GLOSANDO FLORBELA ESPANCA - (4)
MENDIGA
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era qu’rida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida
– Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"
RETROSPECTIVA
"Se me ponho a cismar em outras eras"
Em que, de alguma forma, fui traída
Por vagas convicções, tolas quimeras,
Daquilo que, afinal, seria a vida
"E a minha boca triste e dolorida"
Sorrindo tão somente pr`a quem eras,
Esquecida de sorrir, somava esperas,
Perdendo-se em razões pr`a ser esquecida,
"E fico, pensativa, olhando o vago...",
Sorrindo à vida que bebi de um trago,
Quando outro tempo mo ditava assim
"E as lágrimas que choro(ei) , branca e calma,"
Sugerem-me infantis tragédias d`alma
Que mal se lembram de brotar de mim...
Maria João Brito de Sousa - 27.01.2016 - 13.03h
Lina era a mais traquina,
ResponderEliminartão mexida e faladora!
Diziam:-tão maçadora
e até pouco feminina.
Nem parece uma menina...
levaram-na à Doutora
e, agora com a Rita, Lina,
já parece uma Senhora!
Suspiram os pais, contentes,
por vê-la tão sossegada
e até com portes decentes.
Pobre Lina, quem diria...
agora és uma fada,
sem sonho, sem utopia!
Eduardo
Rita, quando está sem Lina,
EliminarPode ser algo travessa,
Porque a história só começa
Por ser, Rita, tão traquina....
Muitos hão-de ter tal sina,
Mas sempre há quem desconheça
Que Rita, sendo ladina,
A toda a hora tropeça
Nas questões da aprendizagem...
Há que ter concentração,
Mas... Ritinha... deve, ou não,
Ser, de Lina, a clara imagem?
Há que ter muita atenção,
Paciência e, também, coragem...
Maria João
Suponho que se refira a um caso específico e noticiado, Eduardo, mas eu tenho visto pouca ou nenhuma televisão e também os noticiários me têm escapado frequentemente... tanto quanto sei, a Ritalina é administrada a crianças hiperactivas com graves problemas de concentração.... também me parece que é um medicamento que não pode ser vendido sem prescripção médica, mas ... o que me ocorreu foi exactamente o que aqui lhe deixei, em sonetilho.
Forte e grato abraço!
“Excepções”
ResponderEliminarTodo o ser é excepção
À teórica normalidade
Esta a beleza da criação
Permitindo excentricidade
Tudo está em equação
Até a própria realidade
Todas as realidades terão
Fundamentos de verdade
Ondas de choque reais
A cada momento geradas
Impulsionadoras da mudança
São estas as forças brutais
Quase sempre ignoradas
P’las quais o mundo avança.
Sei que esta sinestesia
EliminarMe torna um pouco dif`rente...
Não sou como a maioria,
Mas garanto que sou gente!
Dou-vos essa garantia;
Como, durmo e sigo em frente
Sempre em busca de energia,
Sempre "avessa" ao prepotente,
Com alguma rebeldia
Dessa que é bem pertinente,
Pois me inunda a poesia
E teima em ser persistente
Quebrando a monotonia
Que amordaça uma semente...
Maria João
Não sei se se referia a isso, Poeta, mas ser-se sinesteta nada tem a ver com ser-se hiperactivo... são coisas muito diferentes... a sinestesia é uma das pouquíssimas mutações cromossómicas "positivas" para o ser humano... nunca conheci pessoalmente um sinesteta, mas sei que não é por acaso que quase todos nós estamos fortemente ligados à arte e à criatividade ... mas torna-nos, infelizmente, um pouco mais vulneraveis quando o corpo está já muito desgastado, sobretudo ao nível do "processamento" da mensagem/informação gráfica...
Abraço grande!
Chá trabalha.
ResponderEliminarTambém eu, Poeta! Vou vê-lo!
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