GLOSANDO PATATIVA DO ASSARÉ
O BURRO
Vai ele a trote, pelo chão da serra,
Com a vista espantada e penetrante,
E ninguém nota em seu marchar volante,
A estupidez que este animal encerra.
Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,
Sem dar uma passada para diante,
Outras vezes, pinota, revoltante,
E sacode o seu dono sobre a terra.
Mas contudo! Este bruto sem noção,
Que é capaz de fazer uma traição,
A quem quer que lhe venha na defesa,
É mais manso e tem mais inteligência
Do que o sábio que trata de ciência
E não crê no Senhor da Natureza.
Patativa do Assaré (1909-2002)
In "O Secular Soneto"
(osecularsoneto.blogsot.pt)
BURRO(S)
"Vai ele a trote, pelo chão da serra,"
Carregando no lombo a carga alheia,
Porque burro de carga não coxeia,
Nem quando em sujo lodo um casco enterra.
"Muitas vezes, manhoso, ele se emperra"
Causando ao dono enorme cefaleia,
Quando, na hora de voltar à aldeia,
Entenda ser demais quanto carrega...
"Mas contudo! Este bruto sem noção"
De que quem ganha a teima é o patrão
Que à chicotada o quebra, tarde ou cedo,
"É mais manso e tem mais inteligência"
Do que muito "finório" de aparência
Que nunca diz que não porque tem medo.
Maria João Brito de Sousa - 02.02.2017 -15.19h
Um chá.
ResponderEliminarVou vê-lo, Poeta.
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