SONETO A UM FADO VINDO DA CASA AO LADO
(Em decassílabo heróico)
Eu quero-te abraçar na voz cantante
De um soneto qualquer desmoronado
Em pavimento alheio, à hora errante
De um tropeçar que é sempre inusitado
E, depois, confessar, já confiante,
Que, às vezes, também sei cantar-te em fado,
Desses menos banais, mas “navegante”,
Dos que andam pelo mar, no mar criado…
No beijo que te dou, canção distante,
Acidental, mas firme em teu traçado,
Direi, agora, ser desconcertante
A palavra a brotar do som escutado
Que se me veio impor no justo instante
Em que te ouvi trinar, na casa ao lado
Maria João Brito de Sousa – 07.02.2014 – 18.21h
Ááááááááá´´a Fadista
ResponderEliminarfeliz dia
Eheheheh... é um poema que já tem uns tempinhos, Anjo... eu é que tenho estado sem tempo nem condições para actualizar todos os blogs... mas foi um fado que vinha da casa de uma vizinha e, por mero acaso, acabou por dar origem a uma sequência de palavras que acabaram por se transformar num soneto...
EliminarFeliz semana!
Chá maior.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Partir e ficar”
ResponderEliminarSolução é emigrar
Avisou o presidente
Pois para quem ficar
Nada irá ser diferente
Austeridade vai marcar
Um futuro deprimente
Não é preciso adivinhar
Próximos anos da gente
Este é o preço a pagar
Por se querer o paraíso
Deste tempo pós-moderno
Nada haveria a lamentar
Se tivesse havido juízo
Assim comprou-se o inferno.
Prof Eta
Tanto mar na ponte.
ResponderEliminarGosto do "Tanto Mar...", Poeta! Vou lá ouvi-lo, de fugida porque... nem queira saber como eu tenho tudo, hoje...
EliminarChá válido.
ResponderEliminarO Chá pode estar; eu é que não estou mesmo nada válida... mas, hoje, foi um dia para esquecer... dia de hospital com muitas, muitas confusões pelo meio...
EliminarMEMORIAL da TAL SAÍDA
ResponderEliminarÉ BOM NÃO ESQUECER
A mãezinha alemã
Apoia de antemão
E o filhinho da mamã
Agradece tal acção!
Muitos anos já lá vão,
De bigodinho à galã,
Um ditador alemão,
Adiou nosso amanhã.
Sempre a História se repete…
Nessa altura e em seu nome
O tal ditador promete
A um outro que aqui reinava
Livrar-nos da guerra e fome
E à fome, quase nos matava.
Eduardo
“Rosa negra”
ResponderEliminarVêm de negro pintados
Os dias sem esperança
Mas serão ultrapassados
E não será por vingança
Será porque certamente
Não foi escrita a verdade
E dum amanhã diferente
Se vestirá a realidade
O que nos querem impôr
Depressa será passado
Sem história p’ra contar
E tudo nos leva a supôr
Que o futuro encontrado
Este presente irá superar.
Chá renascido.
ResponderEliminarVou ver o Chá, Poeta, mas sou capaz de não conseguir ver ou responder a mais nada... ontem, depois de vir do laboratório, fui" à cama"... e ainda por lá estaria, se pudesse... aquela ida ao hospital deixo-me de rastos e amanhã tenho outra consulta de hipo-coagulação...
EliminarParabéns! O teu blog já fez 6 anos.
ResponderEliminarBeijos
Obrigada, Azor!
EliminarEstá a ficar velhote, eheheh...
a bruma
ResponderEliminara bruma ossiforme que me invade
dilacera o que de vivo há em mim
e fico adornada quase em fim
de nada importa o que então me há de
estou farta fria triste em mortandade
prefiro isolar-me um tanto sim
não posso com o frio de cetim
que me sustenta tudo pela metade.
metade de mim é uma loucura
a outra invólucro de amargura
por tanto que já fiz e sem visão.
a noite é a bruma apetecida
enquanto a noite me faz adormecida
não vejo nem sinto a desilusão.
RS
Nota: o que achares mal podes corrigir? Obrigada
Olá, Azoriana!
EliminarHá séculos que te não encontrava por aqui, mas não me esqueci de ti!
Gostaria que me não pedisses para corrigir nada... sabes, eu considero muito o trabalho de cada poeta e considero-me uma péssima "professora", rsrsrs... sou uma daquelas pessoas que aprenderam muito cedo a lidar com o trabalho dos outros e, por esta altura, vai-me sendo difícil mudar-lhe seja o que for... mas posso tentar escandir o teu poema;
A-BRU-MAO-SSI-FOR-ME-QUE-MEIN-VA-DE
Este verso tem nove sílabas métricas, sendo que as acentuações tónicas predominantes se encontram na quinta e nona sílabas métricas.
DI-LA-CE-RA-O-QUE-DE-VI-VO-HÁ-EM-MIM
Este, tem doze sílabas métricas, com acentuação predominantes nas terceira,sétima e décima segunda.
E-FI-COA-DOR-NA-DA-QUA-SEEM-FIM
Este tem nove s.m., predominantemente acentuadas na quinta e nona.
DE-NA-DAIM-POR-TAO-QUEN-TÃO-ME-HÁ-DE
Neste a acentuação tónica na segunda sílaba, é suficientemente importante para a considerar,sétma e nona e última.
Não continuo a escandir, já, porque não estou muito segura de ser isto o que te interessava e porque este teu pedido me chegou numa altura em que estou um pouco pior do que o habitual e, ontem, nem sequer vim ao computador. Tenho a caixa de correio completamente inundada de mensagens, embora já tenha excluído umas largas dezenas... mas ainda nem sequer fui ao Facebook e garanto-te que nem sequer sei se o conseguirei fazer... eu bem quereria responder a todos os amigos que publicam no meu mural mas, neste estado e com consulta de hipo-coagulação amanhã, não sei mesmo se o conseguirei...
Um grande, grande abraço para ti, Azor!
Não há pressa amiga. Vê só se aprendi a lição:
Eliminara bruma
a bruma ossiforme que me invade
que dilacera o que vive em mim
e fico adornada quase em fim
de nada importa o que então me há de.
da farta e ferida mortandade
prefiro isolar-me um tanto sim
e tremo com tal véu de cetim
que me ostenta tudo p'la metade.
metade de mim é vã loucura
outra é olvidável amargura
do tanto que já fiz sem visão.
a noite é a bruma apetecida
a noite me faz adormecida
assim p'ra me afastar da ilusão.
RS
E muito obrigada pela tua ajuda e elogio o teu talento mesmo sob os precalços do dia-a-dia.
Beijinhos
O meu talento, agora, com tantas maleitas e solicitações externas, resolveu ir de férias, eheheh... mas é assim mesmo, embora eu já comece a estranhar ainda não me ter voltado a "maré dos sonetos"...
EliminarO soneto clássico, Azor, é decassilábico e pode ser em verso heróico - os que eu escrevo - ou em verso sáfico. Também gosto muito do soneto em verso eneassilábico! Acho que tem um ritmo muito combativo que me vai permitindo uma melodia ainda mais cadenciada do que o decassilábico. Mas não se fica por aqui pois o grande segredo do soneto está na sua "pulsação"! Por isso é que é tão importante que as sílabas tónicas fluam de forma a colocar-se na sexta e décima sílabas métricas, no caso do decassilábico. Por isso é que se chama "soneto" que, em italiano, significa "cançãozinha".
Mudando - completamente! - de assunto, nem imaginas o que tenho estado a passar para conseguir umas provas de função respiratória que me foram pedidas no centro de saúde! O único laboratório que tem convenção com o SNS, tem o número inacessível desde manhã! Contactei já uma quantidade de clínicas, mas nenhuma tem acordo com a ARS...
Beijinhos!
“Época de caça”
ResponderEliminarDeixá-los papaguear
Já que papagaios são
Pois para governar
Não têm sequer noção
O discurso decoraram
Têm umas lindas plumas
No poleiro estacionaram
Mas sem ideias nenhumas
Aguarda a oportunidade
Para acabar com a raça
Que encetou a matança
Enquanto houver liberdade
E assim que abrir a caça
Reconquistemos a esperança.
Prof Eta
“Pobres assim”
ResponderEliminarDentro de uma pedra de sal
Ao lado de um grão de areia
Nasce o sonho de Portugal
Ao som do cante da sereia
Pela música transportados
Somos mais do que a soma
Das partes de simples fados
E quem por pobres nos toma
Não conhece toda a riqueza
Dum povo cheio de garra
Num país de rara beleza
Que um dia soltou amarra
E faz vibrar com destreza
As cordas duma guitarra.
Pobre, assim, eu, que cada vez levo mais tempo a fazer progressivamente menos...
EliminarAs cordas de uma guitarra,
Como os dedos de um poeta,
Têm, na graça e na "garra",
Bem mais luz que o meu cometa,
Mas, cada coisa a seu tempo
Que o momento a todos pede
Muito mais que esse lamento
E do que um verso concede!
Eu, se não posso ir à rua
E não sei sequer compor,
Meto a musa na falua
E, seja lá como for,
Faço-me ao mar de alma nua,
Na falta de obra melhor...
Maria João
Estou a dormir em pé, mas ainda saiu este, Poeta... porque cada vez me sinto mais "pobre" em utilidade física e mobilidade... não há maneira de me conseguir habituar a fazer tudo em câmara lenta...
Abraço grande!
Cheek a ponte.
ResponderEliminarChá real.
ResponderEliminarVou ver esse Chá, Poeta!
Eliminar“Contribuinte”
ResponderEliminarQue diabo de negócio
Haveríamos d’arranjar
Uns dedicados ao ócio
Outros ocupados a roubar
Nós tristes contribuintes
Tudo temos que financiar
Acabaremos com pedintes
Mas antes temos que dar
Todo o cabelo e coiro
Ao cofre da nossa finança
E depois toca a marchar
Ficarão com o tesoiro
Poderão encher a pança
Sem ter que nos aturar.
Prof Eta
Eu, abaixo do nível mínimo do contribuinte...
EliminarEu, que nada posso dar
Pr`além daquilo que escrevo
Vou teimando em apostar
Que já paguei quanto devo...
Mesmo assim, devo dizer,
Há-de haver quem nunca entenda
Que, às vezes, basta escrever
Pr`a ter direito à merenda
Quando surge impedimento
Pr`a trabalhos mais "visíveis"...
Mas surgiu! Quanto lamento
Passar tempos tão temíveis
Sem poder prover sustento,
Mesmo fazendo impossíveis...
Maria João Brito de Sousa
Poeta, peço desculpa mas, para além de não estar muito bem - sei que a conversa é a do costume, mas... - estou também num momento de profundo cansaço intelectual, o que já não é muito comum em mim... ainda por cima estive todo o dia de ontem sem acesso à net... e, agora, volta e meia, vou mesmo "à cama" durante umas horitas... não é "preguiça", acredite! É mesmo pura exaustão!
Abraço grande!
Solo na ponte.
ResponderEliminar“Au pays du soleil”
ResponderEliminarJe voudrais bien vous dire
Quelque chose sans pleurer
J’aimerait vous faire rire
C’est ça que je vais essayer
Je connaisse un petit pays
Au sud du vieux continent
Ils on etait un jour soumis
Sur le joug des marchands
Très riches ils sont devenue
Sans avoir aucune richesse
Et ils pleurent maintenant
Pour payer ils resteron nu
Ils on le soleil que os aquece
Très chauds ils seront demain.
Chá de mentiras.
ResponderEliminar... estou um pouco perdida nos comentários, Poeta, mas vou ver esse Chá...
Eliminar“Saída suja”
ResponderEliminarO presente envenenado
Vem no fim do resgate
Como um juro rebaixado
Preparados para o abate
Especuladores sem receio
Logo o juro farão subir
Ficarão de papo cheio
Enquanto nós a ganir
Limpa será esta saída
Onde apostam os sabujos
Que dela podem aproveitar
Limpeza já foi decidida
Nós sairemos todos sujos
Sem nos podermos limpar.
Prof Eta
Sujidade essencial...
EliminarSujo mais sujo não há,
Mas tem de haver solução!
Se não for "boa nem má",
Mais se "encarde" esta União
Europeia, que nós dá
Mais e mais a sensação
De não pertencermos "lá",
De ela ter outra... "função"...
Mais ou menos conspurcados,
Há que ir tentando a saída
Ou estamos... "colonizados"!
Poeta, que triste vida!
Somos "moços de recados"
De uma Europa mal f****a...
Maria João
Poeta, não é meu hábito sugerir palavrões... mas...
Peço desculpa por não ter vindo até cá, mas a ligação à net foi-me inviabilizada.
Provavelmente levarei o dia inteiro a tentar responder à décima parte do que ainda tenho na caixa do correio...
Abraço grande!
Pablo Neruda na ponte.
ResponderEliminar“The show must go on”
ResponderEliminarVem aí outro Abril que alegria
Ou estaremos apenas a sonhar
... esse Abril diferente seria
Se ao menos quiséssemos voar
Mas os corpos estão ausentes
As vidas foram abandonadas
Não surgem ideias diferentes
As mentes estão controladas
Mas o show tem que continuar
No palco da mera virtualidade
Em que abris se seguirão
Apenas e só para perpetuar
Imagem vazia da realidade
Com ausência de revolução.
Chá explicou.
ResponderEliminarMuito agradeço a explicação do Chá que irei ver em seguida... mas estou noutro daqueles "dias de pressa"... uma pressa aliada a um montão de dificuldades de toda a ordem... amanhã é outro dia de hospital, Poeta...
EliminarSophia na ponte.
ResponderEliminarEstou sem som, Poeta... não faço ideia de qual seja a causa, mas estou mesmo sem som...
Eliminar“Fecundados”
ResponderEliminarUm espelho quebrado
Traz sete anos de azar
Enquanto o povo roubado
São vinte anos a penar
Foi ministro quem o diz
Que a via agora é estreita
Quando governou não quis
Aplicar melhor receita
Somos um povo azarado
Sem responsável conhecido
Por este estado da nação
Como um filho abandonado
Ou de pai desconhecido
Só se conhece a fecundação.
Prof Eta
Chá eléctrico.
ResponderEliminar... pois é, Poeta; têm-me "escapado" muitas coisas, para além das respostas aos sonetilhos e das publicações da Ponte Virtual que, neste momento, nem sequer visito porque houve um player qualquer que deixou de funcionar... este Chá, por exemplo... penso que ainda o não vi...
Eliminar“Mundo sem abrigo”
ResponderEliminarO melhor do ser humano
É difícil de encontrar
Mas o pior ou me engano
Nem é preciso procurar
Está por cumprir o pão
Por cumprir a igualdade
Todos têm uma razão
P’ra não dobrar a vontade
Contentor é refeição
Assim se está a cumprir
Este mundo sem abrigo
Cumpre-se a desilusão
Deste mundo a evoluir
Além fronteiras do perigo.
Chá reina.
ResponderEliminarVou ver o Chá, Poeta! Ontem, para além da ida ao hospital, estive sem acesso.
EliminarAbraço gde!