GLOSANDO HELENA FRAGOSO III

perdi-me....jpg


 


PERDI-ME


 


 


Perdi-me nos abraços da saudade


Nos passos que me esquecem no caminho


Na escuridão que ensombra de verdade


O que restou do lar que era meu ninho...


 


Perdi-me nesta noite de ansiedade


Neste tempo desfeito, tão sozinho...


Sentindo a cada passo a realidade


Deste meu mundo triste...que adivinho.


 


Mas tento inda encontrar essa vontade


De vencer a tristeza que me invade


E luto no final do meu caminho...


 


Perdi-me nos abraços da saudade


Nesta triste e cruel realidade


Sentindo que por vezes já definho...


 


Helena Fragoso


 


 


ULTRAPASSAGEM


 


“Perdi-me nos abraços da saudade”,


Mas mesmo que a saudade me faltasse,


Ter-me-ia bastado a liberdade


Pedir-me que fosse eu quem a abraçasse…


 


“Perdi-me nesta noite de ansiedade”


E embora em minha cama pernoitasse,


Sonhei ser uma escrava que se evade


Das masmorras de fel que outrem criasse…


 


“Mas tento inda encontrar essa vontade”;


Onde hoje encontro só contrariedade,


Enfrento, dia e noite, o mesmo impasse…


 


“Perdi-me nos abraços da saudade”


Mas sobra-me esta dura realidade


E a esp`rança de que um sonho me ultrapasse.


 


 


Maria João Brito de Sousa – 25.05.2017 – 09.34h


 


 

Comentários

  1. “Razão da vida”

    Essa é a razão da vida
    Leva ao amor e ressurreição
    Pois a humanidade perdida
    Necessita da redenção

    Era numa longa avenida
    Que não tinha alcatrão
    A lição de amor recebida
    Foi além da compreensão

    Os carrascos incitados
    Pela tirania vigente
    Impuseram sua cruz

    Os do povo acobardados
    Sem extravasar sua mente
    Deixaram morrer Jesus.

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    1. Tanto quanto vou lembrando,
      Seu próprio povo o escolheu
      Pr`a morrer, pois foi clamando
      Que morresse esse judeu

      Pr`a que outro fossem salvando,
      Pois que outro lhes mereceu
      Um julgamento mais brando;
      Reza a História, que a li eu.

      Alguns, é certo, clamaram
      Pela sua salvação,
      Mas seus gritos se afogaram

      No clamor da multidão...
      Por sua escolha, o mataram
      Sem mostrarem compaixão.

      Maria João

      Bom dia, Poeta. Sei que a verdadade histórica não é muito fácil de apurar a esta distância no tempo, mas... segundo recordo, foi dado ao povo escolher entre Jesus e Barrabás, sendo que foi pela salvação deste último que o povo acabou por se manifestar .

      Um abraço grande para si e para toda a família.

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  2. Amiga,
    Sempre a sigo no BLOG para sentir os seus poemas que
    me dão luz e inspiração.
    Obrigado pelas mensagens poéticas!

    Adílio Belmonte,
    Belém-Pará- BRASIL



    CAMINHADA

    Vaguei pelos caminhos da saudade
    À procura do amor no infinito
    Que não posso encontrar nessa vaidade
    Do teu corpo sedento e bonito.

    As noites foram longas de insónias
    Em busca da saudade e do teu amor,
    Mas vivi em pesadelos e agonia
    Vendo na escuridão a minha dor.

    Rumo a aurora tive a luz do sol
    Pronta a aquecer a dor mais que profunda,
    Angústia que segue dia e noite.

    Eis surge uma estrela no arrebol
    Dando luz à saudade que me afunda,
    Levando-me ao temor num forte açoite.

    ResponderEliminar

  3. Dou mais um passo na caminhada anterior...


    CAMINHADA

    Vaguei pelos caminhos da saudade
    À procura do amor no infinito
    Que não posso encontrar nessa vaidade
    Do teu corpo sedento e bonito.

    As noites foram longas de insónias
    Em busca da saudade e do teu amor,
    Mas vivi em pesadelos e agonia
    Vendo na escuridão a minha dor.

    Surgindo a aurora tive a luz do sol
    Pronta a aquecer a dor mais que profunda,
    Angústia que me segue dia e noite.

    Eis surge uma estrela no arrebol
    Dando luz à saudade que me afunda,
    Levando-me ao temor num forte açoite.

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    Respostas
    1. Mais uma vez lhe fico muito grata, poeta Adílio Belmonte, por mais este soneto com que brindou o espaço de comentários do meu blog dos sonetos

      Com um fraterno abraço lhe desejo uma alegre e frutífera caminhada.

      Maria João

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  4. ONTEM E SEMPRE

    Pregaram-no na cruz
    Na terra dos Judeus,
    Império dos Romanos…
    Seu nome era Jesus
    E para muitos Deus.
    Passados dois mil anos,
    Quem são os centuriões
    E onde morrerá?
    Talvez no Golgota
    Com bomba de neutrões.
    E os seus executores
    De hoje, como então,
    Virão lançar poeira,
    Cantando-lhe louvores
    E hinos de paixão…
    E à sua maneira
    De assassinos natos
    Que o Mundo não enjeita,
    Benzendo-se com a direita,
    Farão como Pilatos!

    Eduardo

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    Respostas
    1. Mas antes e depois
      A mesma punição
      Foi dada a um milhão
      Não a um, nem a dois,
      Pois veio dos romanos
      Esse castigo extremo;
      Não foi obra de um demo,
      Foi obra dos humanos
      Que pr`a mostrar poder
      Sobre os seus inimigos,
      Engendrando castigos
      Os fizeram sofrer
      A dura humilhação
      Da crucificação
      Que a tantos fez morrer...

      Maria João

      Ainda que com muita dificuldade em teclar, não podia deixar de tentar responder-lhe em redondilha, Eduardo.
      Envio um muito, muito grato abraço.

      Eliminar
  5. “Descentrados”

    Olhei para o centro e vi
    Que já estava ocupado
    Desde esse dia entendi
    Que era ser descentrado

    Mesmo assim não resisti
    Tentei entender o postulado
    Que colocava alguém ali
    Com aquele ar preocupado

    Explicação não encontrei
    E teci uma nova teoria
    A que chamei cooperação

    Onde o centro descentrei
    Descentrados já não havia
    E repartimos a preocupação.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não sei de que centro fala,
      Mas ocorre-me pensar
      Que seja de um que se iguala
      Ao formato circular...

      Nunca me ocorre ocupá-la,
      Pois deduzo ser lugar
      Onde qualquer um se entala
      Sem se poder descentrar...

      Outros centros sei haver,
      Mas sendo algo descentrada,
      Nunca os tentei preencher,

      Nem lhes liguei mesmo nada,
      A não ser pr`ós entender
      Na conjuntura traçada...


      Maria João


      Bom dia, Poeta! Desculpe-me este sonetilho escrito ao sabor - e à velocidade...- do que fui "visualizando" enquanto lia o seu;. uma mera figura linear circular, foi o que me ocorreu, embora os braços continuem a ter muita dificuldade em escrever com a rapidez de outrora. Só agora, na segunda leitura, consigo discernir um pouco além dessa primeira impressão visual, mas deixo tal como está, para não quebrar esta tradição de responder-lhe "à flor da pele".

      Abraço grande!



      Eliminar
  6. “Mutiladas”

    Mas ninguém irá ouvir
    Esse grito de agonia
    Por alguém subtrair
    Muitas vidas num só dia

    E quando o pano cair
    Festa será de alegria
    Quem teve que decidir
    Fez aquilo que devia

    Mutiladas nunca serão
    Regras do poder moderno
    Que se joga sob um véu

    E aos alvos da mutilação
    Oferecem-lhes o inferno
    P’ra que não tenham o céu.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Infernos? Vivem-se tantos,
      Tantas vezes disfarçados
      Por subtis opacos mantos
      Habilmente camuflados,

      Pois vão sugerindo encantos
      E acabam desencantados,
      Trasformando-se em quebrantos
      Mal calhem ser levantados...

      De um céu, só sonhos lhes restam;
      Levantada a ponta ao véu,
      Descobrem males que os empestam

      Num mundo escuro de breu,
      Onde nem sonhos contestam
      Que esse inferno é mesmo o seu...

      Maria João

      Bom dia, Poeta. Não sabendo exactamente a que se referia, fui "deixando fluir", como sempre foi meu hábito quando "respondo" aos seus sonetilhos.

      Abraço grande!

      Eliminar
  7. “Porque sou humanidade”

    Este inferno que é meu
    Porque sou humanidade
    Onde alguém não percebeu
    Que ficou sem dignidade

    Seja religioso ou seja ateu
    Não compre essa verdade
    Seja da nobreza ou plebeu
    Não cerre olhos à atrocidade

    Não comprometa o desafio
    Ofereça esperança e amor
    Sem procurar recompensa

    Caminhe sobre as águas do rio
    Nessa verdade que sendo maior
    Se sobrepõe a toda a crença.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esta crise é bem real
      E não há como negar
      Que nos possa ser fatal
      Se o Homem se alienar...

      Fique em nós esse ideal
      De, com bom-senso, lutar
      Contra um mundo desigual
      Para quem nele habitar.

      Esp`rança, sim. Amor, também,
      Mas a ética, Poeta,
      Não deve ficar-lhe aquém

      Na luta por essa meta;
      Que ela não falte a ninguém,
      Ou fica a luta incompleta...


      Maria João


      Bom dia, Poeta! Cá vai, com o abraço de todos os dias!

      Eliminar

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