GLOSANDO VINICIUS DE MORAES
SONETO DO AMOR TOTAL
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, como grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo, de repente
Hei-de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes, in 'O Operário em Construção'
SONETO DO AMOR SAUDÁVEL
"Amo-te tanto meu amor... não cante"
mais alto este receio que me invade
de amor tirano que me prenda ou espante
o meu, que só se acende em liberdade...
"Amo-te a fim de um calmo amor prestante",
colaborante e que, em cumplicidade,
possa, ao lançar raiz, ser militante
da causa bem maior de uma amizade...
"Amo-te como um bicho, simplesmente",
no laço em que te abraço e não te ilude,
nem te quer prisioneiro ou dependente
"E de te amar assim, muito e amiúde"
decerto morrerei, mas não doente
do amor de que enfermei na juventude...
Maria João Brito de Sousa - 11.09.2015 - 14.46h
“Poder da mente”
ResponderEliminarO mal produz escuridão
Escuridão às vezes nevoeiro
Pode daí nascer a luz
Se o futuro fôr uma visão
Que nos ilumina primeiro
E cuja energia se produz
Contra o mal na nossa mente
Para lutar ferozmente.
Zé da Ponte
Somos nós que associamos,
EliminarNa nossa imaginação,
Algo de que não gostamos,
À profunda escuridão
Porque metaforizamos
E é da nossa condição
Ver a cegueira em que andamos
Negrinha como um tição...
Branca era a que Saramago
Engendrou no seu Ensaio
E sendo branca, fez estrago...
Lá teve as suas razões
Pr`á ver branca e, de soslaio,
Expor-lhe as tais (con) tradições...
Maria João
Cá vai, Poeta, com o abraço de sempre e já de saída para mais exames clínicos.
Que lindos!!! Um beijo enorme
ResponderEliminarObrigada, Fashion!
EliminarEstranhamente, muito estranhamente, mesmo, havia um erro na transcrição de um verso de Vinicius de Moraes, na minha glosa; o primeiro do primeiro terceto não estava correctamente transcrito, ainda bem que me ocorreu relê-lo!
Qual era o erro? Pareceu-me tão bem... muitos beijinhos e festinhas
EliminarEu ando a errar mesmo muito. e, desta vez, cometi um tremendo erro deontológico... inadvertidamente, claro. Agora está corrigido, mas estava mal transcrito, o primeiro verso do primeiro terceto do meu soneto-glosa, Fashion... penso que o que estava era "Amo-te sem medos, plenamente"... Nem consigo entender como cometi um erro destes, perfeitamente imperdoável... mas foi corrigido a tempo, graças ao seu comentário que me levou a reler o soneto original. Obrigada!!!
EliminarEnganos todos cometemos, não se preocupe. beijinhos
Eliminar.. tantos, tantos, cometo eu...
EliminarEsta conjugação da imensa vontade de criar, com as cataratas (tenho-as mesmo...) e com outras fraquezas físicas está a deixar-me triste... mas tarde ou cedo hei-de interiorizar estas incapacidades e hei-de moderar o meu ritmo. Já vi que tenho mesmo de o fazer, sob pena de fazer ainda mais e maiores asneiras do que as que já vou fazendo...
Outrobeijinho!