GATO DE TELHADO


  (Soneto em verso eneassilábico)


 


O Sol brilha em teus olhos doirados


Se, incontido, um rosnido acontece


Na conquista de urbanos telhados


Onde, à noite, o teu corpo adormece


 


De veludo, em teu dorso eriçados,


Doseando a tensão que o estremece,


Estão milhares de pequenos soldados


Preparando o que em garras se tece…


 


Não há fome nem frio, não há sede


Que desarme essas armas brandidas


Na defesa de um espaço que é teu


 


Mas se o estranho invasor to concede


E desiste das telhas perdidas…


Reconquistas, no mundo, o teu céu!


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 30.12.2012 – 18.09h


 


 


Nota - Ligeiramente reformulado, a 02.01.2012 depois da publicação no meu mural do Facebook


 


 


 

Comentários


  1. E que pose MJ...

    cá pra mim é Sir Sigmund...

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    1. Eheheheh... não, Anjo. Este gato de telhado teve de ser "roubado" às imagens do Google... nem eu tenho maquineta, nem o meu velhíssimo Sigmund conseguiria lá chegar... e, pensando melhor, nem eu conseguiria, mesmo que tivesse maquineta e ele lá trepasse... a minha porta da marquise que dá acesso ao telhado está tão empenada quanto eu... nem a consigo abrir...
      Este é um gatito jovem. Tem um padrão de pelagem semelhante ao do Sigmund, mas mais acinzentado... olha, ele é o da fotografia do soneto anterior! Esse é que é o meu Sigmund!

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    2. eu comparei as duas fotos..

      e pensei logo ser o Sigmund...uma festinha pró velhote..

      e uma feliz tarde pra ti



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    3. ... está tudo muito velhote, por aqui... eu, comparativamente, sou muito mais nova do que eles... o problema está mesmo nas dificuldades em fazer tudo o que é necessário fazer para manter uma casa "hospital" de animais tão velhinhos...

      Feliz noite

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    4. O Kico ainda não foi à rua depois de jantar... mas dou-lhe os teus votos de boa noite! O Sigmund espera sempre por mim para se ir enroscar na minha cama e o Garfield tem de ficar na salinha... são sempre estes os nossos hábitos nocturnos, eheheh...

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    5. que sja uma noite muito feliz...

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    6. Só desejar um bom dia
      com muita alegria e solito...

      que aqui o vento faz das suas...

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    7. Também faz um ventinho bem fri-i-i-o por aqui, Anjo... mas o Sol brilha, as dores não estão a massacrar-me muito e a ligação ainda só caiu uma vez... até agora, cá para a minha micro-existência, nada mau!

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    8. Ah... e só agora te vejo aqui, Anjo! Ai, a minha caixa do correio... e esta ligação que parece sei lá o quê!

      Feliz noite, Anjo!

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    9. Uma bela manhã também para ti, Anjo

      Está um frio "de rachar", por aqui... nem imagino como possa estar por aí...

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    10. aprazível e com um solinho todo fofo...

      continuação de boa disposição e e abaixo o frio

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    11. ... abaixo o frio, Anjo! ehehehe... não me parece que ele desista, mas...

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  2. “Na mente”

    Vivi coisas sem sentido
    Ou correspondência real
    Estaria eu doido varrido
    Numa dimensão lateral?

    Estava doido certamente
    Noutro lado da realidade
    Sem uma fronteira aparente
    Há um muro de ansiedade!

    São as viagens na mente
    Processadas a todo o gás
    Por vezes numa direcção

    Mas noutras seguramente
    Pode-se fazer marcha atrás
    A mente dá-te essa opção.

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    1. Ela, a mim, dá-me poemas
      E eu cá já fico contente
      Pois essas parecem cenas
      De um passeio incoerente...

      Essa coisa da ansiedade
      Pode ser compreendida,
      Com muito boa vontade,
      Dentro da quadra vivida

      Não falo desta, das festas,
      Mas da quadra da desgraça
      Para a qual nos empurraram

      Estas gentes desonestas
      Da política "reaça"
      Que, afinal, nunca enganaram...


      Abraço, Poeta!
      Esta ligação está de mal a pior...

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  3. Respostas
    1. Vou lá ver... pode ser fortuna de sorte ou fortuna daquela que, para existir, precisa de fazer muitos pobres... sempre quero ver

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  4. Respostas
    1. Sim, Poeta. Diz-se do verso - cada uma das linhas que constitui um poema - composto por nove sílabas métricas. Um polígono de nove lados, para lhe dar outro exemplo, é um eneágono.

      Abraço grande!

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    2. Desculpe a ignorância geométrica!

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    3. Então?!?! está pior do que eu que ando sempre a pedir desculpa por tudo e por nada... Não é nada, nada, nada comum, esta palavra... nem são nada comuns os sonetos em verso eneassilábico... eu é que lhes descobri um ritmo muito combativo e... apaixonei-me por eles, claro Mas continuo a gostar muitíssimo dos decassilábicos. Deixo que as coisas fluam naturalmente... eles acabam por se ir construindo conforme o meu exacto estado de espírito do momento... já cheguei à conclusão que é a única maneira de me nascerem bons sonetos... deixá-los ir crescendo em palavras sem uma única mentira ou omissão em relação àquilo que estou a querer dizer, porque o sinto...

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    4. A Maria João teria dado uma grande qualquer outra coisa, mas ter-se-ia perdido uma grande poetisa e por isso Deus não permitiu.

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    5. Poeta, tenho muita dificuldade em aceitar Deus como uma figura humana que põe e dispõe das vidas de todos, mas estaria aqui a vida inteira a tentar explicar-lhe como sinto o divino e não chegaríamos a conclusão nenhuma... por isso, acho que tem razão... basicamente, deve ser isso
      Eu não tenho grandes modéstias - nem falsas nem verdadeiras... - e sei que sou uma boa poeta. Acho que sou péssima em muitas outras coisas, mas a poesia acontece em mim tal e qual como me pulsa o coração... e também me parece que seria muito "contra natura" eu tê-la calado até ao fim da minha vida... seria mesmo um verdadeiro suicídio enquanto ser humano.

      Obrigada e um abraço grande

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  5. Os gatos são como as palavras, livres e independentes!

    Ah! Tem um convite no meu Blogue
    http://golimix.blogs.sapo.pt/60645.html

    Bjinhos

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    1. Já lá estive, Golimix! Fiquei tão contente por ti!!!
      Sei que te fiz um sonetilho mas a minha ligação continua indescritível... nem sei como ainda não perdi a paciência e não deixei o computador desligado... é que é mesmo uma coisa que não tem explicação... e as minhas caixas de correio estão que metem medo ao próprio susto...

      Amiga, não poderei estar presente... no estado em que estou, desconjuntava-me toda antes de chegar a meio do caminho, mas estarei a pensar em ti, na tua "Estrelinha" e no muito sucesso que te desejo!

      Abraço grande, grande!

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    2. Obrigada! Eu sei que estará comigo

      Bjinhos

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    3. Podes crer que sim!

      Esta é a minha estrelinha da alegria e do afecto partilhado!

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  6. “Estatística da nação”

    País de parcas reformas
    Trezentos euros mensais
    Mas deixam suas marcas
    Pois é dinheiro demais

    Não dá p’ró medicamento
    Nem chega p’rá habitação
    Mas chega para o sustento
    Dos chulos desta nação

    Acima da possibilidade
    Por cá se vai vivendo
    E esvaziando o país

    Por causa da equidade
    Alguns têm de ir morrendo
    A estatística assim o diz.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Poeta... sabe aqueles lutadores de... sei lá... pronto, uns que passem o dia inteirinho a lutar Kung-fu ou qualquer coisa parecida? Pois eu estou assim... todo o dia tem sido uma luta pegada com este computador que mal me deixa escrever duas palavras e logo fica desligado... nem sei quantos milhares de vezes eu hoje reiniciei esta ligação! Estou a cair de pura exaustão e já nem consigo "desentupir" a caixa de correio que está que mete medo...
      Tenho mesmo de me ir deitar, desculpe. Abraço grande

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    2. Malvada ligação!!!! Está a dar-me conta da paciência... e eu sei que tenho muita! Desculpe, Poeta, mas este desabafo tinha que sair...


      Se, em vez de ir matando os pobres,
      Pegassem nos abastados,
      Lhes penhorassem os "cobres"
      E os deixassem "depenados"!

      Se investissem, mesmo a sério,
      Nas pessoas desta terra
      E se em cada Ministério
      Não se projectasse a guerra

      Contra aqueles que trabalharam,
      Contra os os que vão produzindo
      Quanta riqueza esbanjaram

      Na bolsa em que especularam
      E que a nós vão exigindo
      Só porque alguns neles votaram...


      Vai muito desinspirado, Poeta... a ligação não me permite concentração nenhuma e hoje estou num daqueles dias de dores por todo o lado...
      Abraço grande!





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  7. “Linuxa”

    Linuxa com estrelinha
    Resolveu não acreditar
    Mas a malta da casinha
    Achou que era d’editar

    Vai daí envia o material
    P’rá editora avaliar
    Nem a crise estrutural
    Foi motivo p’ra recusar

    O que atesta a qualidade
    Das histórinhas tecidas
    Neste livro d’encantar

    Durante a contrariedade
    P’ra felicidade d’outras vidas
    Que assim se podem deliciar.

    http://golimix.blogs.sapo.pt/60645.html?view=707045#t707045

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  8. Respostas
    1. Só agora lá posso ir... se a ligação me permitir o "luxo" de abrir um vídeo... ai

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  9. Respostas
    1. Ora pois!!! Já cá faltava o corte no pobre do Chá! E a ligação deve ter sido vítima do mesmo... vou lá

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