MEMÓRIA(S) DO NÁUFRAGO-PERFEITO

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MEMÓRIAS DE UM NÁUFRAGO PERFEITO


*


 


Do vento que sopra, da proa que afunda,


Do mastro partido, do leme encravado,


De ouvir os gemidos do velho costado


Da barca que oscila, bojuda, rotunda,


*


 


Na crista da onda, no mar em que abunda


Escolho traiçoeiro que espreita, aguçado,


Escondido na espuma, submerso, acoitado


Em zona que a Barca julgava profunda...
*


 


De tudo me lembro, se bem que já esteja,


No tempo passado, submerso também


E seja esta imagem longínqua o que eu veja


*


 


Da Barca que afunda nos sonhos de alguém,


Apenas a sombra que passa e festeja


Não ser verdadeira, nem ser de ninguém.


*


 


 


Maria João Brito de Sousa - 11.01.2017 - 10.52h


 


 


Ao meu avô poeta, António de Sousa


*


(Soneto em verso hendecassilábico)


 

Comentários

  1. “Ondas de choque”

    Pensamento consumado
    Resultando numa acção
    Pensamento assassinado
    Quem o faz não tem perdão

    Não permitas o assassínio
    Deixa o pensamento fluir
    Brotando desse desígnio
    O que ele possa produzir

    Nos arredores desse efeito
    Serão muitos a aproveitar
    Ondas de choque brutais

    Não há um pensar perfeito
    Imperfeito será não pensar
    Morrer é não pensar mais.

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    Respostas
    1. Ondas alfa, ondas beta
      E ondas gama também,
      A seguir às ondas theta
      Que todo o cérebro tem...

      Em que onda é que um poeta
      Vai escrevendo? O que a mantém?
      Quando um poema completa,
      Que onda é que lhe sobrevem?

      Por causa de uma vizinha
      Que fez o tal EEG
      Fiz eu a pesquisazinha,

      Nem sei muito bem porquê
      Não foi procurar sozinha...
      Tudo bem, segundo crê.

      Mª João

      Aqui vai, Poeta, com o abraço grande de todos os dias!

      Eliminar

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