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A BARCA DE CARONTE

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  Miguel Torga e António de Sousa em Coimbra, 1937 Fotografia retirada do JL de 16.03.1981    * A BARCA DE CARONTE *  Sou, por tua vontade, ó mar ingrato, Da Barca de Caronte o timoneiro... Nela percorro o Universo inteiro Em busca do pecado ou do recato *   E, nela, o meu destino, esse insensato, Me condena ao inferno derradeiro De eterno comandante/prisioneiro Da barca em que renasço, em que me mato... *   Aqui, neste vaivém, re nasço e morro Mil vezes por segundo em cada dia Das mil eternidades por chegar *   E, pra mim, não há esp`rança de socorro, Nem porto para a barca da agonia A que me condenaste, ingrato mar. * ©Maria João Brito de Sousa   27.02.2008 - 12.54h