O FINGIDOR

FINGIDOR


(Soneto em decassílabo heróico)


 


Poema dá-nos voz, matéria-prima,
Tacto, conhecimento e, sobretudo,
Tendo, ou não tendo métrica, nem rima,
Um bom-senso apurado e muito agudo;


 



Oferece quanto baste de auto-estima,
Podendo fornecer-nos quase tudo
Do que possa elevar-nos muito acima
De quanto nos eleva um qualquer estudo.


 


Fingido? Sê-lo-á quanto lhe baste!
(mas se o não for demais, tanto melhor)
Pois, levando o conceito ao seu desgaste,


 


Plasma-se em quanto exista em seu redor
e faz da crua dor com que o cantaste
sofisma de um que diz ser FINGIDOR.


 


 


Maria João Brito de Sousa - 11.10.2015 - 17.19h


Comentários

  1. Para a Maria João de Brito e Sousa, em resposta ao sonetilho com que se dignou honrar-me. Sendo avesso a desgarradas, não posso, mesmo assim, deixar de me sentir lisonjeado. Com um abraço de muita amizade, meu e da Maria dos Anjos.
    Eduardo.


    CAMBIANTES

    Sem ser sagrada a escritura,
    Ver Belém abençoado
    Por feminina figura
    E Maria, acho ajustado.

    Já o palácio, ornamentado,
    Com uma dupla pintura…
    Rosa-velho e encarnado,
    Não combinam a textura

    Não será em minha vida,
    Mas também eu aconselho
    Uma cor bem definida

    P´ro casarão assombrado…
    Só uma cor, o vermelho,
    Do rés-do-chão ao telhado.

    Eduardo

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    1. Foi essa a côr que apontei,
      Sem me fazer entender,
      Quando em sonhos vislumbrei
      Que assim poderia ser

      E que aquilo que sonhei
      Se podia vir a ver,
      Se aquele em quem votarei
      Lá chegar, volto a dizer,

      E quão belo ficaria
      O palácio-casarão!
      Quão mais cheio de ousadia

      O veria um cidadão
      Que vê degradada e fria
      Sua própria habitação...


      Maria João

      Para desgarrada, foi um pouco lento, Eduardo, mas a saúde voltou a piorar um pouco e a velocidade já começou, mais uma vez, a abrandar.
      Muito obrigada por este excelente sonetilho e um forte abraço para ambos!

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  2. “Viagem ao olho do vulcão”

    Aconteceu nas terras desertas de Sonora, lá onde dizem que a terra e a lua se juntam, foi aí que iniciámos a descida em direcção ao olho de um vulcão extinto, numa paisagem nunca antes imaginada ...

    Zé da Ponte

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    1. De repente, de repente, imaginei-me a reler a Viagem ao Centro da Terra, do Júlio Verne...

      Vou à Ponte!

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    2. Não é bem isso, mas apenas o relato de um episódio que ocorreu há uns vinte e tantos anos, com uns amigos no México.

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    3. Já fui ler o resto do relato, Poeta!
      Júlio Verne "encontrou" dinossauros, mas ... para susto, chegou-vos a cascável!!!

      Abraço!!!

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  3. “Vencedores”

    Poesia em movimento
    São horizontes de prazer
    Não há lugar ao lamento
    Em vez disso fui correr

    De todo o mundo vieram
    Até ao Vasco descobridor
    Em Lisboa os acolheram
    Num ambiente multicolor

    Desde o mais alto tabuleiro
    À Avenida das descobertas
    Com o Tejo por companhia

    Milhares são o primeiro
    Pois com mentes abertas
    Cada qual ganhou o dia.

    Prof Eta

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    1. Percebi que houve corrida
      Na ponte Vasco da Gama,
      Onde correu pela vida
      Quem a vida assim conclama

      E eu, devendo estar de cama,
      Por cá fiquei distraída
      C`o meu eterno programa,
      Reformulando obra havida...

      Sem qualquer inspiração
      E muitas dificuldades,
      Tenho, agora, a sensação

      De tentar sair de um Hades,
      Sendo, por vezes, em vão
      Que escrevo as minhas verdades...


      Mª João


      Não faz grande sentido, mas... estou um pouco pior, efectivamente, e, quando procuro e encontro alguns dos meus sonetos anteriores a meados de 2012, só me apetece riscar do mapa uns 4/5 deles e dar um puxão de orelhas a mim mesma por ter insistido em publicá-los em quantidade, num tempo em que estava longe, longe de ter amadurecido ao nível do que o soneto exige de um poeta/escritor. Em vez de os "riscar do mapa", tento reformular os que têm algumas possibilidades, mas... quase sempre fico muito instisfeita com o resultado, Poeta.

      Abraço grande!

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  4. Seguíamos na estrada principal regressados de Puerto Peñasco no norte do estado de Sonora, lá onde a terra e a lua se juntam, após uma reconfortante paragem num quiosque de madeira e colmo, para beber a retemperadora e refrescante água de coco, quando o oásis no deserto se fez anunciar por meio de uma tosca placa de madeira espetada na berma da estrada, “Cañon de Guadalupe 55 Km - Un Oásis en el Deserto”, ...

    Zé da Ponte

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  5. “Cagança”

    Sociedades que criámos
    Consumimos à exaustão
    Com sucesso ocultámos
    A nossa própria missão

    Perdidos na sociedade
    Sem sociedade nenhuma
    Exaustos da ambiguidade
    Que a sociedade propunha

    Espezinhando a esperança
    Estripando a dignidade …
    Perguntas como se avança

    Nesta feira de vaidade,
    Rastejando com cagança
    Por falta de verticalidade.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Se houver verticalidade
      diz-se, sem vergonha ou medo,
      tudo aquilo que, em verdade,
      faz desta vida um degredo,

      Pois sobrará dignidade
      pr`a não fazer-se segredo
      do que esta humana vontade
      criou desde muito cedo...

      Uma coisa é estar-se cá
      sem motivo e sem razão,
      nem noção do que se dá,

      Outra é ter-se essa noção
      e fazer, do que aqui há,
      colheita em co-produção...

      Maria João


      Tive de cá chegar através do Sapo blogs, Poeta, o Sapo mail está pontualmente inacessível. Abraço grande!

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  6. Respostas
    1. E, a mim, vai acontecer-me uma consulta, Poeta. Estou de saída, mas ainda vou ver o Chá!

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  7. OS PASSARINHOS E OS PASSARÕES

    Passarinho anda à solta,
    Já não está no cativeiro…
    Será que ainda p´ra lá volta
    E não volta ao seu poleiro?

    Outros, munidos de escolta,
    Assaltaram o espigueiro,
    Por qualquer reviravolta
    Escaparam ao carcereiro.


    Ele era ave canora
    Com um cantar altaneiro,
    Cantava com voz sonora…

    De tanto e tão bem cantar,
    Caçou-o um passarinheiro
    Que o andava a escutar.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Concebido pr`a cantar,
      Não desiste, o passarinho...
      Assim que alguém o caçar,
      Passa a cantar mais baixinho

      Talvez pr`a se lamentar
      De ter perdido o seu ninho,
      Ou, então... pr`a protestar
      (e, nisso, não está sozinho...)

      É tão grande a força imensa
      Que a libertação lhe impõe,
      Que nesse canto condensa

      Toda a força que o compõe
      E, por cada nota, pensa
      Na fuga a que propõe...


      Maria João

      Eduardo, muito obrigada por este seu sonetilho! A resposta foi dada à pressa, uma vez que estou de saída para uma consulta e mais exames, mas saiu-me assim, ao correr das teclas...

      Forte abraço para si e Maria dos Anjos!

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  8. AINDA OS PASSARINHOS E OS PASSARÕES

    O passarinho cantou
    E não foi de madrugada…
    Com a voz bem afinada,
    O seu gorjeio encantou.

    Se a prosa era ajustada
    Ainda não se provou
    Quem ouviu apreciou
    A cadência da balada.

    À hora a que ele trinou
    Um passarão se ouviu…
    Não sei se ele trocou

    O pífaro pela flauta,
    Mas ele só fez piu…piu,
    Apesar de ler na pauta.

    Eduardo

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    Respostas
    1. Passarinho apressado...

      Passarou o passarinho
      que passava passarando,
      mas... pr`ali ficou sozinho
      e acabou desafinando

      Que o passarar sem caminho,
      mesmo à pauta respeitando,
      tem na pressa o maior espinho,
      inda que em bando voando...

      Deu por isso, aquietou
      seu vôo desgovernado...
      Nem o passarão notou

      Que ele estava desafinado,
      mas, de caminho, emendou
      quanto errara no passado... (rsrsrsrsrs...)


      Maria João


      Amigo Eduardo, aproveitei o seu passarinho, pus-me nas penas dele e atrevi-me a esta alusão aos muitos sonetos desafinados que publiquei nos meus primeiros anos online.

      Muito grata por este seu delicioso sonetilho!

      O meu forte abraço!

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  9. “Devagarinho”

    Benito era fascista
    E o Adolfo era nazi
    António situacionista
    Como eles nunca vi

    Da escola malabarista
    Se muito bem entendi
    Até que o povo resista
    São os que reinam aqui

    Sobretaxa mal precisam
    E impostos nem pensar
    Que diabo de negócio

    Nos haviam de arranjar
    Comandados pelo ócio
    Vão matando devagar.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Desses três - que má lembrança!!! -
      Ficou a Terra empestada!
      Mataram, mas nunca a esp`rança
      De ver a Terra mudada

      E se alguém retoma a "dança",
      Já daqui não leva nada!
      Lança-se a desconfiança?
      Não passa! Está condenada!

      Peço desculpa, isto vai,
      Quanto a mim, desafinado,
      Mas é tudo o que me sai,

      Muito embora "martelado"...
      Quando a saúde descai,
      O verso é "contaminado"...

      Maria João

      Marteladíssimo, mas aqui vai, Poeta, com o meu abraço!


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  10. “Cerceados”

    Se o pensamento
    Trava a verdade
    Será mentira
    A liberdade
    Será verdade
    Outra mentira
    Surgiu mais tarde
    O mundo não gira.

    Zé da Ponte

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