DIALOGANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE IV
CONSOADA ESPECIAL
Havia pela tarde uma magia
No preparo da noite desejada
Lenha seca arrumada com mestria
Massa que se queria levedada
*
Noite fora a família em harmonia
Junta à volta do lume, atarefada
Esticando os coscorões logo os frigia
Numa alegria simples e animada
*
Havia brincadeira, festa, riso
Um misto de loucura e paraíso
Na noite desenhada de surpresa
*
Fumegante no púcaro, café
Amigo fiel, vai da chaminé
Acompanhar a nossa sobremesa
*
MEA
13/12/2016
***
A VELHA BRASEIRA DE COBRE
*
Diluídos no tempo, ecoam, vagos,
Vestígios de uma antiga Consoada:
Sorrio, cá por dentro, e são afagos
Que a memória me dá, não dando nada
*
Os meus olhos, agora, são dois lagos
Onde se espelha o tempo e, consolada,
Nem vejo quanto o tempo fez de estragos
Ao longo desta longa caminhada
*
Não sei dizer porquê, mas, de repente,
Impõe-se-me, da ceia, o morno, o quente
Da braseira de cobre, sob a mesa
*
E, ainda sem saber se outrem o sente,
Acendo-me eu, inteira, internamente,
Num braseiro de humana natureza.
Maria João Brito de Sousa - 13.12.2016 - 14.52h
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