SONETO DE RÉDEA CURTA


 


(Em decassílabo heróico)


 


 


Sussurro ensimesmado, entristecido,


Ou grito enraivecido e revoltado,


Cada poema emite, ao ser traçado,


Um som que, antes de escrito, é sempre ouvido


 


E, se o poeta o prende, é desmentido,


Tudo o que quis dizer lhe foi roubado


Ao negar-lhe as razões pr`a ser cantado


Que o fizeram nascer livre e sentido.


 


Se afirmo o que afirmei, digo a verdade


Que poderão tomar por má vontade


Contra quem me sugira mote e tema,


 


Porém só sei escrevê-lo em liberdade


E juro que não faço essa maldade


De dar tão curta rédea ao meu poema!


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 13.02.2014 – 19.30h


 


 


IMAGEM - Amadeo de Souza-Cardoso, Os Cavalos do Sultão

Comentários

  1. Respostas
    1. ... o chá já deve estar frio e bem frio, de tão atrasada que eu chego... mas vou vê-lo, Poeta!

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  2. “Sudação”

    Num corpo aprisionado
    Esta é minha prisão
    Serei um dia libertado
    Por ora faço a gestão

    Do fluido bombeado
    Sua bomba o coração
    Do oxigénio respirado
    Permutador o pulmão

    Pelos rins purificado
    Logo após a combustão
    Sistema é comandado

    Pelo cérebro em função
    Confesso que estou suado
    Para obter refrigeração.

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  3. “A nossa selecção”

    Portugal no coração
    Vai jogando futebol
    Patrocínio da selecção
    Deve ser o Vasenol

    Que cuida e protege
    Os nossos jogadores
    Mas nenhum emerge
    Por causa das dores

    Valeu-nos o Varela
    Esperança não morreu
    Vai ser assassinada

    Um golo de trivela
    É um sonho meu
    P’rá última jornada.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Ligo o famoso canal
      Só pr`a cumprir a promessa,
      Mas pouco vi, afinal,
      E o jogo passou depressa...

      Dos golitos, nem um vi...
      Claro está que tive pena!
      Não sei se muito perdi,
      Ou se foi coisa pequena...

      Dispersou-se-me a atenção
      Neste "liga que desliga"
      A que esta pen me obrigou

      Porque a velha ligação
      Deve ter perdido a "briga"
      E fui eu quem se lixou...

      M. João

      Vai com o meu abraço, Poeta!



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  4. NÃO EMIGRO

    Desisti de emigrar…
    Para onde é que eu hei-de ir?
    P´ra onde quer que me vire,
    Só há noites sem luar.

    P´ra onde acabar por fugir
    Todos me hão-de enganar
    E se me virem chorar
    Todos, de mim, se vão rir.

    Se eu os denunciar,
    Todos me vão desmentir
    E hão-de querer-me subornar…

    Neste astro moribundo,
    Impróprio p´ra residir
    Hiberno, em sono profundo.

    Eduardo

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  5. “Enforcados”

    Está Portugal enforcado
    Não é força d'expressão
    Dizem uns foi ultrajado
    Mas outros dizem que não

    Povo não foi consultado
    Pelos que metem a mão
    Vê o seu país arruinado
    Sem vislumbrar solução

    Mas por neles ter votado
    É cumplice da confusão
    E não é a vez primeira

    Mas ao ver-se confrontado
    Com o fruto da sua votação
    Resolve enforcar a bandeira.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Enforcada e atrasada...

      Peço desculpa por estar
      Num grande "inconseguimento",
      Mas está-me o tempo a faltar,
      Ou sou eu que falto ao tempo...

      Sem tempo pr`a publicar,
      Ou pr`a rever - quando o tento... -
      Ando sempre a tropeçar
      Num computador "mui" lento

      E se o tento desculpar,
      Bem certo é que nada invento
      Nas razões que aqui explanar;

      Dou-lhe o meu consentimento
      Para me mandar calar
      Se isso for do seu contento...


      Maria João



      Abraço grande, Poeta!

      Eliminar
  6. “Stress agudo”

    Direito de expressão
    Penso que se manterá
    Eco em compensação
    O ruído abafará

    Todo ele produzido
    Pelos média banais
    Especialistas em ruído
    Que nunca parece demais

    São os crimes perfeitos
    E também shows reais
    Que oferecem amiúde

    Provocando efeitos
    Agudos e substanciais
    Mesmo ao nível da saúde.

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    Respostas
    1. Sem stress...

      ... mesmo ao nível da saúde,
      Fazem sentir-se os efeitos
      Dos ruídos que, amiúde,
      Vão tentando impor conceitos...

      Eu sei que tenho defeitos,
      Mas também tenho a virtude
      De não confundir direitos
      Com quanto ao direito ilude,

      E é por isso que não ligo,
      Nem ao stress e sucedâneos,
      Nem aos "gostos de fachada"

      Pois, se o faço, contradigo
      Os meus "gostos" consentâneos
      Com causa mais consagrada ...


      Maria João

      Com o meu abraço, Poeta!

      Eliminar
  7. Lindo,lindo,lindo,lindo,lindo,super lindo!! Gostei tambem da imagem que ilustra o poema!! Excelente mês de Julho para ti,muitas alegrias e saúde,fica com deus e muitos beijinhos!!

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    Respostas
    1. Obrigada, Menina!

      Faço sempre por publicar uma imagem que se relacione simbioticamente com o poema... por vezes, por oposição ou contraste, o que não acontece neste específico caso. Quando me faltam imagens das minhas - telas ou fotografias -, recorro ao Google.

      Sou uma daquelas pessoas que defendem que um poema, só por si, deve ser rico em imagens, mas compreendo que este universo dos blogs e redes sociais propicia e solicita a interacção da imagem com a palavra. Nos meus espaços, claro está que imponho as minhas próprias regras, sobretudo porque são criadas a partir de profunda análise e reflexão, mas tenho sempre em conta o espaço em si, o público em geral e aquilo que esse contexto me permite "explorar".

      Obrigada pelas tuas palavras e, mais uma vez, muitas felicidades!

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  8. CANTE DO AVÔ CANTIGAS

    (de acordo com o novo acordo ortográfico)

    OS PORTUGA

    Nada foi bué da fixe
    Pra seleção dos portuga
    Lentos que nem tartaruga
    Olha, agora que se lixe.

    Inda falta os de azeviche
    Do Gana, cheios de ruga
    Que a humidade nos enxuga
    E nos manda ver Peniche…

    É o grito do Ipiranga
    A enxotar-nos dos brasis…
    Vimos outra vez de tanga!

    Sem nenhum trunfo na manga
    E a cartola sem ardis
    Portuga carrega a canga.

    Eduardo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Este pontual acordo com o (des)acordo ortográfico deu, neste caso, um belíssimo fruto, meu amigo Eduardo!

      O meu grato e fraterno abraço!

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