A JUSTIFICAÇÃO DE UMA FLOR


Das pétalas me irrompe uma só pressa;


Estender-me, transparente, intacta e pura,


Entre outras flores que a morte não segura


Antes que a Primavera se despeça…


 


 


Não sei se é pertinente, ou vos interessa,


Que fale de quem sou, nesta loucura


Em mim, tornada “eterna enquanto dura”,


Mas que, em murchando, em mim se reconheça.


 


 


Interesse, ou não, só nela me defino!


Sou ponte a florescer sobre um destino


Que pode, ou não, ser meu… pouco me importa!


 


 


Persigo-me a mim mesma em desatino


E só sei serenar se me imagino


Comemorando a flor, depois de morta.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 19.09.2012 – 21.03h

Comentários


  1. a nossa Primavera
    é eterna...

    nos desejos de que tudo vá bem...

    ResponderEliminar
  2. “Não”

    Um futuro sombrio
    Sob o sol abrasador
    Imagino, não sorrio
    Não imagino tanta dor

    É no Verão, faz frio
    No silêncio um clamor
    Alma perdida, sem fio
    Dum passado sem sabor

    Sombrio, sem futuro
    O presente assustador
    Um mestre, uma missão

    Fio condutor, bom auguro
    Um contacto com o amor
    Uma esperança?... Não!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Há sempre a esperança da flor
      Conforme ela a descreveu...
      - Vou rimar "flor" com "amor",
      depois vejo o que isto deu... -

      E "há sempre alguém que diz não",
      Outra voz que grita: - Basta!
      Depois, uma multidão
      Que cresce enquanto se afasta,

      Um lampejo e a lucidez
      De quem espelha, no futuro,
      A resposta a tais porquês...

      Ouve, Poeta; não vês
      Que o momento é mesmo duro
      E pede mais que o que crês?


      Saiu... e eu tenho exames - antigos - amanhã muito cedo. Abraço grande!





      Eliminar
  3. “Fado da TSU”

    Vive numa rua cinzenta
    É prima da austeridade
    Aquela taxa violenta
    E cheia de ambiguidade

    Os ministros justificam
    O porquê desta medida
    Que agora simplificam
    Mas é uma causa perdida

    Ai taxa tu que és social
    Não nos leves o sustento
    Escuta a maioria na rua

    O povo está a passar mal
    Pode tornar-se violento
    E não é por culpa sua.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu, consciente do perigo,
      Auscultando "ambiguidades",
      Fui espreitar um outro amigo,
      Fui ver das suas vontades...

      Quanto à taxa... nada digo...
      Só sei falar das verdades
      Quando entendê-las consigo
      E esta só me fez maldades...

      Tenho abundante auto-estima,
      Não sou nenhuma menina,
      Nem tampouco iluminada...

      Tudo se aprende e se ensina
      Mas, na balbúrdia assassina,
      Não consigo aprender nada!


      Aí vai, Poeta, o que me saiu sem nenhuma ambiguidade...

      Abraço grande!



      Eliminar
  4. “Sim”

    Não há fio condutor
    Qualquer mecha ou chama
    Não venha o historiador
    Agora ninguém o aclama

    Não há feitos p’ra contar
    Andamos por aqui desfeitos
    Que futuro conquistar
    Quando estaremos refeitos

    Deste tempo sem sentido
    Sem valores ou tradição
    Por maldições acometido

    Pelas trevas ensombrado
    Cresce em nós a sensação
    Dum futuro no passado.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Um futuro sem passado
      Nem sequer é utopia...
      É não ter História, nem fado,
      E curvar-se à tirania

      Da gula deste mercado
      Que, ao morrer de autofagia,
      Nos vai transformando em gado
      Sem honra ou filosofia...

      Querem-nos povo calado,
      Sem saúde ou alegria?
      Pois deverão ter cuidado

      Porque, em vez disso, zangado,
      Já ele entra em rebeldia,
      Já seu grito é levantado!


      Foi o que me ocorreu... e só agora. Não me sinto mesmo nada bem.

      Eliminar
  5. Respostas
    1. Vou vê-la, Poeta... mas nem tudo é tão síncrono como isso e eu estou meia a dormir, no sentido literal do termo...

      Eliminar
  6. “Vamos a caminho”

    Caro vamos a caminho
    Dum país sem pão
    Ao menos um bocadinho
    Escuta a manifestação

    O conselho d’estado
    Desta desgraçada nação
    Não houve o petardo
    Da nossa indignação

    Afunda a nação heróica
    Refém deste desgoverno
    Num quadro deprimente

    Que se lixe a troika
    Que se lixe o governo
    Que se lixe o presidente.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Que se lixe o sujo jogo
      Que connosco já fizeram!
      Portugal está todo em fogo
      Por todos aqueles que arderam!

      Pouco a pouco se constroem,
      Da matéria quase informe,
      Sobre esses que nos destroem,
      Palavras de um grito enorme!

      Mas é corrida de fundo,
      Podemos ter a certeza
      Que não é pura euforia!

      Há que mudar este mundo,
      Resgatá-lo da pobreza,
      Mudar-lhe a filosofia!


      Nem sei como ainda consegui... abraço grande!


      Eliminar
  7. “Pós manif”

    Depois da manifestação
    Fica o retrato de afecto
    Fica também a sensação
    De um Portugal abjecto

    Onde só alguns contam
    E os outros desprezáveis
    Os que ao povo remontam
    Meros objectos contáveis

    Como estava assim ficou
    Este país em desgraça
    O poder que o assaltou

    Está a deixá-lo sem graça
    Deste povo que gritou
    Ficou a esperança na praça.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Depois desta, muitas mais,
      Muitas mais hão-de surgir
      E nunca serão demais
      Pr`aquilo que está pr`a vir!

      Onde um povo, levantado
      Desse chão de onde emergiu,
      Consegue erguer o seu brado,
      Muito já se conseguiu!

      Nada fica como estava
      Depois de uns olhos abertos
      Verem males de quem falava

      Dessa absurda austeridade
      Que nos trouxe tais apertos
      Mas nos não rouba a vontade!


      Cá vai, Poeta, com um abraço grande!



      Eliminar
  8. “Conselho faraónico”

    A TSU parece não vem
    Virá corte equivalente
    Decidiram em Belém
    Povo quer-se dormente

    Pobreza é o seu limiar
    Acima só os iluminados
    Nascidos p’ra governar
    Este bando de azarados

    Mas um azar não vem só
    Então o conselho d’estado
    Reunido com tod’o preceito

    Sob a égide dum faraó
    Declarou tudo reconciliado
    O povo pobre mas satisfeito.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Só os ingénuos, Poeta,
      Podem ficar satisfeitos
      Que a cegueira `inda acarreta,
      Para alguns, esses efeitos...

      Mas a fome já começa
      A estender-se a tantos, tantos,
      Que é bom que não arrefeça
      A vontade... ou mesmo os cantos

      Não basta gritar um dia,
      Nem dois ou três, quatro ou cinco,
      Que esta é "corrida de fundo"!

      Persistir nessa ousadia,
      Lutar com profundo afinco
      Pr`a poder mudar-se o mundo!


      Abraço grande, Poeta!

      Eliminar
  9. Respostas
    1. Vamos a ele, Poeta! Meu ou dos que venham depois de mim, o futuro importa-me sempre!

      Eliminar
  10. “Cigarras”

    As cigarras deste país
    Cantam no seu poleiro
    As formigas já se diz
    Há poucas no formigueiro

    O exemplo vem de cima
    Ó cigarras trabalhai
    Ajudai a mudar o clima
    Deste esforço partilhai

    E todos numa nota só
    Conseguiremos o milagre
    De chegar mais além

    De contrário tenham dó
    Moscas fogem do vinagre
    Como as formigas também.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Cigarras também trabalham,
      Tanto ou mais do que as formigas
      E, todas juntas, não falham
      Pois sempre foram amigas...

      Nunca houve animais inúteis
      E nem sequer os insectos
      São criaturinhas fúteis
      A abusar de alheios tectos...

      Moscas - por mais que me custe -
      Também têm seu papel
      Neste mundo em que surgimos

      E, muito embora me assuste,
      Há bicharada a granel
      Que ainda mal descobrimos...

      Um abraço grande, Poeta! Ora vá lá ver, acima, o soneto que eu dediquei aos amigos que me vão acompanhando nesta caminhada!

      Eliminar

Enviar um comentário