ESBOÇO CRIATIVO
(Em decassílabo heróico)
… e neste fim de Tejo em que me vivo,
Onde, entre verbo e dor, sei ser feliz,
Hei-de ser sempre o fruto do que fiz,
Do muito que senti, do que me privo
Se teimo em rejeitar, quando me esquivo,
A verso que não venha da matriz
Ou negue exactamente quanto eu quis
Por não ser mais que um frágil lenitivo
E atendo ao que jamais será cativo,
Ao que é reprodução do som nativo
Que, em ondas, se espraiou desde a raiz
Porque, entre sopro e forma, mero crivo,
Não traço mais que um esboço criativo
Dos versos que um soneto a mim me diz.
Maria João Brito de Sousa – 28.01.2014 – 21.50h
DE ONDE VIRÁ ESTE CHEIRO?
ResponderEliminarDesde a Graça à Madragoa
Tudo aperta as narinas
Pois pelas sete colinas
Cheira bem, cheira a Lisboa…
Já não se ouvem varinas
E, no Chiado, o Pessoa
Sente o odor das latrinas
Cheira bem, cheira a Lisboa…
Lisboa cheira tão bem
A um cheirinho pestilento
Que invadiu a capital
Virá ele de Belém?
Ou será que é de S. Bento?
Lisboa cheira tão mal!...
Eduardo
Talvez o estranho "processo"
EliminarQue faz com que cheire assim
Tenha a ver c`o retrocesso,
Não venha desse jardim...
Será coisa de sucesso
Poder cheirá-la e, no fim,
Descobrir que o grande abcesso
Não estava, afinal, em mim...
Pobre Lisboa que, um dia,
Tão dif`rente se mostrava
Cheirando bem de verdade
Pois, de Alfama à Mouraria,
Cada um nela plantava
Os cravos da liberdade...
Maria João
Obrigada, amigo Eduardo! Este meu sonetilho improvisado não faz justiça ao seu, mas não me está a ser nada fácil manter-me por aqui. O computador parece ter estabilizado ligeiramente, mas o meu cansaço vai sendo cada vez maior...
Um forte abraço para si e Maria dos Anjos!
“Colossal”
ResponderEliminarTerá sido a ganância
Que afundou Portugal
A festa da alternância
Desaguou num lamaçal
Continuaremos a dança
Como esta não há igual
Até qu’assinem a livrança
Para o afundanço total
Sairemos sem cautelar
E plenos de esperança
Num amanhã colossal
Com a dívid’aumentar
Será total a confiança
Neste colosso nacional.
Prof Eta
... mas, antes ainda de ir ao Chá, aproveito para lhe tentar responder a este sonetilho! Vi-o aqui, entre "manobras" para chegar ao Chá e não quero deixá-lo passar em branco...
EliminarColossais são as asneiras
E a corrupção que alastra
Pois, de todas as maneiras,
É pr`a nós que ela é nefasta,
Mas, haja, embora, canseiras
Pr`a quem cansado se arrasta,
Não estamos pr`a brincadeiras
E havemos de gritar; BASTA!
Nesse amanhã que há-de vir,
Que agora incerto parece,
Colossal é conseguir
Fazer o poder cair
Pr`a que a vida recomece
Antes que queira é fugir...
Maria João
Abraço grande, Poeta!
Chá perfeito.
ResponderEliminarNem queira saber a maluqueira em que está a minha caixa do correio... e, desta vez, não será por minha culpa... mas vou ver esse Chá perfeito, Poeta!
Eliminar“Poeiras”
ResponderEliminarNa minh’alma apareceu
Uma memória perdida
Algo que não era meu
Mas era pedaço de vida
Pedaços de vida sonhados
De muitas almas memória
De muitas vidas bocados
Mas apenas uma história
Resumo de mil fragmentos
Num ponto do universo
Que da poeira nasceu
Restarão mil pensamentos
Após o processo inverso
Daquele que antes se deu.
Imaturidades...
EliminarHá-de haver processo inverso,
Disso nem vou duvidar,
Mas, se cresce este universo,
Há vida em qualquer lugar
E teremos milhões de anos
- que, pr`a nós, é tempo infindo -
Pr`a tornar-nos mais humanos
E moldar um mundo lindo!
Estamos na primeira infância
Desta nossa Humanidade
Inda há pouquinho nascida...
Assim se explicam ganância,
Mentira, inveja, maldade
E outras fraquezas da vida...
Maria João
Abraço grande, Poeta!
Bad na ponte.
ResponderEliminarHá milénios que não vou à Ponte... hoje é dia de tratamento e estou com imensa pressa, mas vou tentar lá ir!
EliminarODE ao VENTO
ResponderEliminarÀs vezes penso comigo
Que, quando a hora morta,
O vento me bate à porta
E abala a assobiar
Ele, afinal, é um amigo
A pedir para entrar.
Mas eu deixo-o ir sozinho
P´la noite, à chuva e ao frio
E mesmo assim o vento
Move a vela do moinho
E o barco que sobe o rio
Sem um queixume ou lamento…
O vento, assim solitário
Com um pouco mais de amizade,
Com menos ingratidão,
Seria mais solidário,
Moderava a velocidade
E nunca era tufão.
Eduardo
Gosto muito, meu amigo Eduardo! Gosto muito das suas sextilhas, não desta tempestade que me faz temer pelas minhas pobres marquises, claro...
Eliminar... seria a penas a brisa
Que, no Verão, nos traz frescura
E que as tardes suaviza
Quando sopra com brandura...
Peço desculpa por não continuar mas , ultimamente, adormeço muito cedo... e em qualquer lugar...
O meu abraço fraterno para si e Maria dos Anjos!
Sextilhas às pequeninas bonanças
EliminarFustiga, a chuva, as vidraças,
Sopra, o vento, em assobio
Curvando arbustos e gentes...
Eu, que enfrento as ameaças,
Que pr`áqui morro de frio,
Só faço é bater os dentes...
Passa a tempestade e ficam
As marquises no seu posto
Pois souberam resistir...
Estas coisas significam
Que não tive outro desgosto
E, agora, estou a sorrir...
No coração da "batalha",
Mais temporais, ventanias
E outras mil atrocidades
Vão qu`rendo abrir uma falha
Nestas poucas alegrias
De ir vencendo umas "maldades"...
Maria João
Não dei continuidade à quadra de ontem, mas "alinhavei" umas sextilhas apressadas, amigo Eduardo! O meu abraço!
Chá emocional.
ResponderEliminarVou ter de bebê-lo a correr, a correr...
Eliminar“Humanoides”
ResponderEliminarSendo grão de poeira
Duma existência finita
Descobriremos maneira
De ter vida mais bonita
Existência mais criativa
Do que esta vil ganância
Ou ficaremos à deriva
Na nossa primeira infância
Será um tempo perdido
Processo sem evolução
Espelho duma realidade
Antes não tivesse existido
Fosse um filme de ficção
A imagem da humanidade.
Humanos de carne e osso...
EliminarA Ficção terá razões
Que ela própria desconhece
Quando faz antevisões
Do que, mais tarde, acontece...
Mas deixemos a ficção
Pr`a pisar o chão real
Onde cada cidadão
É parte de Portugal
E como tal deve agir,
Como tal, deve esforçar-se
Pr`a não deitar a perder
Aquilo que conseguir...
E, se for preciso, armar-se!
Para o que der e vier!
M. João
Abraço grande, Poeta!
Paxti na ponte.
ResponderEliminarPaxti? Vou ver, Poeta!
EliminarChá à vista.
ResponderEliminarVou ver se o vejo, Poeta! "Acima, acima, gageiro/Acima, ao tope real!/Vê se vês terras de Espanha, areias de Portugal!"
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