DEPOIS DA MARÉ-CHEIA...
DEPOIS DA MARÉ CHEIA
*
Que faço de um poema que não pinto,
Nem burilo, polindo-lhe as arestas?
Que faço ao que me escapa pelas frestas,
Daquilo que não vejo ou que não sinto?
*
Que faço, já que eu própria me desminto
Pois vou desperdiçando em mornas sestas
As horas de criar, quando em giestas
Podendo transmutar-me, o não consinto?
*
Ah, toda a minha vida andei correndo
E agora repouso, compreendo...
Mas pudesse eu correr como corria
*
E garanto que, ainda que morrendo,
Seria mais veloz, menos doendo
Depois da maré-cheia, outra, vazia.
*
Maria João Brito de Sousa – 11.08.2017 – 11.40h
“Telheiros II”
ResponderEliminarNós pensamos sem sentir
São as coisas da razão
Mais difícil é o medir
Com métricas do coração
Mas não há como fugir
Aos efeitos da devastação
Que nos estão a atingir
Quer queiramos quer não.
Não te perturbe o telheiro
Que a telha já lá estava
E o pensamento fluiu
Chegou todo sorrateiro
Quando a mente se fechava
E logo a mente se abriu.
Eu penso enquanto sentindo;
EliminarMas... quando tento explicá-lo
Vão-me as palavras fugindo
E as mais das vezes me calo...
Outras vezes, repetindo
Coisas que digo se falo,
Lá o irei conseguindo,
Sem poder, depois, prová-lo...
Quanto aos telheiros... não sei...
Será que telhas terei
Pr`a dar conta de um telheiro?
Inda há pouco as procurei,
Mas na loja em que as achei
Custavam muito dinheiro...
Maria João
Boa noite, Poeta. Hoje fui de novo "raptada" por uma amiga que escreve - e bem! - essencialmente prosa. Almocei e lanchei por lá e só há pouco me vieram trazer a casa, de carro.
Ao contrário do que a minha escrita possa fazer parecer, estes últimos dias não têm sido nada fáceis para mim... abraço grande.
“Aprender a voar”
ResponderEliminarTens o aqui e o agora
Como grande limitação
Nada impede saltar fora
Não tens uma imposição
Esquece a lei que vigora
Entra noutra dimensão
Logo a alma se revigora
Não te quebre a solidão
Teu limite o pensamento
Molda-o até à exaustão
Sentirás algo a despontar
Sobe alto no firmamento
Liberdade será a expressão
De quem aprendeu a voar.
Não me quebra a solidão,
EliminarQuebra-me esta dependência
De, não ter um corpo são
E disso ter consciência,
Pois não me falta razão,
Nem um pouco de imprudência...
Solidão, minha paixão,
Meu motor face à carência,
Nunca foi desilusão,
Transcende a própria aparência
E traz-me esta inspiração;
Verso em perfeita cadência,
Nasce da transformação
Da Poesia em Ciência...
Maria João
É mais ou menos isto, o que realmente sinto e deduzo que acontece comigo quando crio poesia, Poeta, desde que me deixei apaixonar, em 2007, pela poesia metrificada... ela flui, como uma melodia, não ando a contar-lhe as sílabas, nem a medir-lhe os espaços entre átonas e tónicas porque tudo isso foi, há muito, interiorizado e já faz parte mim...
Outro abraço grande!
Amiga, inspirado por Deus e também por sua poética desejo-lhe muita saúde, paz e amor e me aventuro em mais um soneto.
ResponderEliminarMARÉ-CHEIA
Ao lavar as entranhas das areias
Da praia em solidão, vê-se as ondas
Do mar já bravio em águas profundas
Habitadas por peixes e sereias.
Não quero mergulhar nas tuas cores,
Mas sentir o impacto dos teus sais,
Que curam os tormentos das dores
E de muitos sintomas anormais.
O impacto e a fúria me atormentam
O coração por força das marés
Ao levar o meu corpo e trazer calma.
Sobre o universo sempre nos comentam
Os enviados na cura de revés
Que trabalham p'ra salvar a nossa alma.
Muito grata por esta sua MARÉ-CHEIA, poeta amigo!
EliminarUm grande e fraterno abraço!
“Assertivo”
ResponderEliminarInconsciente a inspiração
Diz o sensei com certeza
Potência virá da expiração
Desenhada com subtileza
Rapidez é na preparação
O final exige destreza
P’ra não haver destruição
Do que se quer com beleza
E tudo na justa medida
Em função da necessidade
Onde cada um sem vaidade
Deve praticar uma vida
Em busca da assertividade
Que anule a animosidade.
Prof Eta
Faltam já poucos segundos
EliminarPr`a sair para a consulta...
Passo a vida entre dois mundos
E, se falto, apanho multa!
São,alguns, pouco fecundos;
Gente que apenas se insulta
Deixa ferimentos fundos,
Mas, a mim, alguém me ausculta,
Mede a TA, pesa e pica
Pr`a ver se a maleita fica
Por ali, ou piorou...
A vida, estica, não estica,
Neste caso, significa
Que eu ainda por cá estou.
Maria João
Cá vai com um abraço grande, Poeta!