GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - LUAS...

Le Berceau - Berthe Morisot.jpg


 


NA PENUMBRA PINTADA PELA LUA


 


 


É teu corpo um soneto que imagino


Que escrevo tantas vezes e, adormeço


No verso que o percorre peregrino


Por curvas e caminhos que conheço


 


Outros versos me levam ao destino


Quando as horas me acordam e te peço


Que completes um tal verso ladino


E dês ao meu poema recomeço


 


Na penumbra pintada pela lua


Crescem versos da rima quente e nua


Que fazem a beleza dessa escrita


 


Sem haver da manhã sequer vislumbre


Declamo cada verso com deslumbre


Quando de mim se abeiram em visita


 


 


MEA


23/10/2017


 


************


 


NUM RECANTO QUALQUER DO MEU PASSADO


 


 


“É teu corpo um soneto que imagino”


Recolhido num berço, eternizado


Pela minha memória, meu menino,


Num recanto qualquer do meu passado.


 


“Outros versos me levam ao destino”


Desse bercinho em mim cristalizado,


Mas sempre que te evoque, pequenino,


Estarás presente, embora em tempo errado;


 


“Na penumbra pintada pela lua”,


Abres porta e sais comigo à rua


Num gesto rotineiro e natural.


 


“Sem haver da manhã sequer vislumbre”,


Espero que o sono volte e me deslumbre,


Passando, em vez de sonho, a ser real...


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 23.10.2017 – 17.05h


 


 


Imagem - "Le Berceau", Berthe Morisot


 

Comentários

  1. Só quem sabe
    assim escreve
    nos desejos de um feliz dia..

    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom dia, Anjo!

      Pela parte que cabe à minha glosa, obrigada pelas tuas palavras!

      Desejo-te uma feliz terça-feira!

      Beijinhos

      Eliminar
    2. Olá, Anjo! Dia complicado, por aqui... desculpa-me o atraso.

      Que tenhas, hoje, uma feliz noite!

      Eliminar
  2. “Ler a mente”

    Tenta ler a humanidade
    Lendo tua própria mente
    Rejeitando a opacidade
    Que se atravessa na frente

    Busca somente verdade
    Afastando a quem mente
    Mas reconhece a realidade
    Onde a mentira vigente

    Disputa com teu saber
    Uma ignorância garantida
    Própria do tempo actual

    A todos tenta convencer
    Da sua verdade assumida
    Como única e universal.

    ResponderEliminar
  3. Sempre a li, tendo presente
    Desde a minha mocidade,
    Dif`rir, de mente pr`a mente,
    Esta imensa humanidade;

    Crêem, uns, em toda a gente,
    E, outros, nem na verdade...
    Uma, cala-se e consente,
    Outra, grita; Liberdade!

    Todas vão seguindo em frente
    Mesmo que a calamidade
    Venha ferrar-lhes o dente,

    Pois sempre uma se lhe evade
    E, tal qual como a semente,
    Retorna à normalidade.


    Maria João

    Cá vai, com o abraço de sempre e desejando que se encontre bem de saúde.
    Tive um dia complicado, hoje. Só agora pude parar um bocadinho e, a esta hora, já não tenho boa luz na sala... mal vejo o que escrevo e levo uma eternidade a escrever cada palavrinha...

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas