PARTIR SEM TER SONHADO...
(Soneto em decassílabo heróico)
Sou, apesar de bicho, um bicho humano,
Diurno, persistente, ensolarado,
De corpo estoicamente habituado
À dor do desconforto, ao desengano,
Às coisas que me vão causando dano
E às outras que me vão criando enfado,
Mas comigo convivem, lado a lado,
Ao longo do percurso, ano após ano...
Se o digo, é por senti-lo e, sem cuidado,
Dispenso-me sondar se, sendo, agrado,
Se errei por nunca ter traçado um plano,
Mas caia, ou não, tal nódoa em limpo pano,
Não vos direi que estou, sem ter cá estado,
Nem que daqui parti sem ter sonhado!
MariaJoão Brito de Sousa – 19.01.2015 -23.45h
Eu adorei este!
ResponderEliminarMuito grata, Ivete!
EliminarForte abraço!
“Mil razões”
ResponderEliminarMil razões para matar
Nesta vida pequenina
Nenhuma para amar
Por isso a carnificina
Desde tempos ancestrais
Tem sido a nossa sina
Por mais que haja natais
Não podem ser matéria prima
Pr’alimentar a vingança
De almas despudoradas
Numa acção quase frenética
Construiremos a esperança
Com almas inconformadas
Dando uma lição de ética.
Razão
EliminarPôr ética e coração
Lado a lado, a "funcionar",
É sempre a melhor opção
Pr`a quem queira melhorar,
Mas sem bom-senso e razão,
Pr`a que serve protestar?
Há sempre alguém que diz; - Não!
Quando o mundo o quer calar
Porque sabe de antemão
Que a razão tem de ganhar
E, tomada a decisão,
Ninguém consegue "abafar"
A tão clara opinião
De quem começa a pensar...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o forte abraço de sempre!
“Mergulha no silêncio”
ResponderEliminarDeixa falar o silêncio
Deixa o silêncio cantar
Pode bem ser o prenúncio
Que o ruído está a acabar
Viverás uma nova era
Sob a batuta da harmonia
Escuta o silêncio e altera
Toda a louca gritaria
Deixa espaço à cascata
Que se lança da montanha
Sem sequer se questionar
E então na medida exacta
Do silêncio que se entranha
Sentes a nascente a brotar.
Tenho cascatas brotando
EliminarDesde o tempo em que eu sou eu,
E outras mil que vão secando
Já na foz de um sonho meu
Que me demonstra ir bastando
Quanto já me aconteceu
È mais vale ir -me eu gastando
A aceitar quem me perdeu...
Silêncios? Quantos quiser!
Tê-los-ei sempre comigo
Quando assim me acontecer
Um novo-poema-antigo
Dar-me a graça que entender,
Mesmo que ao deixar-me em p`rigo...
M. João
Cá vai, muito à pressa porque a abeça me dói muito, Poeta! Abraço grande!
Soneto lindo!
ResponderEliminarSão versos assim que me inspiram a dizer:
Minha poesia é desordenada,
Mas luto contra o vento de passagem,
Rumando pela vida desenfreada
E tudo isso me alegra em tua imagem.
ADÍLIO BELMONTE
Belém-PARÁ-BRASIL
Grata pela feliz quadra que deixa no vasto património que vai sendo esta exuberante colecção de poemas composta pelos muitos versos que os amigos aqui vão deixando em jeito de comentário, amigo Adílio!
EliminarPouco sei, mas se eu soubesse
Um pouco mais do que sei,
Talvez, da quadra, eu fizesse
Vinho e pão, justiça e lei...
Maria João
Fraterno abraço!
“Artes”
ResponderEliminarPensa no teu irmão
Ajuda-o a conquistar
Aquilo que d’antemão
Gostarias de alcançar
Alcança essa intenção
Mesmo sem perceber
Qual será a razão
Que te faz assim mover
Pois só pl’o acto de dar
Virás um dia a receber
O que não esperarias
Chama-se arte de amar
E só ela faz crescer
Cultiva-a todos os dias.
Arte de expressão espontânea
EliminarIsso deve acontecer
De uma forma natural,
Sem forçar, sem pretender
Que, de forma "oficial",
Seja obrigatório ver
Que o compromisso é total
Pois, se assim não suceder,
Sentir-nos-emos bem mal...
Não venha a necessidade
De cobrar, seja o que for,
Dar à solidariedade,
Da troca, a já gasta cor,
Pois nenhuma ambiguidade,
Nesta Arte, se pode impor...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!
“Olha a solidariedade”
ResponderEliminarA vã solidariedade
Escutada como pregão
Não existe na sociedade
Nem de nação p’ra nação
Existe a necessidade
De humilhar o irmão
P’ra sentir superioridade
Quando superiores não são
Esterco da humanidade
Expoente na humilhação
São incensíveis aos demais
Que vivem em ansiedade
E a todo o custo tentarão
Não ser danos colaterais.
Prof Eta
Solidariedade
EliminarSolidariedade, sim,
Existe e nunca é demais
Porque nasce em ti, em mim
E entre os próprios animais!
Do princípio até ao fim
Dos tempos tradicionais,
Nasce ela, em cada jardim,
Espalhando-se em mil canais...
Já pude testemunhar,
Em tempos que já lá vão,
Um cão tentando salvar
De fundo rio, seu irmão,
Não parando de ladrar
Até vê-lo em terra... e são!
Maria João
Poeta, narrei-lhe um episódio verídico, neste sonetilho. Verídico e testemunhado por mim.
Aqui vai com um abraço grande!
“Não podemos”
ResponderEliminarPodemos não faz sentido
Dispara o poder instalado
Gostaria de vê-lo reprimido
E antes mesmo torturado
Podemos é doido varrido
E não vai a nenhum lado
Dêem-lhe já o comprimido
Antes de ser enjaulado
Para sempre na gaiola
Podemos não mais cantou
No poleiro nos entendemos
Nem que o povo peça esmola
Isso ao poder nunca afectou
Só afectaria o podemos.
Prof Eta
Eu posso e tu poderias...
EliminarC`o as poucas posses que temos,
Só teremos "avarias",
Mas... que avance esse Podemos!
Poeta, fico- me por esta quadrazita... hoje ainda me "desfaço" em rimas, eheheh... e não estou mesmo nada bem.
Abraço!
Chá comparado.
ResponderEliminarVou ver dessas comparações, Poeta!
Eliminar“Estados d’almas”
ResponderEliminarPor cada religião
Deus há que a suporta
Atribuindo a missão
Sua palavra se exorta
Seja portanto cristão
Um fervoroso judeu
Ou professando o islão
Na fronteira um ateu
Que a linha ultrapassou
Seguem os ensinamentos
Legados p’las escrituras
Deus nenhum ordenou
Que se inflijam ferimentos
Só que as almas sejam puras.
É bem verdade, Poeta!
EliminarMesmo querendo responder,
Nem com teclas, ou caneta
Estou a conseguir escrever...
Sala de espera repleta
E eu, de barriga a doer,..
Quanto este hospital me afecta,
Não lho sei nem descrever!
Foram seis tão longas horas
Que, de momento, nem sei
Se enjoei de tais demoras,
Se, da demora, enjoei
Por estar tanto tempo fora
Deste lar que sempre amei...
Maria João
Poeta,desculpe, não vai nada a propósito do seu, mas foi o que me saiu, um pouco à laia de justificação... é que já andava bastante nauseada e, hoje, piorei bastante, embora as análises não tenham revelado alterações hepáticas. Deve ser mesmo essa virose que para aí anda e que dá uns insuportáveis transtornos gastro-intestinais. Tudo isso somado a seis logas horas entre cadeiras duras e filas de espera, deixou-me mais "para lá" do que "para cá", em termos de capacidade de me expressar em verso... e mesmo em prosa, enfim...estou mortinha por me deitar um pouco...
Abraço grande!
“Vale das almas”
ResponderEliminarMerkel bateu com o pé
Seu coração são as tripas
E para mostrar como é
Recusa falar ao Tsipras
É a construcção europeia
À luz duma democracia
Onde a ditadura campeia
Onde a cada novo dia
Ouvimos a verborreia
Duma elite esmagada
Pela morte que semeou
No vale das almas passeia
Mas com a cara tapada
P’ra não ver os que matou.
Prof Eta
As "elites dos dinheiros"
EliminarSó repulsa me merecem!
Bando de trampolineiros
Rondando a teia que tecem,
Puras "bestas", caloteiros,
Plutocratas que empobrecem
Países, povos inteiros
Que na miséria apodrecem!
Estou quase a dormir em pé,
Mas teimo em deixar por cá
O que penso da "ralé",
Dessa gentinha tão má
Que abocanha à falsa fé
E até "pilha" o que não há!
M. João
Ai, Poeta... quando disse que estava "quase a dormir em pé", não exagerei nada, acredite! Mas que isto saiu, saiu...
Outro abraço!
“Pobres de nós”
ResponderEliminarPobreza no parlamento
De novo em discussão
Será um rico momento
Mas pobres é que não são
Restaurante bem fornecido
Com um bar a condizer
Chefe é bem conhecido
Só dá o melhor a beber
No regresso à tardinha
Montados no complemento
Por esforço e dedicação
Dinheiro até me convinha
Mas é necessário ao sustento
Dos deputados da nação.
Prof Eta
Entendo e será verdade
EliminarPara alguns (pr`a todos, não!)
Que seja a realidade
Dos tais da legislação
Por isso, esteja à vontade
Nessa sua opinião...
Diga, então, que é só vaidade
O que engendra a situação
Desse arco da falsidade
(no mais lato, em dimensão...)
Onde impera iniquidade
E legisla a frustração
E onde, se o povo o invade,
Nasce a tal... revolução!
Maria João
Continuo menos bem, Poeta, mas aqui vai com o abraço de sempre!
O ECO
ResponderEliminarSoa a trombeta alemã
E o eco, triunfal,
Ouve-se, alto, em Portugal
E, até, com mais afã.
Por magia, ou talismã,
Ou por amor filial,
Um bebé pouco normal
Tem voz igual à mamã
Já é velha esta tendência
E em eras que já lá vão
Talvez por coincidência
Houve outro filho da mãe
Que imitava um alemão
E era o seu eco, também.
Eduardo
Não me é estranha, a semelhança,
EliminarDos mentor`s da prepotência,
Mas, para alguns, nunca cansa...
Nunca lhes finda a paciência
Pr`ás "cadeiras" onde a dança,
Sem fazer qualquer cedência,
De alguns, sempre enchendo a pança,
Nunca aceitam concorrência...
É, talvez, pura demência...
A visão não mais me alcança,
Ou perdi-lhe a transparência
Ao tornar-me menos... mansa,
Ao perder toda a prudência
E empunhar, de novo, a lança...
Maria João
Aqui vai outro ecozinho, meu amigo Eduardo, saído do fundo da maior das indisposições e náuseas que possa imaginar. Penso que seja uma virose - o médico corroborou - mas o que é certo é que está a demorar-se muito e eu sinto-me francamente mal e com muita dificuldade em estar aqui sentada e concentrada na leitura e na escrita.
Segue com o fraterno abraço de sempre!
“Em nome próprio”
ResponderEliminarHavia uns desprezados
Com o nome de ateus
Ao esquecimento votados
Por todo e qualquer deus
Vetados assim ao culto
Sem acesso às escrituras
Não recebiam indulto
Suas almas eram impuras
Como a de qualquer mortal
Viviam assim revoltados
Sem resposta à questão
Nesta luta desigual
Onde não eram guiados
Em nome de quem matarão?
Impuros... não considero
EliminarQue os ateus o devam ser...
Conheci vários e espero
Que me possam entender
Pois o que afirmo é sincero
E o que desses vou dizer
Não comporta o desespero,
Nem a tristeza de o ser...
Antes bem pelo contrário,
Gente de grande valor
Que ao ministro e ao operário
Julgavam de igual teor
E sentiam necessário
Criar-se um mundo melhor...
Maria João
Ainda muito aflita, mas a esforçar-me muitíssimo por vir até cá, aqui lhe envio o meu sonetilho com o abraço de sempre, Poeta!
“Ser e não ser”
ResponderEliminarSeres são mais valia
P’rá estatística global
Ser humano é arrelia
Para o poder estatal
Seres são rendimento
P’rá máquina fiscal
Ser humano desalento
Um fardo no hospital
Caro o medicamento
Atrapalha a gestão
Neste difícil momento
Ser número é solução
Inscrita no orçamento
Ser humano é que não.
Prof Eta
... mas é mesmo!
EliminarCada humano que trabalhe
Pr`ó lucro indiscriminado
Quando, por doença, falhe,
Logo está posto de lado
E quando, em sorte, lhe calhe
Tratamento prolongado,
É bem certo que se "espalhe";
Fica logo condenado...
Disfunções da maquineta
Do sistema que domina
Permitiram que esta treta
Injusta e mesmo assassina
Seja lei, produto e meta
De um sistema que "se fina"...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço do costume!
PS - Continuo doente (virose) e a ligação continua a falhar "mil vezes por hora"
“Helénicos”
ResponderEliminarO fascismo higiénico
Do mundo do capital
Persegue o povo helénico
Isto pode acabar mal
Garrota as sociedades
Anula as democracias
Promove atrocidades
Impensável nestes dias
Povos não vão aguentar
Toda a imensa pressão
Que aporta este fascismo
E já está a começar
Sob o manto da religião
Alojou-se o terrorismo.
Humanos!
Eliminar"Isto pode acabar mal",
Ou pode, pelo contrário,
Dar em vitória final
Do humano e proletário,,,
Quando a "clivagem" total
Ergue em tom totalitário
O seu estandarte infernal,
Poderá, de modo vário,
A Resistência crescente
Ganhar terreno e vencer
Se uma tragédia iminente
Nos fizer compreender
Que mais nos importa a gente
Do que as máfias do poder!
Maria João
Ai, Poeta, que tenho tudo tão atrasado que é mesmo uma vergonha... nem sequer estou "em dia" com a situação no mundo que, como bem sabe, evolui muito rapidamente... mas ando tão aflita que quaisquer cinco minutos sentada ao computador me deixam de rastos. É uma indisposição física muito grande e muito restritiva de qualquer actividade... até mesmo a escrita...
Aqui vai, muito feito à pressa, mas com o abraço de sempre!