SONETO MUITO FANTASMAGÓRICO...


SONETO FANTASMAGÓRICO


*


(Em verso eneassilábico)


*


 


Vês paredes de uns prédios já gastos…


De uma delas, de cinza tingida,


Brotam, vagos, soturnos e castos,


Mundos mil, estranhas formas de vida.


*


 


Se a magia nocturna dos astros


Lhes confere aparência fingida,


Serão barcas, sem remos, nem mastros,


Sobre um mar sem prelúdio ou saída…


*


 


Se, iludida, a memória se exalta,


Reconhece os perfis, nel`s confia


E quer crer no que aos olhos ressalta,


*


 


É tal qual como se almas penadas,


No silêncio dessa hora tardia,


Se apossassem das pedras… coitadas.


 *


 


 


Maria João Brito de Sousa – 27.11.2012 – 15.58h

Comentários


  1. bom como sempre
    esse teu versar...

    e é como dizes
    "Se, iludida, a memória se exalta"

    feliz tarde

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    1. Eheheheh... sabes do que me estava a lembrar quando escrevi isto? Claro que não sabes... nem sei para que pergunto... mas estava-me a lembrar da minha Aurorinha - era empregada em casa dos meus avós paternos - e da sua "crença" em fantasmas... eu era muito pequenina mas ainda andei uns bons tempos a ver se conseguia ver algum.. claro que os podia imaginar, mas penso que já nessa altura distinguia a imaginação da visão propriamente dita... pois eu daria tudo para encontrar um, mas a verdade é que só os consegui imaginar... e pronto Mas é claro que o soneto tem mais "afluentes" pelos quais se pode ir navegando... sempre que posso, aproveito para associar outros temas ao tema principal...

      Vou ver se já tens o filme, Anjo!

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    2. e imagina passado este tempo todo
      andarão por cá...acredita

      mas não serão gente maldita...


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    3. E é que tens mesmo razão... se perdurou tudo isto na minha memória e ainda me nasceu este soneto, mesmo sem substância física, qualquer coisa perdura... e eu estava bem disposta - apesar dos micróbios malucos e mauzinhos... - quando escrevi este soneto.
      As minhas memórias nunca são nostálgicas... nesse aspecto, sou muito linear... é como se fosse a andar por uma estrada e o que está para trás fizesse naturalmente parte do já percorrido... se não houvesse nenhum objectivo ou se eu não sentisse que viver faz sentido, provavelmente seria mais saudosista... mas não. Não sou mesmo. E, depois, o poetar, o aprender - e apreender - e a minha bicheza, ocupam-me muito... tenho sempre o tempo todo preenchido... nem sei porque procuro razões para justificar esta ausência de espírito saudosista... sou assim...

      Feliz noite, Anjo!

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    4. mas recordar é bom

      no melhor de nós...abaixo o mafarrico da vida


      uma muito feliz noite

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    5. É isso mesmo, Anjo! Recordar é bom! Muito bom mesmo! Mas vejo muita gente recordar e chorar... por isso te falei desta minha estranha maneira de recordar sorrindo...

      Feliz dia

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    6. "cá se vai andando
      com a cabeça enre as orelhas"


      uma feliz tarde

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    7. Eu, às vezes, nem sei por onde anda a minha, eheheh...

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  2. “Opções”

    25 de Abril é opcional
    E o carnaval também
    Neste mundo a moral
    É tratada com desdém

    Liberdade foi vendida
    Democracia é uma farsa
    A luta é causa perdida
    Quando a moral é escassa

    O valor da vida humana
    Entra em depreciação
    E as almas são p’ra saldar

    Mas a alma lusitana
    Não aceita esta opção
    Mesmo em saldo vai lutar.

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    1. Já vi e já... "não gostei",
      Fiquei até bem zangada!
      Por mim, boicoto essa lei
      Fico mais "enferiadada"!!!

      O que mais querem cortar?
      Cortam pão, paz e saúde,
      Querem fazer de "educar"
      Coisa que até desilude!

      Já está bem depreciado
      O valor da vida humana
      E a sua simbologia

      E o homem, desenganado,
      Também no rumo se engana,
      Fica de vida vazia...


      Abraço grande, Poeta! Isto - e tantas outras coisas... - não me agrada mesmo nada!

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  3. Respostas
    1. Ahhhh... agora é que reparo que, ontem, ia adormecendo sentada a teclar e nem cheguei a ir à Ponte... vou agora mesmo!

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  4. Respostas
    1. Sempre brincalhão... mesmo com cólicas e enjoadito, coitado dele/de mim...

      Abraço grande, Poeta!

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  5. “Heróis”

    Este estado não cumpre
    A sua elementar obrigação
    E no horizonte irrompe
    Uma enorme insatisfação

    Quem quer saúde compre
    Ou que compre educação
    Que se calem para sempre
    Ou abandonem a nação

    Heróis de antigamente
    De nada nos valerão
    Os que vemos p´la frente

    Não têm classificação
    São uma classe de gente
    Sem classe e sem distinção.

    Prof Eta

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    1. ... sem princípios que não sejam
      Os do grande capital,
      Vendidos que só invejam
      E só sabem fazer mal!

      Todos teremos que ser
      Os heróis, os resistentes!
      Isto vai ser a doer,
      Há que lutar, minhas gentes!

      Organizados, unidos,
      Conscientes... não cedamos!
      Nunca seremos vencidos,

      Já a luta cresce em nós,
      Os que rechaçamos amos
      Desde os "egrégios avós"!


      Acordem portugueses! Estão a roubar-nos a saúde, a educação, o alimento e a dignidade!

      Abraço grande, Poeta!

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    2. ... pois... este link também só me chegou agora... dei com ele por puro acaso, quando respondia a um comentário do Anjo...

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  6. Respostas
    1. É uma bebida experiente, lúcida e muito viajada, o senhor Chá... vou vê-lo!

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  7. “Elites”

    Poucos vêem com clareza
    O que se está a passar
    Essa elite da esperteza
    Que nos anda a enganar

    Querendo ter a certeza
    De nos conseguir matar
    Espalha fome e pobreza
    Muito ruído a acompanhar

    Mas sem nada sobre a mesa
    Teremos que nos revoltar
    Contra a elite e a corrupção

    Ou com carácter e nobreza
    Há apenas que aguardar
    Pela sua autodestruição.

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    Respostas
    1. Destruir-nos-ão primeiro,
      Pode estar seguro disso!
      Só lutando a tempo inteiro,
      Só sendo um povo insubmisso,

      Inteligente, alertado
      E também interventivo,
      Com resposta sempre certa,
      Mantendo apertado o crivo,

      Organizados e prontos,
      Mantemos salvaguardados
      Nossos básicos direitos...

      De outra forma... somos tontos
      Como bichos acossados
      Por outros... mais imperfeitos!


      Um abraço, Poeta!


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  8. Ravi partiu aos 92, a ponte lembra o mestre.

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  9. gostei de te ler, escreves tão bem!
    Beijo grande!

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  10. “Ninguém acredita”

    Portugal no bom caminho
    Não tem fome nas escolas
    Seu futuro está no vinho
    Roubam caixa das esmolas

    Tudo em nome dum futuro
    Que queremos desenvolver
    Se este é um povo maduro
    Vai começar a apodrecer

    Mas eu vou investigar
    Todos os responsáveis
    Por esta danosa gestão

    Talvez consiga encontrar
    Os pouco recomendáveis
    Causadores da situação.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Se bem me lembro, esse vinho,
      Correndo país afora,
      Exaltava-se em caminho
      Nos tempos de outra senhora...

      O mundo não está maduro,
      Nem tampouco as sociedades...
      Mas eu voto num futuro
      Sem estas disparidades!

      Investigando melhor,
      Pouco mais se saberá
      E isto já cheira a terror!

      Portugal foi posto à venda...
      Disto não duvidará
      Nem aquele que nada entenda!


      Só agora, Poeta... aqui vai com um abraço grande!

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  11. Respostas
    1. Eu sei que nem consegui responder ao sonetilho de ontem, Poeta... estava muito cansada e acabei por nem lhe dizer nada... mas vou ver o Chá!

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  12. “Voar”

    Neste vale de injustiças
    Urge aprender a voar
    Sobre verdades omissas
    E as mentiras desprezar

    Cumprir com as premissas
    Que nos permitirão pousar
    Longe de todas as cobiças
    Que nos estão a afundar

    Deixar a vida escorrer
    Por este vale de ilusões
    Passar-nos entre os dedos

    Ou as lágrimas conter
    Combatendo frustrações
    E voar além dos medos.

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    Respostas
    1. Caramba... estes comments não me apareceram na caixa de correio...

      Se voar alto pudesse,
      Levando à letra o que escrevo,
      Poderia, se o quisesse,
      Ir mais longe do que devo,

      Por isso, em voo baixinho,
      Desdenhando indicadores
      E sem ter de beber vinho,
      Imagino-me sem dores

      E poeto sem ter medos,
      Solta como um gato velho
      Cioso de um território,

      Que nunca teve segredos
      Nem aceita um só conselho
      Mesmo não sendo um finório...


      Abraço grande, Poeta!
      Saiu-me assim... e não é meu hábito responder na primeira pessoa do singular...





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