MÃO


 




(Soneto em decassílabo heróico)


 


A mão que esboça o verso, ampara a vida,


Transporta o saco cheio, amassa o pão,


Cava o torrão mais duro e, mesmo f`rida,


Prefere a dor sentida a não ser mão,


 


Renasce a cada causa antes perdida


E tece e fia e doba e faz questão


De, sobre a tela pronta e já tecida,


Lavrar, do próprio gesto, a criação.


 


A mão trabalha ainda, a mão persiste


E até quando algemada ela se agita;


Ou se livra da peia… ou lhe resiste!


 


Será por cada mão que não desiste


Que a força de que o mundo necessita


Justifica a razão que ao povo assiste!


 


 


Maria João Brito de Sousa – 29.01.2014 – 14.43h


 


 


"Cueva de las Manos" - Pintura Rupestre, Patagónia, Argentina

Comentários

  1. É amiga, todo o poder é podre e vive da miséria alheia, seja a miséria física, seja a psíquica.
    São mafiosos e inspiram o humor satírico, a saber:

    Trovam-se dificuldades
    vendo-se esses arrogantes,
    possuídos de maldades
    e são nossos governantes.

    Toni Ferreira,
    Belém-Pará-BRASIL

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    Respostas
    1. ... e são nossos governantes
      Mesmo que não sejam mais
      Do que uns palermas tratantes
      Que inventam poder demais...


      Um abraço desde este maltratado Portugal, poeta amigo!

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  2. “Grito da humanidade”

    Sentido desta mudança
    Tritura a humanidade
    Está a matar a esperança
    Bombardeia a liberdade

    Inquina a democracia
    Imprime a alienação
    Promove a iliteracia
    Destrói a imaginação

    O futuro vê-se aflito
    Em função deste presente
    Fazendo juz ao passado

    Humanidade solta um grito
    Anseia por algo diferente
    Quer o futuro mudado.

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  3. Respostas
    1. As coisas ainda estão muito mazinhas, por aqui, mas vou ver esse Chá!

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    2. sujemos então as mãos - no húmus da Vida.

      poema-arma! directo como seta.

      beijo

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  4. Respostas
    1. Vou tentar ir ver esse Chá luminoso, embora as coisas continuem muito difíceis, por aqui, em termos de saúde e até de visão e capacidade de concentração...

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  5. “Mutatis muntandis”

    E no tempo repetidos
    Somos seres andantes
    Pela realidade envolvidos
    Somos às vezes pensantes

    Julgamo-nos evoluídos
    E somos apenas mutantes
    Simples animais distraídos
    Revelamo-nos como errantes

    Repetimos atrocidades
    Em nome duma evolução
    Que pensamos promover

    Crescem as monstruosidades
    Às quais não dizemos não
    E assim escolhemos viver.

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    Respostas
    1. ... assim escolheram viver
      Os que vão tendo esses opção...
      Outros nem podem escolher
      Por mais que tenham razão

      E queiram, ou não, fazer,
      Boa escolha ou decisão,
      Só terão quanto of`recer
      Um sistema que é ladrão!

      Sem ver quanto vou escrevendo,
      Espero não me atrapalhar
      Nas coisas que vou dizendo,

      Mas sei que posso falhar...
      Se assim for, só me arrependo
      Se o Poeta protestar...


      Maria João


      Poeta, aqui vai com o meu abraço! Hoje terei de me deitar muito, muito cedo...

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  6. “Batatal cultural”

    Queriam quadros de Miró
    Vão vê-los por um canudo
    Ó portugas tenham dó
    Brinquem todos ao entrudo

    A cultura da batata
    É o expoente nacional
    Assim como a gravata
    Do nosso patamar cultural

    É a pobreza que grassa
    E não apenas monetária
    Neste lindo batatal

    A caminho da desgraça
    Faça-se a reforma agrária
    Da cultura em Portugal.

    Prof Eta

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  7. “Roleta académica”

    Humilha o teu irmão
    Obriga-o a rastejar
    Vai dar-te satisfação
    E ajuda-lo a integrar

    Não esperes gratidão
    De quem não a pode dar
    Pois falta-lhe compreensão
    Que mais tarde há de chegar

    Duma forma decidida
    Quando conseguir enxergar
    Tod’a sua imensa sorte

    Ser preparado p’rá vida
    Ao conseguir superar
    Derradeira prova de morte.

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  8. Respostas
    1. Poeta, a minha caixa de correio está doidinha de todo... nada de nada está por ordem cronológica e, não conseguindo chegar ou, sequer, ver a barra lateral, não encontro os mails, nem os links... mas vou tentar ver o Chá!

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  9. “O tacho”

    A lugar privilegiado
    Chega muita informação
    E a bem do eleitorado
    Aproveita a ocasião

    Não será por ter roubado
    Nem sequer foi corrupção
    Aquilo foi um achado
    Não é rico por opção

    Era pobre por destino
    Mas houve um´alteração
    Soube aproveitar o momento

    Não continuou pequenino
    Ao tacho lançou a mão
    Abraçou o enriquecimento.

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  10. “Tempestade”

    Magnífica tempestade
    Incontornável bonança
    Compõem uma realidade
    Que só pode ser esperança

    As gaivotas sem vaidade
    Rodopiam numa dança
    Fazem-nos ver a verdade
    Do presente que avança

    Em direcção ao futuro
    Conquistando a liberdade
    Que ainda vai faltando

    Será derrubado o muro
    Que oprime a humanidade
    E a seguir sairá voando.

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    Respostas
    1. Seja o muro derrubado!
      Mas a que preço o será?
      Pago o preço adiantado,
      Sem saber quanto virá,

      Sem estar certa do legado,
      Nem segura do que ele dá,
      Deixo o futuro saldado
      Enquanto estiver por cá...

      Com recuos, passo a passo,
      Sem mudar de direcção,
      Fazendo o pouco que faço,

      Tenho o futuro na mão...
      (embora me doa o braço,
      não o deixo cair, não!)


      Maria João


      Aqui vai, finalmente, com o meu abraço de sempre, Poeta!

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  11. Respostas
    1. Poeta, peço desculpa por nem sequer ter conseguido cá vir ontem. As coisas não estão nenhuma maravilha, em aspecto nenhum, embora o fleimão comece a dar sinais de querer fechar... mas todos os dias - todos! - tenho ido ao tratamento de drenagem e penso...

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