GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXVI

INVERNO.jpg


 


A CHEGADA DO INVERNO





Ele fez-se anunciar. E veio rude
Das nuvens caiu choro de tristeza
E as lágrimas da chuva em altitude
Foram pérolas brancas de beleza


 


Pelas serras cobrindo a negritude
Imposta pelo fogo à natureza
Há cândidos lençóis em plenitude
Simbolizando manto de pureza


 


Arvoredos já nus gemem lamentos
Quando os sopros gentios desses ventos
Lhes arrancam os troncos ressequidos


 


Enquanto lá por fora ainda neva
Nas lareiras há chama que se eleva
Deixando assim os lares aquecidos





MEA
25/11/2016





SOBREVIVENDO...








"Ele fez-se anunciar. E veio rude"


Nas vergastadas de Éolo, em protesto


Contra quem lhe resiste e desilude


A prepotência do tirano gesto.





"Pelas serras, cobrindo a negritude",


Sobra um resto de verde. Ainda um resto,


Como se nos bastasse essa atitude


De um verde resistente, firme, honesto.





"Arvoredo já nus gemem lamentos"


Sobre os terrenos pardos, lamacentos,


E sobre os tiritantes caminheiros;





"Enquanto lá por fora ainda neva",


Cá por dentro, rebelde, enfrento a treva


Nas glosas e na cinza dos cinzeiros...








Maria João Brito de Sousa - 26.11.2016 - 11.55h


 

Comentários

  1. “Espaço sem par”

    Esvaziado o espaço
    E a luz não alumia
    As feições são de cansaço
    E a mente está vazia
    Big bang vem a calhar
    Um novo começo será
    E nesse espaço sem par
    Humanidade habitará.

    Zé da Ponte

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    Respostas
    1. Espaço, terá de ser...

      A Terra tem o seu tempo,
      Como todos os planetas
      E as estrelas também...
      Para nós, é tudo lento,
      Virão gerações completas
      Sempre em busca de outro além...

      Maria João


      Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre!

      Eliminar

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