SONETO COM EFEITOS SECUNDÁRIOS
(Em verso heróico)
Da mesmíssima massa em que sois feitos,
por percorrer-me a carne um sangue igual,
assumo como vós certos defeitos
que expresso num poema acidental
Tenho, decerto, humanos preconceitos,
infimos medos que disfarço mal,
gestos azedos, duros, imperfeitos,
que se me escapam sem que eu dê por tal,
Mas... como todos vós, tenho direitos;
venha o que venha, do que é virtual,
piso os atalhos, muito embora estreitos,
Que ousei escolher sem previsão geral
do que sabemos serem os efeitos
de amar-se a vida e ser-se, assim, mortal.
Maria João Brito de Sousa – 02.05.2015 -19.48h
Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia
“Lava mais branco”
ResponderEliminarLava mais branco Jesus
Minha alma meu pecado
Ao meu coração conduz
O que estiver destinado
Não enjeito minha cruz
Quando por Ti ajudado
Só a paixão me seduz
Ao ver-te crucificado
O poder dos poderosos
Não se compara ao Teu
Podem até crucificar
Com esquemas ardilosos
Quem o perdão concedeu
Não poderão silenciar.
Na minha barca de encantos
Eliminare poemas sem ter fim,
já passei por p`rigos, tantos
que os não sei contar assim,
Mas, depojada dos mantos
e dos luxos de marfim,
semeei todos os cantos
das terras do meu jardim
E, do pouco que colhi
do tanto que semeei,
fui-te dando um pouco a ti,
Comi quanto precisei
- nos dias em que comi... -
e, garanto, inda ganhei!
Maria João
Cá vai, conforme me foi nascendo e sem pôr de parte o meu pensamento, Poeta! Abraço grande!
Chá abdicou.
ResponderEliminarSó agora, Poeta... mas vou lá!
Eliminar“Passados”
ResponderEliminarHumanidade aos pedaços
Com sabor a framboesa
Polvilhada de madraços
Enfeitada de incerteza
Onde oceanos são espaços
Outrora de rara beleza
Mas é o mar dos sargaços
Que nos revela a certeza
Dum passado glorioso
Fonte de muita riqueza
Em tempos de inspiração
Mais um passado penoso
Conquistado com destreza
Como todos eles serão.
Glórias e letras presas...
EliminarHumanidade "gourmet"?
Bem passada, ou mal passada,
Raramente alguém a vê
Como sopa ou como entrada...
Mas, Poeta, estou sem "d"!!!
Escrevo tudo "à martelada"
E o computador nem crê
Que estou, por demais, cansada...
Também no passado andei,
Mas nunca fui forte em História,
Nem, nunca, muito gostei
De acreditar nessa glória
À qual já renunciei,
Mas que registo em memória...
Maria João
Abraço grande, Poeta!
Isto hoje é uma martelaa por cada letra... mas no sentido literal!
Chá de enganos.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Nesta terra”
ResponderEliminarHá um embrulho na ponte
E há um povo embrulhado
Houve a oferta dum monte
Um ofertante engavetado
Outros nem no horizonte
Pois estão em outro lado
Não vejo quem os afronte
Apenas seu ego elogiado
Tamos fartos de embrulhos
Lindos laços com enfeites
Cobertos por papel doirado
Nesta terra de engulhos
Não importa onde te deites
Acordas sempre roubado.
Prof Eta
De tanto sono que tenho,
EliminarNem sei se irei conseguir
Escrever isto do tamanho
Que o poema me pedir
Poeta, não ache estranho...
Estou mesmo quase a dormir
E, apesar do grande empenho,
Só penso em não sucumbir
À força que o sono tem
Quando, a cada madrugada,
Se me impõe, como convém
A poeta assim cansada
Que não mais responde a alguém
Se não estando inda acordada
Maria João
Cá vai, com o abraço grande de sempre!
excelente.
ResponderEliminarcom chave de oiro,
gostei muito
beijo
Muito obrigada, Heretico!
EliminarLembro que continuo impossibilitada de comentar em qualquer blog da Blogspot, mas terei todo o gosto em ir espreitar o Relógio de Pêndulo!
Bjo!
Poetisa que me inspira e diz todo o amor,
ResponderEliminarMulher que sonha forte o seu futuro
Mesmo sem coração nem esplendor
Diante da tortura ao ser maduro.
Bom dia, Adílio Belmonte!
EliminarMuito grata pelos versos que aqui me deixa!
Fraterno abraço!
Chá acredita.
ResponderEliminarTambém eu, Poeta, também eu!
EliminarVou até lá!
Lindo
ResponderEliminarObrigada, Golimix! Beijinho!
Eliminar“Cantando à Mãe”
ResponderEliminarDescer à cova prometida
Lavados em emoção
Entoando linda canção
Chaga logo se faz ferida
Frente a frente Mãe querida
Aqui deixamos a intenção
Acompanhada de oração
Para que seja atendida
Pela mão que nos abraça
No caminho de meditação
Ainda que pleno de dôr
Para receber Tua Graça
Tenta abrir-nos o coração
Luz resplandecente d’amor.
Boas vindas
EliminarSeja, pois, bem regressado
Ao poético discurso
Que por cá temos deixado
E já tem vasto percurso
Neste espaço, em cada dia
Dos tantos que já passaram
Na saudável cantoria
Que os nossos versos deixaram!
Muito por aqui se fez
E, se assim o entender,
Mais faremos pois talvez
Mais útil nos possa ser,
Este "desafio" cortez,
Do que pará-lo e esquecer...
Maria João
Forte abraço, Poeta!
Chá de talento.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
EliminarChá em Sagres.
ResponderEliminarVou já a Sagres Poeta!
EliminarChá é vida.
ResponderEliminarSem dúvida, Poeta! Vou vê-lo!
Eliminar“Cara ou coroa”
ResponderEliminarDemónio anda à solta
Exorcizá-lo é preciso
Volta e meia ele volta
Senhores tenham juízo
Ele está no meio de nós
Pertença da criação
Confere destino atroz
A quem lhe deita a mão
Livre escolha deve haver
Por meio da inteligência
Entre ascensão ou queda
Nenhum lado deves temer
Pois eles são por inerência
As faces da tua moeda.
Prof Eta
Demónio(zinhos)
EliminarDemónios? Alegorias,
Talvez sim, possa dizer
Que abundam, são maiorias
Dos mundos do mal-dizer,
Mas "entidades", senhor?
Coisas vivas, bem palpáveis?
Esses tenho algum pudor
Em considerar prováveis...
Não sou de grandes dilemas;
Registo, creia ou não creia
Na pertinência dos temas,
Mas nunca darei boleia
A nenhum, nos meus poemas,
Nem na força que os norteia!
Maria João
Forte abraço, Poeta! Não creio em diabos e analiso, sempre que possível, as atitudes segundo as circunstâncias de quem as toma. Não me sendo possível fazê-lo, registo e abstenho-me da análise... ou guardo-a para depois. Também tenho invariavelmente em conta os efeitos, presentes e futuros, dessas mesmas atitudes. Tenho sempre uma postura muito mais ética do que moralista.
“Distinto”
ResponderEliminarDesassossego desassossegado
Maduro, rosé, branco ou tinto
Nasce de solo avermelhado
Pela garganta a escorrer, o sinto
Meio cheio, meio vazio, entornado
Bebi tanto como o Jacinto
Mas não fiquei transtornado
Apenas e só fiquei distinto.
Zé da Ponte
Distintamente...
EliminarNunca o soube apreciar,
nem saberia dizer,
se além de ser pr`a beber,
será bom de degustar
mas sei que pode ajudar
quando, em doses pequeninas,
nos elimina as toxinas
e, as artérias, vem limpar...
Maria João
Com o meu abraço, Poeta!
Fases do Chá.
ResponderEliminarVou vê-las, Poeta!
Eliminar“Deixem o Marquês descansar”
ResponderEliminarAcabou à bastonada
No meio de gritaria
A festa saiu estragada
Como há muito se previa
Seria a festa encarnada
Do clube da maioria
Mas foi a cabeça rachada
Quer de encarnado a tingia
Toca tudo a mexer
Marquês quer descansar
Não pediu p’ra ir à bola
Nem que o viessem ver
Muito menos práqui gritar
Uns maluquinhos da tola.
Prof Eta
Já nem sei se sei brincar
Eliminarcom tudo o que aconteceu;
a crise acabou por dar
um fruto que apodreceu
Muito antes de "amadurar",
pois tudo o que ali se deu
foi pancada "de rachar"
que em cegueira se acendeu...
Feito de pedra, ao marquês,
não lhe terá feito mossa,
nem tocado uma só vez,
Isto que agride a quem possa
analisar-lhe os porquês
mesmo estando em plena "fossa"...
Maria João
Aqui vai Poeta, com o abraço de sempre... enquanto eu não tenho outro remédio senão continuar nesta "guerra fria" com a porcaria da ligação....
“Pancadinhas”
ResponderEliminarTeoria da cuspidela
Será muito debatida
A bastonada sem ela
Estará comprometida
Mas se acaso cuspiu
Já faz dele outra figura
Aquilo que ninguém viu
Será dúvida que perdura
Brandos costumes aqui
À beirinha mar plantados
Por um povo excelente
Tanta pancadaria não vi
Nem estamos acostumados
Que dêem pancada na gente.
Prof Eta
Ninguém viu! Nada garante
Eliminarque a "cuspidela" existisse...
está ausente esse "flagrante"
e argumentá-lo é tolice
Pois nada... nada de nada,
poderá justificar
tanta, tanta bastonada
em quem só quer é passar!
Dependendo do juiz
- ou do seu ponto de vista... -
julgo "morto de raiz"
Qualquer caso que consista
em espancar - ante um petiz!-
um pacífico actvista...
Maria João
Cá vai o outro, Poeta. Com outro abraço.
Chá evolui.
ResponderEliminar... só agora vi... vou lá, Poeta!
Eliminar“Prejuízo”
ResponderEliminarInterpretar é preciso
Sinais desta sociedade
P’ra reverter prejuízo
De tanta insanidade
Injectar alguns valores
Na sapiência geral
Instigar muitos doutores
A descer do pedestal
Terra a terra minha gente
Despidos de preconceito
Tentar por antecipação
Uma forma diferente
De mostrar algum respeito
Antes que se dê a implosão.
Uma coisa já sabemos;
EliminarNas sociedades doentes
Como aquela em que vivemos
Crescem sempre os incidentes
E alguma coisa faremos
pr`a não ficarmos dementes;
é muito bom que pensemos
no que nos deixa tementes
E bem melhor que votemos
naqueles que, sendo dif`rentes,
reduzirão a bem menos
As diferenças inerentes
ao desespero que vemos
surgindo em tantas vertentes
Maria João
Aqui vai, Poeta muito marteladito - porque hoje estou ainda menos bem - mas bem perceptível, creio eu. Abraço grande!
(Continua o braço-de-ferro com a ligação)
Chá reprovado.
ResponderEliminarPobre Chá! Vou vê-lo, Poeta!
Eliminar“Massacres”
ResponderEliminarImpério contra ataca
Por ter sido atacado
Ainda não se destaca
Vencedor antecipado
Civilização milenar
Luta p’ra sobreviver
Não se justifica matar
Nem tão pouco morrer
As razões de cada qual
Cumpriria aprofundar
No âmbito mais racional
Mais fácil é vociferar
Despejar o seu arsenal
E o império massacrar.
“Sociedade CMTV”
ResponderEliminarSociedade C M T V
É de faca e alguidar
Regalo para quem vê
E para quem está a dar
Até se não fôr em você
Razão maior p’ra regalar
Se não houver quem dê
Sociedade fica a ressacar
Depois caem as bombas
Com o aplauso geral
Da plateia em sua casa
Outros levam nas trombas
E que não te pareça mal
Se uma sociedade se arrasa.
Prof Eta
Sei que tremendo e que é duro,
EliminarMas... mediatismo a mais
Só compromete o futuro
Das TVs... e dos jornais
Que, encostados ao tal muro
Da violência dos demais,
Pensam muito mais no "furo"
Do que nas razões dos "ais"...
Quanto a mim, estando engripada,
Não escrevo nada de jeito,
Passo os dias acamada,
Pouco ou nada tenho feito
E, não querendo estar calada,
Por tudo e nada me deito...
Maria João
Cá vai, Poeta, muito martelado, mas com o abraço de sempre!
Chá assumido.
ResponderEliminarEstou assumidamente engripada, Poeta, mas vou espreitar a assumpção do Chá...
EliminarINAUGURAÇÃO DO NOVO MUSEU DOS COCHES
ResponderEliminarCOM CONVIDADOS VIP
Quando ia visitar,
Em menino, este museu,
Interrogava-me, eu:
-Não há bestas p´ra atrelar?
Sempre de varais no ar,
Nunca ninguém entendeu
Quem tais coches concebeu,
Sem cavalos p´ra trotar.
Mas nesta inauguração,
Foi-se até ao pormenor,
Tudo até à perfeição!
Os mandantes da Nação
Lá estavam, sim senhor…
E eu, senti-me com a razão!
Eduardo
EliminarPobres bestas - que o não são! -
Porque, afinal, como nós
Puxam, a bem da nação,
Pelo corpo... e estão"sem voz"...
São meras cascas de noz,
Mera carne-pr`a-canhão
Da guerrilha, sempre atroz,
Pela posse da razão...
Pobre besta... e besta eu sou
Se, pronta a raciocinar,
Descubro que alguém julgou
Muito além do que é julgar,
Quanto verso aqui passou
E os mais qu`inda irão passar...
Maria João
Que prazer reencontrar um poema seu, Eduardo! Este sonetilho-resposta nem sequer foi pensado, acredite! Saiu-me tal qual me foi chegando à ideia.
Já mal me lembro do Museu dos Coches que tantas vezes visitei quando era menina...
Fraterno abraço para si e Maria dos Anjos!
“Germinar”
ResponderEliminarPsicopatas unidos
Nessa forma de pensar
Querem ver-nos zurzidos
Nossas mentes formatar
Os pensamentos fugidos
Não conseguirão apanhar
São os mísseis dirigidos
Com ideias p’ra plantar
Sementes dum universo
Pelo amor polvilhado
Que não lograrão abortar
Pois o grito de um verso
Cada vez que é libertado
Faz a semente germinar.
Germinemos!!!
EliminarOra bem! Que assim se faça
Segundo a nossa vontade
E que se afste a desgraça
Dessa imensa iniquidade
Que é a corrupção que grassa
Contra a nossa liberdade
Que pede "ao vento que passa"
Que lhe diga uma verdade...
Pois que assim seja e será
Bem melhor nosso futuro
Pelo tempo que virá
Se este pequeno esconjuro
For mais forte que o que dá
- ou já deu... - tamanho "furo"...
Maria João
Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!!!