GLOSANDO O POETA NATHAN DE CASTRO (In Memoriam)

Nathan de Castro III.jpg



DILEMAS DE UM MAR SEM FIM





-"Ser ou não ser azul. Eis a questão"


Que o Mar se põe, olhando a cor que o cobre,


Sem estar seguro de estar certo, ou não,


Quando imagina azul seu manto nobre...





-"Ser ou não ser... O branco em minha mão"


Hesita entre algum verde, que descobre


Numa memória, ou numa inovação,


E o velho azul, que entende usado e pobre...





-"Um verde de poesia, azul de luas"...


Murmura, qu`rendo ver seu corpo imenso


Vestido de uma côr definitiva;





"Com sua voz de rochas seminuas"


Pergunta-me em que côr o vejo, ou penso,


Vendo-me olhá-lo assim, contemplativa...


 


 


Maria João Brito de Sousa - 23.09.2016 - 19.35h


 


 


 

Comentários

  1. Para apurar
    trouxe para casa um pouco de mar
    num copo
    olhei-o de um lado
    de outro
    e de frente
    tinha um ar
    de ser mar
    muito transparente

    e concluí
    cruzando Pessoa com Gedeão
    que um mar
    poderá ser azul ou verde
    e, no final, transparente
    com sabor, incontornavelmente, a sal
    como as lágrimas
    de Portugal

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    Respostas
    1. Visitaste-me e trouxeste
      num rasgo de Gedeão,
      um Pessoa, em infusão
      nesse mar em que mo deste

      E, se comigo os bebeste,
      também provaste o meu pão
      de farinha de paixão
      (ou de amor, como disseste...)

      Não sei de que côr serão,
      Nem sei que sabor terão
      os temperos que puseste,

      Mas gostei da sensação;
      Dividida a refeição,
      Mais cresci, mais tu cresceste...

      Maria João

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