SONETO A UMA LONGA, FRIA, FEIA E ESCURA TARDE DE CHUVA - Alegoria... e não só.
SONETO A UMA LONGA, FRIA, FEIA E ESCURA
PREMONIÇÃO DE INVERNO
*
Pr`a quê cantar a jovem Primavera
Que nos não traga, acesa, a claridade
Que emite, lá no alto, a rubra esfera
Assim que se ergue e brilha em liberdade?
*
De que terá servido a longa espera
Se a chuva nos roubar, pela metade,
Um céu que esconde um sol que mal tempera
Um dia que nasceu sem qualidade?
*
E, sob intensa chuva, a tarde fria
De que hoje vou falar, nem sei porquê,
Faz crer que o próprio verso se arrepia
*
Se, na estrofe final, disser que crê
Que mais depressa brilha um novo dia
Pra quem, no que se vai, tanto mal vê...
*
Maria João Brito de Sousa – 27.03.2014 – 17.37h
“O animal”
ResponderEliminarJá não existe oposição
Quem ordena é o capital
Mas transmite a impressão
De que tudo é normal
Lançando a divergência
Mas apenas mascarada
Controla com consistência
O rumo desta manada
Lança muita confusão
Mas descobre a verdade
Debate-a até à exaustão
Na rádio e televisão
Disseca esta realidade
Para gáudio do povão.
Prof Eta
ANIMAL PENSANTE E "SENTIDOR" - O/A Poeta
EliminarReparei! Mas, na verdade,
Penso que há opositores!
Há quem, mantendo a vontade,
Vá "ao focinho" aos "senhores"!
Mesmo aqui, quem nos "invade"
Crendo ser "controladores",
Descobre que a LIBERDADE
Se escreve em letras maiores...
Nada disso me "escapou"
Muito embora aqui "andando"
Com "ar" de quem não captou,
De quem faz por ir falando
E, ao pensar que bem falou,
Já não cuida de ir pensando...
Maria João
Aqui vai, Poeta. Nada de novo, pode crer! Essa foi uma das primeiras "jogadas inimigas" que eu previ, anos atrás, desde a minha "estreia" online. Mas, o meu campo - ou praia - é mesmo a poesia, não estou em condições de me mover de outras formas e não acredito que sejamos todos tão estúpidos quanto isso... há, mesmo aqui, "bolsas" de resistência, como sempre houve quando a humanidade foi levada aos seus limites.
Quanto a mim, desde o início que me predispus a escrever porque sei que o faço bem e que, tarde ou cedo, como sempre aconteceu, aquilo que um poeta escreve encontra eco em alguém...
Abraço grande!
A DESILUSÃO DOS CRAVOS
ResponderEliminarQuatro décadas passaram.
Da pseudo-revolução,
Só resta a desilusão,
Os rubros cravos murcharam.
Os que tanto a desejaram,
Outra igual não quererão…
Ingénuos, acreditaram,
Ri-se deles a vil traição.
Mas virão os netos e netas
De regresso a Portugal,
Farão outra, sem poetas
Sem capitães e sem cravos
Sem garras do capital,
Sem amos e sem escravos.
Eduardo
EM NOME DOS POETAS E DOS CRAVOS
EliminarPoeta também tem "garra"
Pois, se um poema acontece,
Todo o bom poeta escarra
Sobre alguém que bem merece!
No meio desta algazarra
Das paixões que bem conhece,
Há sempre alguém que se agarra,
Que diz NÃO!, que não perece,
E quando os netos voltarem,
Quando as massas acordarem,
Quando a revolta surgir
Tudo quanto, então, sonharem
Lhes virá daquel`s que ousarem,
Pelos cravos, resistir!
Maria João
Obrigada, amigo Eduardo! Está excelente, como sempre, o seu sonetilho mas, como sabe, os poetas sempre estiveram presentes nas revoluções e eu empunho o cravo em nome da beleza sem precedentes que foi a revolução de Abril.
Que houve erros, sem dúvida! Que a burguesia soube salvaguardar os seus interesses e manter-se firme para destruir e tentar apagar, no 25 de Novembro, o verdadeiro espírito de Abril, também não duvido! Mas ainda acredito - e morrerei a acreditar! - na construção do Socialismo enquanto via para o Comunismo! Por isso aqui deixo este sonetilho feito à pressa que, apesar de tudo, empunha um cravo bem vermelho!
Abraço grande para si e Maria dos Anjos!
A BALADA DA VERGONHA
ResponderEliminarQuando um palhaço diz
Que o que foi dito, não era
Logo outro o desdiz
E confirma o que ele dissera.
A confusão que se gera
Neste diz e contradiz
Diz-nos que este País,
Não é país… é quimera.
«e uma infinita tristeza,
Uma funda turbação,
Entra em mim, fica em mim presa
Cai neve na natureza
E cai no meu coração,»
Vergonha desta pobreza.
Eduardo
Balada do amadurecimento político
EliminarTambém no meu cairá
Tal tristeza e turbação
Se o governo diz que dá
E, a seguir, mostra que não...
Porque a "governança" má
Entra em tal contradição,
Só sei que um dia será!
Vamos ter revolução!
O pior é, meu amigo,
Se nos vencem por cansaço
Antes que um "porto de abrigo"
Possa erguer seu forte braço
Pr´a lembrar que o inimigo
Tece um mortífero laço...
Maria João
Aqui vai, amigo Eduardo, com outro grande abraço e mostrando algumas dúvidas naturais do processo de amadurecimento generalizado. Não serão exclusivamente minhas, as dúvidas aqui expressas, lembro!
“Danças prostituídas”
ResponderEliminarOs mortos podem dançar
Uma dança sem sentido
Para os vivos saciar
Neste mundo já perdido
Entre lixeiras d’esperança
Onde buscam o sustento
Mostrando a sua dança
Prostituindo o desalento
Entre o viver e o morrer
Encontram o seu lugar
Porque a alma foi vendida
Pode não querer-se ver
Mas há muito neste lugar
A dignidade foi prostituída.
https://www.youtube.com/watch?v=S1J6TFHCevg
Não posso ouvir, Poeta, mas posso ver o vídeo...
Eliminar... sendo assim, que nos propõe;
Suicídio colectivo?
Chorar, como pressupõe,
A dor de estar-se cativo?
Remeter-nos, como tantos,
Ao silêncio compulsivo
De quem, perdidos os mantos,
Já duvida de estar vivo,
Ou lutar, cada vez mais,
Opor viva resistência
Sem descansar um segundo,
Pr`a criar mundos iguais
Face à velha incoerência
De haver dois mundos no mundo?
Maria João
Aqui vai Poeta, com outro abraço!
Chá nada.
ResponderEliminarEu é que não vou fazer quase nada por aqui, hoje, Poeta... é dia de lavar a cabeça - faço-o duas vezes por semana - e isso, para mim, é uma "empreitada". Não que eu seja seja preguiçosa. Não tem nada a ver! Tornou-se difícil e demoradíssimo nas actuais circunstâncias físicas. Além do mais, andei por aqui demasiado tempo, ontem, e hoje a casa está "de pantanas", tal como a ligação... mas vou ver este Chá-coisa-nenhuma...
Eliminar“Mundo novo”
ResponderEliminarNós somos economia
Correm nas veias acções
Variamos no dia a dia
Em função das cotações
É este o mundo novo
Fruto doutras concepções
Desprezando todo o povo
Acarinhando os cifrões
Deus dinheiro adorado
O espírito desprezou
Por isso foi crucificado
Mas quando ressuscitou
Voltou logo ao mercado
Que de novo o aclamou.
Admiravelmente sintetizado, o seu sonetilho, Poeta!
EliminarABOMINÁVEL MUNDO NOVO
Esse mundo em que o dinheiro
Reinará sobre os humanos,
Sendo injusto, é des-inteiro,
Mas já vai causando danos;
Antropomorficamente
Se analisam seus mercados
Numa dança permanente
Entre "bolsa" e resultados
Mas, ficando enlouquecidos
Os valores do capital,
Que é cada vez mais instável,
Ficam os valor`s perdidos,
Sem distinguir bem, nem mal,
Nesse mundo abominável!
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço grande do costume!
Chá sem clientela.
ResponderEliminarEheheheheh... é a crise, Poeta... mas vou eu até lá!
EliminarChá imprevisível.
ResponderEliminarTal qual os meus sonetos... também eles são muitíssimo imprevisíveis...
EliminarVou vê-lo, Poeta!
Chá explica.
ResponderEliminarVou tentar conhecer essa explicação, Poeta!
Eliminar“Das leis...”
ResponderEliminarDa lei da morte
Com alguma sorte
Da lei da vida
Não está decidida
Da lei da humanidade
Será a fraternidade
Das leis mesquinhas
Não são as minhas
Da lei dos poderes
Tens teus saberes
Da lei do universo
Onde tudo é reverso
Da lei derradeira
Que é a primeira.
Tantas leis...
EliminarPosso ver as chicotadas
Impressas nas leis mais duras
Ou pressenti-as, caladas,
Mas, passadas, não futuras
E sei que há vidas marcadas
De mil formas, muito duras,
Que, quando são partilhadas,
Vão ficando menos duras...
Da leis que agora comandam
A barca em que navegamos,
Sei dizer que nunca abrandam
Quando em nada acreditamos
E, se for pr`a servir amos,
Bem melhor é que as partamos!
Maria João
Aqui vai, com o abraço do costume, Poeta!
Mortos podem dançar na ponte.
ResponderEliminarEstou sem som no Youtube - e só no Youtube -, Poeta!
Eliminar“Social virtual”
ResponderEliminarA próxima geração
Derrubará o seu muro
Sem qualquer formatação
Construirá um futuro
Já agora uma nação
Que pode ser virtual
Já agora com coração
A pulsar na rede social
Devemos ver além de ver
Devemos saber perder
Toda a nossa sabedoria
Obsoleta será um dia
Dar o lugar e ficando
E ajudar participando.
Prof Eta
EliminarSem sombra de "inspiração",
Vou tentando responder;
Penso que, à revolução,
Ninguém a pode prever
Com a grande exactidão
Do que, aqui, está a dizer,
Porque o futuro na mão
Nunca ninguém pode ter...
Vou, porém, tendo atenção.
Tudo tento perceber,
Bem sabendo, de antemão,
Que é melhor tentar saber
Através de previsão
Que não venha do poder...
Maria João
Cá vai com o abraço forte do costume, Poeta!
Chá ficou.
ResponderEliminarVou ver esse Ch+a, Poeta!
Eliminar“Mea culpa”
ResponderEliminarTodos temos a culpa
Ninguém se pode alhear
De pouco serve a desculpa
Depois de vermos matar
Deve fazer-se p’la vida
Entregando-lhe dignidade
Mas de forma decidida
E com amor à verdade
Transformar o que é imundo
Tem que ser a nossa visão
Mas só sentido bem fundo
As chagas de um irmão
Poderemos mudar o mundo
Embora digam que não.
Embora digam que não,
EliminarVai o mundo, dia a dia,
Criando a contradição
Que suporta esta agonia
E, por isso, a solução
Só estará na sintonia
Que leva à revolução
Contra a surda tirania,
Contra o grande capital,
Contra o regime burguês,
Contra o que seja imp`rial
Que já tanto mal nos fez
E que sempre "usou" tão mal
Tudo quanto é português!
Maria João
DEFINITIVAS, NÃO!... DURADOIRAS.
ResponderEliminarSe uma cabeleira é loira,
Graças a tinta furtiva,
Não tem cor definitiva,
Mas a cor é duradoira…
Pincelada consecutiva
Que a branca melena aloira,
Feita, sempre, de seguida
Quantas mais vezes mais doira.
Assim fazem uns doutores,
Sempre da mesma maneira
Pintam cores sobre cores,
Gastam tinta com fartura
P´ra disfarçar a cabeleira,
Mas borram sempre a pintura.
Eduardo
Minha pobre cabeleira
EliminarJá grisalha vai ficando
Mas, enquanto eu for durando,
Vai ficar desta maneira!
Muitas vezes, faço asneira,
E, em vez de a ir colorando,
Dá-me a "fúria" de ir cortando
Pois dá-me enorme canseira...
Poeta é sempre poeta
E pintor, sempre pintor,
Mesmo que a "coisa" prometa,
Não tem nada, esse doutor,
Que tentar traçar a meta
Neste universo da cor...
Maria João
Muito obrigada, amigo Eduardo! Estou em péssimas condições - tenho um dos meus amigos peludos muito mal - e nunca pensei poder responder-lhe hoje... mas aconteceu assim e isto foi o que me saiu logo a seguir.
Um forte abraço para si e Maria dos Anjos!
“Poesia em cacos”
ResponderEliminarIdeias amordaçadas
Como presas em rede
Letras são atiradas
Como barro à parede
Sílabas amaldiçoadas
Parece uma contradição
Palavras escaqueiradas
Confirmam a maldição
Estrofes estão coladas
Mas até parece que não
Tantos são os buracos
Ao longo destas estradas
Merece um buzinão
Esta poesia em cacos.
Super Cola 3
EliminarNunca creio em maldições
E sempre arranjo maneira
De encontrar boas razões
Para não fazer asneira
Por outro lado, acredito,
Todos podem melhorar
E tornar bem mais bonito
Aquilo que irão expressar...
Eu deixo a estrofe ir fluindo
Se lhe sinto o tal compasso
Que o poema deve dar,
Mas faço o que estou sentindo,
Como quem estende o seu braço
Aos versos que irá traçar...
Maria João
Cá vão um pouco de super cola 3 e o abraço do costume, Poeta!
Ajuda de chá.
ResponderEliminarVou vê-la, Poeta, vou vê-la!
EliminarChá dos mundos.
ResponderEliminarVou tentar ir vê-lo, Poeta! Também eu tenho um pequenino mundo pessoal, como toda a gente, muito embora o secundarize sempre em prol de tudo o que nos é comum... e sinto que ele me desaba, neste momento...
Eliminar“Morrer”
ResponderEliminarEm Grândola fui nascido
Grândola em mim nasceu
Um dia algo foi parido
Mas logo o ideal morreu
Assassinos da esperança
Na lapela colocam cravos
Gozam dessa boa herança
Fazem de nós todos parvos
Triste a sina da fraternidade
Há sombra duma azinheira
Ainda acabada de nascer
Mas logo ali na cidade
Veria a herdeira liberdade
Marcada com o ferro, morrer.
Prof Eta
Não há asco que não venha
EliminarEncher-me de pura azia
Quando essa gente, com manha,
Finge ter muita alegria
Quando, empunhando essa flor,
Dizem que tudo farão,
Prometem seja o que for
E, depois, mostram quem são!
Mas Liberdade não morre
Nem nossos cravos murcharam
Ou todos terão esquecido
Pr`a onde este país corre
Pelas mãos dos que algemaram
Um cravo... nunca vencido!
Maria João
Aí vai, com o abraço do costume, Poeta!
Um chá.
ResponderEliminar... agora só tenho comigo uma pomba que não sabe voar e um gato muito velhinho que bebe chá...
Eliminar“Vergonha mínima nacional”
ResponderEliminarÉ mínimo o salário
E a vergonha também
Desvaloriza o operário
É tratado com desdém
Mas será valorizado
Em período eleitoral
Será muito comentado
Tanto que até cheira mal
Mas passada a eleição
Será de novo esquecido
Por todos os vencedores
Apenas a oposição
Que por não ter vencido
Diz amar os eleitores.
Prof Eta
ENTRADAS E SAÍDAS SUJAS
ResponderEliminarNão limpa os pés, à chegada
E, depois, arrependida
Logo os limpa à saída
P´ra se sentir compensada
Fica a casa conspurcada
Por ela ser distraída,
De nada serve a medida
Que tomou, mas atrasada.
Se foi suja aquela entrada
Não foi mais limpa a saída
Pois foi saída aldrabada.
P´ra saída desejada
Agora, muito se impa
No asseio, à vassourada.
Eduardo
Chá da paz.
ResponderEliminarHaja paz! Entre hospital, dores extra e "mortes súbitas" do computador, só agora consigo passar por aqui, Poeta...
EliminarChá sem relógio.
ResponderEliminar... e eu quase sem computador! Apaga-se a toda a hora... mas vou tentar ir ver o Chá!
Eliminar“Degradação da revolução”
ResponderEliminarO país é dos mandantes
Fixem bem os mandados
Não apareçam pedantes
Nem sequer os soldados
São cerimónias pujantes
Com cravos engalanados
Momentos estruturantes
Destes povos enganados
P’ra que aprendam a lição
Do parlamento emanada
Podem ver na televisão
Qu’emite p’rá carneirada
Momentos de reflexão
Duma revolução que é nada.
Prof Eta
Revolução. Ponto.
EliminarSe o país - que é dos "mandantes"-
For tal qual como o sabemos,
Fica igual "ao que era dantes"...
Tal é o país que temos!
Das medidas degradantes
À submissão dos "supremos",
Gira a roda dos tratantes
Por muito que nós gritemos...
Bem mais difícil será
Ver o povo revoltado
Quando a confusão nos dá
Tão gritante resultado...
Mas eu sei que brotará;
Esteja o povo organizado!
Maria João
Com um abraço grande, Poeta!