DIALOGANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE IV
CONSOADA ESPECIAL
Havia pela tarde uma magia
No preparo da noite desejada
Lenha seca arrumada com mestria
Massa que se queria levedada
Noite fora a família em harmonia
Junta à volta do lume, atarefada
Esticando os coscorões logo os frigia
Numa alegria simples e animada
Havia brincadeira, festa, riso
Um misto de loucura e paraíso
Na noite desenhada de surpresa
Fumegante no púcaro, café
Amigo fiel, vai da chaminé
Acompanhar a nossa sobremesa
MEA
13/12/2016
A VELHA BRASEIRA DE COBRE
Diluídos no tempo, ecoam, vagos,
Vestígios de uma antiga Consoada;
Sorrio, cá por dentro, e são afagos
Que a memória me dá, não dando nada.
Os meus olhos, agora, são dois lagos
Onde se espelha o tempo e, consolada,
Nem vejo quanto o tempo fez de estragos
Ao longo desta longa caminhada.
Não sei dizer porquê, mas, de repente,
Impõe-se-me, da ceia, o morno, o quente
Da braseira de cobre, sob a mesa
E, ainda sem saber se outrém o sente,
Acendo-me eu, inteira, internamente,
Num brasido de humana natureza.
Maria João Brito de Sousa - 13.12.2016 - 14.52h
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