FÓRMULA
(Soneto em decassílabo heróico)
E anima-se a matéria criativa
até ao ponto exacto e necessário
para que nasça, enfim, matéria viva
do que, antes, parecera o seu contrário
E cresce, a cada dia mais activa,
não pára de fluir de modo vário
na direcção daquilo que a motiva
pr`a desaguar, por fim, no seu estuário...
Digo, porém, que não será cativa
da força de algum ponto estatutário,
nem verga à reprimenda punitiva,
Porque é pertença do mais rico erário
duma Arca que flutua e que anda à d`riva
no rio do nosso humano imaginário.
Maria João Brito de Sousa - 29.08.2015 - 17.56h
NOTA - Esta Fórmula, ou como lhe entendam chamar, aplica-se às línguas - todas elas! -, mas não só...
CREPÚSCULO
ResponderEliminarO luar que envolve e beija a planura
É manta que me cobre, Deus me valha,
Se me deito já cansado em cama dura
E a enxerga de restolho exala a palha.
O suor que me encharca a pele escura
É o preço que o Sol paga a quem trabalha.
No céu conto as estrelas, na lonjura
Escuto o trilo dos grilos que se espalha.
Adormeço no chão duro do montado
E a quietude que desaba, num lampejo,
Entorpece o meu corpo tão cansado…
E a jorna que eu quero deste fado
É o ter-te para mim meu Alentejo,
Revolver-te o teu solo abençoado.
Eduardo
Muito obrigada, Eduardo, por mais este belo soneto!
EliminarESTUÁRIO
Eu, nascida e crescida no estuário
do mesmo Tejo que Alentejo abraça,
é sobre a foz que estendo o meu sudário,
é nesse mesmo rio que encontro a traça
Do pouquinho que fui que, sendo vário,
já líquida me prende à antiga graça
dum rio que, como eu, não tem salário,
mas vai correndo sempre, enquanto passa
E nisto me aproximo e reconheço
de um rio que nunca pára de correr
e vem desde a nascente - o seu começo -
Jorrando sem parar até morrer
nos braços desse mar onde aconteço
e onde me aconteceu, também, nascer...
Maria João
Envio-lhe este, pedindo desculpa pois foi escrito à pressa e num dia de muito, muito pouca inspiração;
ESTUÁRIO
Eu, nascida e crescida no estuário
do mesmo Tejo que Alentejo abraça,
é sobre a foz que estendo o meu sudário,
é nesse mesmo rio que encontro a traça
Do pouquinho que fui que, sendo vário,
já líquida me prende à antiga graça
dum rio que, como eu, não tem salário,
mas vai correndo sempre, enquanto passa
E nisto me aproximo e reconheço
de um rio que nunca pára de correr
e vem desde a nascente - o seu começo -
Jorrando sem parar até morrer
nos braços desse mar onde aconteço
e onde me aconteceu, a mim, nascer...
Maria João
Fraterno e sempre grato abraço para si e Maria dos Anjos!
alcança longe e fundo...
ResponderEliminar"enorme" teu poema.
beijo
Muito obrigada, Heretico!
EliminarVou ao Relógio de Pêndulo, mas... como sempre, em "silêncio"...
Beijo!
... já tinha lido este teu Paisagem Íntima que também me deixou em silêncio, ou perto disso, mas por outros motivos que não técnicos...
EliminarOutro beijo!
“Caminhar”
ResponderEliminarA utopia estava aqui
Mas logo desapareceu
Pois assim que eu corri
Logo ela também correu
Olhei lá para o fundo
Logo ela se mostrou
E o meu sonho profundo
Logo, logo a alcançou
Mas no acto de acordar
Constatei que a utopia
Não se deixara apanhar
Então pus-me a meditar
Já que sempre que a via
Nunca a podia alcançar.
Cada horizonte, Poeta,
Eliminaré tal qual uma utopia;
está sempre à frente, essa meta
que aqui diz ser fugidia
E que, afinal, como a recta,
não finda, nem principia,
mas que, apesar de concreta,
sempre mais se distancia...
Sim, serve pr`a caminhar;
é mais ponte do que muro,
é caminho por galgar
Pois, Poeta, quando um muro
nos tentar paralizar,
ela aponta outro futuro...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
PARALISAR, perdão!
Eliminar“Côr de rosa”
ResponderEliminarPosso ser o que não sou
Pois sendo aquilo que fui
O meu ser aqui estagnou
E doutra forma evolui
Sentir-me-ei a renascer
Em pura metamorfose
E depois hei-de sofrer
Ressacando da overdose
Ficarei bem diferente
A visão será afectada
E quiçá tão poderosa
Que encontrarei p’la frente
Uma enorme manada
De elefantes côr de rosa.
Prof Eta
Ahahahahahah!!! Perdoe-me, Poeta, mas não resisti a tantos elefantes côr-de-rosa...
EliminarJá não espero ressacar
seja daquilo que for
e assim, lúcida, ficar,
apesar de estar pior,
Mas é certo que evoluo
sempre ao nível do soneto,
e que o que por cá construo
não é, decerto, obsoleto...
Elefantes côr-de-rosa?
Podem vir, com mil barridos,
desde que em verso, ou em prosa
Possa eu vê-los, decididos
numa manada vistosa,
bem vivos, bem coloridos!
Mª João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de todos os dias!!!
“Tanto mar”
ResponderEliminarMar de dúvidas navego
Certezas já naufragaram
Na minha barca carrego
Aquelas que se salvaram
Em meu redor tanto mar
Tanta certeza afogada
Tanta dúvida p’ra sulcar
Entre resposta não dada
Algum estado alcançarei
No meio desta tormenta
Porque sempre naveguei
Porque esta barca aguenta
Mas a certeza nunca terei
Porque dúvida a sustenta.
Sempre foi esse o motor
Eliminarde quanto foi conquistado;
Dúvidas, dão azo ao labor
que sempre dá resultado
Porque a ciência, com ardor,
labutando tem mostrado
que o caminho é bem maior
do que o que antes foi esperado...
É esse o fruto maior
do fabuloso legado
conquistado dor a dor,
Antes criminalizado
mas que vence e faz melhor
depois de minimizado...
Mª João
Aqui vai, Poeta, com o abraço de sempre!!!
“Travessias”
ResponderEliminarVais no bote da vida
Ou no bote da morte
Travessia só de ida
Sai-te azar ou sorte
Já estava decidida
Pelo futuro risonho
Nessa terra prometida
Qual miragem ou sonho
Devolvida a esperança
Envolta numa mortalha
E logo o sonho acabou
Não assistes à matança
Nem conheces o canalha
Pois ele já te matou.
Prof Eta
Pobre de quem já foi morto,
EliminarPobre de quem, estando vivo,
Veja tudo, assim, tão torto,
Pois, como bicho cativo,
Vai jazendo, sempre absorto,
Perdendo, da vida, o crivo,
Sonhando com qualquer porto...
(sem "tom" recriminativo...)
Penso saber do que fala,
Poeta... ou talvez suponha,
Mas, quem finge que se rala,
Não tem, decerto, vergonha...
Essa que surge qual bala
E cala qualquer peçonha!
Maria João
Cá vai, Poeta, com um abraço grande, como sempre!
Muita filosofia num decassílabo verdadeiramente heróico. Fica difícil até refletir sobre o tema.
ResponderEliminarO IMAGINÁRIO
Naquela onda bem certa e imaginária
Busco esses meus versos na vidência
Da história da vida estacionária,
Mas tudo se apresenta em evidência.
Justo porque já falo pelo espírito
Digo que amo todo o imaginário,
Mas ponho o coração nesse meu mérito
De ter o rio da fé como meu estuário.
Nas trilhas tortuosas desse tempo
Caminho numa senda amorosa
Iluminada pela luz do além.
De tudo isso se espera o grande advento,
Com Deus vindo em forma luminosa,
Ungindo a seu povo e a nós também.
Muito obrigada pelo seu poema, bem como pela sua visita, amigo Adadílio.
EliminarO meu abraço poético!
Muita filosofia num decassílabo verdadeiramente heróico. Fica difícil até refletir sobre o tema. Espero que a amiga continue a nos inspirar com seu estro brilhante e que Deus sempre a ilumine.
ResponderEliminarO IMAGINÁRIO
Naquela onda bem certa e imaginária
Busco esses meus versos na vidência
Da história da vida estacionária,
Mas tudo se apresenta em evidência.
Justo porque já falo pelo espírito
Digo que amo todo o imaginário,
Mas ponho o coração nesse meu mérito
De ter o rio da fé como meu estuário.
Nas trilhas tortuosas desse tempo
Caminho numa senda amorosa
Iluminada pela luz do além.
De tudo isso se espera o grande advento,
Com Deus vindo em forma luminosa
Para ungir a seu povo e a nós também.
“Sem mente”
ResponderEliminarSilêncio ensurdecedor
Assaltou-me de repente
E tomado pelo pavor
Tentei controlar a mente
Mas ela ao contrapor
Controlou e fez-me frente
Mostrou-me o que era a dor
Infligiu-me a mais ardente
Senti-me tão afectado
Logo me vi conjecturar
Mando à mente recado
Ela que vá passear
E eu fico aqui sentado
Sem mente a controlar.
Mental(mente)
EliminarNem me ocorre controlá-la
Pois, sempre bem controlada,
É quem me comanda a fala,
A escrita, a coisa criada...
Descansa e logo se cala,
Quando, no sono embalada,
Recobra e assim se regala
Já depois de muito usada,
Acorda e logo se embala,
Quase sempre entusiasmada
Por saber qu`hei-de ir usá-la,
Por ver-se sempre ocupada
Naquilo de que faz gala;
Prà quê tê-la acorrentada???
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre! Não sei se os nossos conceitos de "mente" são exactamente coincidente... só posso dizer-lhe que a minha tem funcionado lindamente e é a ela, no mais abrangente preenchimento do seu trabalho, que devo tudo aquilo que já produzi...
Chá efémero.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!!!
Eliminar“Teorias”
ResponderEliminarA realidade persiste
Sobre a teoria relatada
Que no entanto não desiste
De ver a realidade subjugada
Com suas leis insiste
Numa ordem confinada
Mas a realidade persiste
Na sua forma desordenada
Num futuro não distante
De confrontação acesa
Será a teoria alargada
Ou teremos doravante
Sempre envolta em tristeza
Uma realidade refutada.
Prof Eta
Muito, ou pouco, a teoria
EliminarFaz-nos falta; há que aprender!
Mas alguma há que é vazia
E, à força, tenta prender
Algo que avança e varia
E que está sempre a crescer
Como a própria poesia
Tenta - e pode! - descrever...
Se há padrões? Claro que sim!
Há padrões, padrões formais
Desta evolução sem fim,
Mas também há muito mais
No que cresce em ti, em mim,
Nas plantas, nos animais...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!
Chá amigo.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta!
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