CONVERSANDO COM MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE IX
SAUDADE
A saudade chegou quando partiste
E trouxe a solidão gelada e fria
Feita flocos de neve, que persiste
Tornando a madrugada tão sombria
O luar transportou sentido e triste
O silêncio da voz que se queria
Mas, no sol que nasceu tu me sorriste
Porém de olhos fechados para o dia
Deixei teu nome esculpido de cobre
Na pedra negra e dura que te encobre
E da enorme paixão que te assolou
Deixei em bronze um busto de corcel
Sendo o teu companheiro mais fiel
Na memória feliz que me ficou
MEA
9/01/2016
FRAGMENTO(S)
Tive saudades, sim, que sendo humana
E não tendo, do Tempo, havido tempo
Para o que realmente o Tempo sana,
Em tempos, foi magoado o meu tormento,
Bem como dura a dor que ainda emana
Desta (in)sustentação que é meu sustento
Que quanto mais me of`rece, mais me engana,
Mais me transforma em folha solta ao vento,
Quando aspiro à raiz que, em terra plana,
Sobrevive, teimosa, ao turbulento
Dos sopros com que o vento inda me abana,
Das horas que me morrem num momento,
Dos anos que me fogem, por semana,
Deste jogo em que, inteira, me fragmento...
Maria João Brito de Sousa - 10.01.2017 - 11.08h
“Sentenças de nós”
ResponderEliminarSe não fosse eu, seria tudo
Mas perdido a anos-luz
Aqui tão perto, contudo
Onde nada me seduz …
Tenho o discurso absorto
Já a pena não rodopia …
Acaso não estarei morto?
Não, pois senão, não via!
Procuro outra dimensão
Perdida num copo vazio
Onde não sinto presença
Tenho quase a sensação
De andar num corrupio
Até que chega a sentença.
Não espero outras dimensões,
EliminarPorque esta, adimensional,
Tem tão grandes proporções
Que nem lhe encontro o final
E, tendo bastas razões
Para sabê-la abissal,
Sigo-a, ainda aos apalpões,
Mesmo sendo eu racional,
Sabendo bem que estou viva
E não tentando ir além
Daquilo que me cativa,
Quer me faça mal, quer bem,
Porque a razão não me priva
De tudo o que mais convém...
Maria João
Bom dia, Poeta! Cá vai o que me ocorreu escrever na sequência da leitura do seu sonetilho. Abraço grande!