fazem solfejo
Qualquer delas prima por má poedeira
Só quando um dia lhes nascerem dentes
Vai ter qualidade a lusa capoeira
Eduardo
Fez-me sorrir, meu amigo Eduardo... desde há umas horas que sorrio muito e é como se todos vocês estivessem mais perto de mim. Acho que estou a ficar mesmo piegas... mas não se assuste! Não é aquela pieguice lamechas e preguiçosa de que o nosso primeiro nos acusou... é outra coisa. É uma paz enorme, semelhante à que me vem quando está para surgir um soneto... que, sei-o bem, não vai surgir agora. Estou com sono, com o sono manso e fundo da criança pequena. Peço-lhe desculpa, mas não vou poetar... agora, só sinto que vos devo abraçar a todos porque, amanhã, será como se vos leve a todos comigo. Será como se vos leve a vós e a todos os meus sonetos também... será como se leve os meus pequenos amigos de quatro patas e todas as minhas memórias de vida.
EliminarHoje abraço-vos e digo-vos até amanhã. Até amanhã, amigos. Sempre!
Maria João :)
“Cálice de ouro”
ResponderEliminarQuando tiverem dentes
E puserem ovos de lata
Então estaremos contentes
A galinha já não se mata
Então será muito a sério
Riqueza ter-se-á acabado
Mesmo a do quinto império
Tanto mundo desolado
Não mais cálices de ouro
Cruzarão lábios sedentos
Não mais lugar a lamentos
Haverá um novo tesouro
No mundo em construção
Após a sua destruição.
Prof Eta
Pobre galinhas, coitadas!
EliminarPara que hão-de querer os dentes
Se podem, de uma assentada,
Engolir várias sementes?
Os ovos de lata, então,
Pr`a que lhes hão-de servir?
Mas que grande confusão!
Isto é pr`a me fazer rir?
Mas voltemos ao início,
Falemos do quinto império
Pois não há sonho, nem vício,
Que não tenha o seu porquê,
Que não traga o seu mistério
E o sexto... ninguém o vê!
Ah, Poeta! Acho que adquiri um reflexo condicionado qualquer... de cada vez que fala em galinhas e ovos de lata, desmancho-me a rir! E olhe que estou cansadíssima porque, conforme lhe disse, fui mesmo à manifestação. Estive, mais do que uma vez, à beirinha de "cair para o lado", mas lá me aguentei o melhor que pude. Agora é esperar que as dores vão diminuindo... ou não, porque ,muitas vezes, ainda estou pior no dia seguinte...
Beijinho!