GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - Poetas
QUERIA SER POEMA
Queria ser poema, não poeta
Poema que espalhasse afecto e amor
Por todos os recantos do planeta
Onde se dita a guerra, se faz dor
Poema que escorresse da caneta
De qualquer presidente ou ditador
Que ao assinar metesse na gaveta
Tal decreto com fim exterminador
Queria ser poema no luar
Para poder à noite iluminar
Quem nada tendo dorme na calçada
Poema só com versos de amizade
De alegria, prazer felicidade
Lidos em cada triste madrugada
MEA
14/08/2017
UNOS, AINDA QUE SÓS
“Queria ser poema, não poeta”,
E tantas, tantas vezes o sonhei
Que acabou por ser essa a minha meta
Quando, ao último verso, enfim cheguei.
“Poema que escorresse da caneta”
Como sangue da carne em que o gerei,
Que me deixasse grávida e repleta
Do tanto que perdi quando me dei.
“Queria ser poema no luar”,
Ou verso apenas, sob a luz solar,
Mas sempre sob um sol de todos nós.
“Poema só com versos de amizade”
Que nunca nos negasse a liberdade
De sermos unos, mesmo estando sós.
Maria João Brito de Sousa – 23.08.2017 – 10.21h
(Imagem retirada do Google)
“Bombas e munições”
ResponderEliminarBomba atómica não me seduz
Amo as munições tracejantes
A primeira a zero nos reduz
Outras só em rastos flamejantes
Arte da guerra a isto conduz
E já nada será como dantes
Pois há muito não se produz
Granada de gases hilariantes
Aí punham o pessoal todo a rir
Até fechavam portão da guerra
Por volta da hora de almoço
Agora já não se pode sequer sair
Têm que se deitar todos por terra
E esperar que passe o alvoroço.
Prof Eta
Penso noutras munições
EliminarBem mais argumentativas,
Não perfuram corações,
Nem destroem coisas vivas.
Tem, a arte, outras opções
Que são bem mais produtivas;
Disparam, mas sem explosões
Explodem, mas sem ter ogivas
E as granadas defensivas
Produzem detonações,
Mas apenas auditivas...
Cá tenho as minhas razões,
Que serão definitivas,
Caso não surjam traições.
Maria João
Bom dia, Poeta! Cá vai, com o abraço de todos os dias e de cavilha despoletada.