PAPOILA
(Soneto em decassílabo heróico)
Julgaste-a vulnerável e dolente,
Peça de ouro da lei que outro engendrou,
Mas, tempr`ada desse aço que a moldou,
Mostrou-se, afinal, firme e persistente,
Negando, em cada gesto prepotente
Que a escória disfarçada preparou,
A graça de of`recer-lhe o que sobrou
Do tanto que, na cor, se afirma gente...
Se de pedra se assume, embora flor,
A escopro há-de gravar seja o que for,
Que a haste em que subiu sabe o que quer
E exalta-se, insubmissa, em rubra cor
Pr`afirmar que, de si, só colhe amor
Quem na flor respeitar fraga e mulher...
Maria João Brito de Sousa – 05.02.2015 – 14.07h
“Imperfeição”
ResponderEliminarTodo é maior qu’a parte
Por mais poderosa que seja
Mais poderoso é quem reparte
Não apenas porque sobeja
Mas por apelo do coração
Que atinge um novo estado
É imperfeito na perfeição
Perfeito enquanto amado
Mais perfeito Jesus Cristo
Repartiu a própria vida
Porque seu povo o traiu
Depois dele não há registo
Doutra situação parecida
Nem o povo se assumiu.
A perfeição possível
EliminarPor tantos é venerado,
Mas tão poucos saberão
Qual o caminho apontado
Ou qual a grande lição
De quem foi crucificado
Bem sabendo, de antemão,
Que bastava ter mudado,
Ao caminho, a direcção
Para ser considerado
Apenas louco bufão
E, quem sabe, perdoado
Por não mais dizer que não
Ao tal sistema instaurado
Que matava o próprio irmão...
Maria João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!
Chá de nada.
ResponderEliminarAhahahahah! Muito adequado aos tempos que correm e muito "económico", este seu chá de nada, Poeta! Vou vê-lo!
Eliminaruma papoila altiva - quase bandeira...
Eliminargostei muito.
beijo
Obrigada, Heretico!
EliminarBeijo!
Impressão de chá.
ResponderEliminarContinuo a piorar e estou com muita febre, mas ainda vou ao Chá.
Eliminar“O combate”
ResponderEliminarOlhando arestas de tectos
Sem tectos no horizonte
Mesmo sem ângulos rectos
Qu'a sede não amedronte
Quem no meio de projectos
Bebeu a água da fonte
Da nascente dos afectos
E que um dia se confronte
Com a sã necessidade
De combater predicados
Aos sujeitos conspurcados
Tão plenos de opacidade
Que mesmo quando lavados
Não são porcos, são javardos.
Prof Eta
Eu só penso em combater
EliminarO sujo capitalismo
Que se encontra no poder
À custa de oportunismo
E pudesse eu mais fazer
Quando, à beira deste abismo
Estamos quase a perecer,
Tantos, às mãos do nazismo,
Mais faria, de certeza,
Se tão só me fosse dado
Mover-me com mais destreza
Para todo e qualquer lado
Onde a ganância burguesa
Pudesse haver-se instalado.,.
M. João
Cá vai, Poeta, lembrando, mais uma vez, que para além do facto de manterem as sete sílabas métricas que a redondilha maior exige, estes meus sonetilhos apressados não têm nenhum valor poético, são apenas "brincadeiras em verso" que surgem em resposta aos seus sonetilhos. Forte abraço!
“Tsiprei”
ResponderEliminarMatei a austeridade
Que toldava a razão
Recuperei a felicidade
Adormecida no coração
Parece simples a receita
Agora que está em pé
Foi Colombo à espreita
Que me ensinou como é
Grego nunca me senti
Na europeia trapalhada
Sinto-me agora universal
E só assim readquiri
Alma nova p’rá jornada
Nesta luta desigual.
Do mais fundo de um mal-estar
EliminarQue me deixa embrutecida,
Poeta, aqui vou tentar
Deixar resposta devida,
Mas não sei se vou passar
Deste ponto de partida
Pois estou quase a vomitar,
Já nem sei que faça à vida...
Veio, o vírus, pr`a ficar
E eu , pr`aqui toda entupida
C`oa barriguita a inchar
E uma tosse empedernida
Que provoca falta de ar
E me deixa sem saída...
Maria João
Poeta, foi o que me saiu... desculpe nada ter a ver com o seu que até aborda um assunto que considero muito importante, mas as minhas pobres ideias - acredite que estão mesmo muito pobrezinhas e, ao contrário do habitual, muito centradas nesta minha aflição - nem sequer fluem como de costume. Segue com o abraço de sempre!
Não encontro este seu Tsiprei, Poeta...
Eliminar“Topas ?”
ResponderEliminarDo cachecol à gravata
Do sorriso à indisposição
Há uma úlcera que mata
O espírito desta reunião
Senhora bem composta
Também sorri a preceito
A comitiva é composta
Por outros com menos jeito
São reuniões europeias
Numa Europa cansada
De tanto discurso vazio
Enredada em suas teias,
Cidadão não vales nada
Mas há doutores com fastio.
Prof Eta
Estou à espera... e espero ver
EliminarQue resultados virão
Da alteração de poder
Que houve na grega nação...
Sou prudente - e quero-o ser! -
E não creio, de antemão,
Senão num povo a crescer
E a fazer Revolução!
Quem me dera estar errada
E acreditar que "isto vai"
Sem receio de mais nada,
Mas a filha de meu pai,
Ainda preocupada,
Não sabe o que daqui sai...
Maria João
Mesmo correndo o risco de desagradar a "gregos e troianos" é assim que penso, é assim que transmito a minha opinião pessoal, Poeta. Segue com o grande abraço de sempre!
“Obviamente, demito-o”
ResponderEliminarFoi o general Delgado
E Humberto sem medo
P’la PIDE assassinado
Sonho não era segredo
Ver o povo libertado
Saindo desse degredo
Que era o novo estado
Chegara demasiado cedo
Intento não conseguido
Outra forças se levantaram
Desses túmulos autocráticos
Sonho mais tarde oferecido
Muito cedo o esbanjaram
Os ditadores democráticos.
Foi em Espanha que o mataram
EliminarSeus assassinos nojentos
Que, sem vergonha, goraram,
Nessa morte, os seus intentos...
Maria João
Vai só uma quadrazinha, Poeta, porque eu continuo muito indisposta com esta virose. Abraço grande!
Impressão de chá.
ResponderEliminarVou ver essa impressão do Chá, Poeta!
Eliminar“Realidades”
ResponderEliminarOnde está a realidade
Quase certo não existe
É assim como a verdade
Onde a mentira persiste
Conforme a necessidade
São servidas a preceito
Providas de elasticidade
Esticam p’ra fazer o jeito
Aos que as sabem moldar
Mercê da sua servidão
Áqueles que finalmente
P’ra suas mão não sujar
Oferecem a escravidão
Aos que os servem fielmente.
Prof Eta
Realidade
EliminarAi existe, existe sim!
Cabe ao povo distingui-la
E não julgar que, no fim,
Podem , os outros, medi-la...
Não nada em maré tranquila,
Nem cresce em belo jardim,
E não bastará pedi-la...
Há que impô-la! Só assim!
E porque o que agora importa
É parar esta injustiça
Que não pára senão morta,
Vá o povo inteiro à liça
Porque a coisa está tão torta,
Que anda a lucidez mortiça!
Maria João
Cá vai, Poeta, apesar da dor de cabeça... e do resto. Abraço!
Chá censurado.
ResponderEliminarCom a pouquinha/quase nenhuma força que me vai restando, vou ver esse Chá censurado, Poeta!
Eliminar“Terminará”
ResponderEliminarRespeito e a dignidade
Devidos já não nos são
Em troca da liberdade
A extorsão e exploração
Nossa triste realidade
Ainda que digam que não
Fica-nos cara a saudade
Da outrora revolução
Novo vento, velho vento
Canções dum povo cansado
São canções tão sem jeito
Terminará o desalento
Quando por fim restaurado
Dignidade e o respeito.
É a própria identidade,
EliminarAquilo que roubarão
Ao roubarem dignidade,
Tecto, trabalho e razão
E, se digo esta verdade,
É por crer na dimensão
Deste povo onde a vontade
Se há-de afirmar com paixão!
Tarde ou cedo, eu sei-o bem,
Vai chegar a maré-cheia
De quanto este mar contém
E se "a coisa", agora, é feia,
Dessa maré que lá vem,
Surgirá quem nisto creia!
M. João
Aí vai,Poeta,muito "mal atamancado", mas com boa vontade e o abraço de sempre!
Chá milagroso.
ResponderEliminarBem precisaria de um desses, Poeta... estou mesmo em muito mau estado físico...
Eliminar“Faite vous jeux”
ResponderEliminarOuvi um dia a um bom amigo
Dizer algo que estou a sentir
Será aquilo que agora vos digo
“O capitalismo há-de um dia falir,”
Tudo arrecada, impede de consumir
Aquele que cá em baixo está tão só
Desempregado e sem poder produzir
“Quando ele explora sem sentir dó,”
E quem empobrece não pode cumprir
Nem que se esconda debaixo do chinó
“Tudo de baixo para cima irá cair,”
Esta é uma lei que não criará pó
Pois aplica-se a quedas logo a seguir
“Como caem as pedras de dominó!”
Prof Eta
... na reacção em cadeia
EliminarDo que ele mesmo produzir,
Também eu tenho essa ideia
De o ver, um dia, cair
Pois, se tudo assim falseia,
Tudo acaba por fugir
Vendo que ao falso premeia
E, ao resto, quer destruir...
Caia, então, no mundo inteiro!
E vivam todos aqueles
Que entendam por derradeiro,
Esse império onde alguns "reles"
Vêem crescer seu dinheiro
E os demais ... votaram neles....
Maria João
Vai muito "marteladinho", mas vai, Poeta! Abraço grande!
“Inconsequências”
ResponderEliminarA terrível consequência
De inconsequente ser
Resquícios de ineficiência
Da sociedade do ter
Não tendo consciência
De que estás a morrer
Confia na mão da ciência
Para tudo resolver
Em estado de impaciência
Não vislumbra a salvação
Para tão grave doença
Caminha p’rá inexistência
Sem alma e sem coração
Tamanho mar d’indiferença.
Sem alma, nem coração,
EliminarPrefiro nem caminhar
E, se tiver essa opção,
Optarei por nem ficar
Porque me sobra a razão
Da razão que me sobrar
E enquanto na minha mão
Esteja o caminho a traçar...
Contextualizando, e bem!,
É duma opção pessoal,
Não da escolha de outro alguém
Que aqui lhe deixo, leal,
A decisão que contém
A minha intenção final...
Maria João
Vai muito mauzito, mas sem dúvida consequente, o meu pobre sonetilho, Poeta! Abraço grande!
Chá da vida
ResponderEliminar... no actual momento - pessoal - bem preciso dele...
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