INFILTRAÇÔES
INFILTRAÇÕES
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(Soneto em verso hendecassilábico)
*
Já chove e goteja na minha cozinha!
Dispenso-lhe, asinha, coisa que a proteja...
Um balde? Que seja! Mantenho-a sequinha,
sem uma gotinha, nem estragos... que eu veja...
*
Mas, por muito lesta que eu seja, vizinha,
sempre uma gotinha me escapa e rasteja,
se infiltra e graceja... ninguém adivinha
que, ao longe, se aninha nas zonas que eleja
*
E, dia após dia, vai-se acumulando,
mais gotas juntando, fazendo razia;
Por sempre ínvia via se esgueira, infiltrando
*
Pouco adiantando, vos garantiria
que vos saberia dizer como e quando,
mas, nem me escutando... por que é que o diria?
*
Maria João Brito de Sousa - 29.05.2016 - 13. 18h
“Reflexos de vaidade”
ResponderEliminarE chegados ao coliseu
Tudo ficou em equação
Aquilo que se prometeu
Não integrou a solução
Pois muito do que se deu
Não passou de circo e pão
No epílogo tudo ardeu
Excepto a formulação
Da forma de ser romana
Onde se faz jus ao critério
De ver os egos reflectidos
Espelho da vaidade humana
Que perdura além império
Em impérios renascidos.
Prof Eta
Equação não resolvida
EliminarÉ uma inútil excrescência;
Ou se resolve, ou é tida
Por humana incoerência,
Ou então é a da Vida
E há que vê-la à transparência
-sabendo que é desmedida-
Da razão e da ciência...
Pesquisar ,eis a função
Desta humana condição
Na qual nos coube nascer,
Pois sendo seres "de razão"
Só racionalização
A poderá resolver...
Maria João
Bom dia, Poeta! Aqui vai com o abraço de sempre!
“Meditação”
ResponderEliminarEm uníssono meditar
Sobre a nossa condição
E quem sabe encontrar
Uma nova direcção
Ou pelo menos alertar
P’rós perigos qu’advirão
Se a cabeça não escutar
Os impulsos do coração
E a humanidade se centrar
Nos propósitos da razão
Justificativos dos meios
Que nos estão a asfixiar
Sem procurar solução
P’ra travar os devaneios.
Conseguida essa aliança
EliminarEntre mente e coração,
Abre-se a porta da espe`rança
Pr`á verdadeira razão
E a humanidade avança
Nessa sua condição,
Indo até aonde alcança,
Desde que haja reflexão...
Não creio ser a razão
A causa desta "babel",
Mas o excesso de emoção
Que tudo leva em tropel,
De tropeço em tropeção
Até transformar-se em fel...
Maria João
Bom dia, Poeta. Sei que, por força das circunstâncias, tenho estado em "reclusão", mas não vejo a racionalidade como a causa das nossas humanas misérias. Muito pelo contrário, tenho visto a emoção desenfreada ser muito mais danosa do que ela .Bem sei que os conceitos -todos eles, exceptuando os mais básicos... - divergem ligeiramente de pessoa para pessoa e quando menciono a racionalidade posso não estar a referir-me exactamente à mesma coisa que deu origem ao seu sonetilho... repare, por favor, que a esmagadora maioria dos grandes crimes que são cometidos, quando bem analisados, têm raízes passionais. Não parece? Pode não parecer, assim, à primeira vista...mas assim é.
Abraço grande!
“Impérios”
ResponderEliminarO desprezo pela vida
E o amor ao dinheiro
São a casa de partida
P’ra matar o mensageiro
A mensagem é preterida
Mais vale um conselheiro
Com conselho à medida
P’ra branquear o atoleiro
Os impérios claudicaram
Muitos outros claudicarão
E logo outros se seguem
Pois jamais dominaram
Esta humana propensão
Ainda que muito o neguem.
Prof Eta
Reina o império do; Faz,
EliminarSem saber se mal,ou bem!
Desde que sejas capaz,
Faz! Vai-te tornando alguém!
Se a razão não te traz paz
E a dedução não convém,
Pensa de forma fugás,
Nunca penses mais além,
Pois se pensar não te apraz,
Porque tentas ser audaz
Onde o não é mais ninguém?
Sê operário, ou capataz,
Menino,velho, ou rapaz...
Desde que brinques, porém.
Maria João
Bom dia Poeta.
Isto que me foi nascendo ao dorido correr das teclas, não é um conselho meu; é aquilo que me parece poder ser um conselho de um império coerente com o seu "estatuto" e interesses.
Aqui vai com o abraço de sempre.
“Naturezas”
ResponderEliminarArde ainda o meu coração
Não sendo o fogo do amor
Mas antes de consternação
Por tanto irmão arder de dor
Sem encontrar a explicação
Onde explicam tanto rumor
Incrédulo com esta situação
Nela apenas vejo o horror
Assumido como inevitável
Digno do verdadeiro autor
A natureza toda soberana
Que não sendo governável
Pode ter como seu mentor
A própria natureza humana.
A desertificação
EliminarDo Portugal interior,
Não foi tida em atenção
E, do mal, deu-se o pior;
No céu, ribomba o trovão,
Vibra o raio e, em redor,
Está seca a vegetação
Que é rastilho deste horror...
Logo um tronco em combustão
Se fragmenta em mil pedaços,
Em mil fagulhas que irão
Acender novos fogaços
Em cada palmo de chão
De outros milhentos espaços...
Maria João
Bom dia, Poeta. Segue triste, o meu sonetilho, mas com o abraço de todos os dias.
“Se fossemos”
ResponderEliminarSe não morremos queimados
Morreremos de exaustão
Pois estamos rodeados
De parvos que o não são
Até à medula massacrados
Por doutores na televisão
Sairemos todos doutorados
Quer nós queiramos quer não
E assim vamos evoluindo
Sem que haja evolução
Nesta desconjuntura total
Vejo a esperança fugindo
Quando a teríamos na mão
Se todos fossemos Portugal.
Prof Eta
"Silly me, silly us..."
EliminarPois, os parvos somos nós
Que vamos atrás do "show"
E corremos para a foz
Sem perguntar; - Onde estou?
No moinho, rodam mós
Que algum vento impulsionou
E, às vezes, ficamos sós
Recordando o que passou,
Não mais do que uns simples pós,
Estrias que a vida lavrou
E uma memória repôs
No momento em que o lembrou,
Hilariante ou atroz
Conforme a nós nos marcou...
Maria João
Boa tarde, Poeta.
Continuo em "baixa criativa", mas não me foi nada difícil responder a este seu sonetilho.
Um abraço grande para si e para toda a família.