CALADA

CALADA.jpg


 Não mais me prende o Tejo e nem o mar,


De que ao longe vislumbro um quase nada,


Faz por manter-me alegre ou minorar


As penas de uma morte anunciada.





É tarde. É muito tarde pr`a sonhar


E quando um sonho vai, não sobra nada,


Ou sobra-me, acoplado ao que sobrar,


Este sentir-me presa e derrotada.





No entanto, criei. Se ousei criar,


Se fui rebelde, persistente, ousada,


Tive um tesouro e cabe-me aceitar





Ter sido pela musa abandonada,


Ter já perdido a força pr`a cantar


E a sorte de ir morrendo, assim, calada.








Maria João Brito de Sousa -08.06.2017 - 19.21h


 

Comentários


  1. Cara amiga,

    Seus sonetos inspiram o mais frágil dos poetas, cuja imaginação buscao amor.
    Saúde e muita paz!

    Adílio Belmonte,
    Belém - Pará - BRASIL



    CALADO

    Calado no silêncio noturno
    De tristes e profundos desenganos,
    Nos quais meus delírios soturnos
    Provocam os suspiros mais profanos.

    Talvez seja o meu tempo já passado
    Que vem nos pesadelos escondidos
    Deste meu coração bem devassado
    Por todos esses planos despedidos.

    Vivemos do silêncio sepulcral
    Dos filhos do desprezo em apuros
    Mas que ainda acreditam no amor.

    Nesse ambiente busco o meu astral
    Nos caminhos abertos e futuros,
    Despovoados num jardim sem flor.

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    Respostas
    1. Caro poeta Adílio Belmonte, mais uma vez lhe agradeço as palavras de apreço aos meus sonetos, bem como o seu, "Calado", que teve a amabilidade de trazer até ao meu blog.

      Retribuo os votos de saúde e paz.

      Maria João

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