SONETO A PRETO E BRANCO
Escuridão que te exaltas, arrojada,
no sincelo da carne em que me sou,
mesmo quando de meu não tenho nada,
por mais que nada seja o que te dou,
Tens sido sempre a cor da minha estrada
e a noite que os cabelos me enfeitou
quando ao longo da longa caminhada,
nela cresci e o mais me abandonou.
Se és ausência de cor, o que me importa?
Serei da mesma cor, que dizem morta,
mas amo a Vida mais do que ninguém
E afirmo que nenhuma cor conforta
tanto quanto este negro que recorta
palavras sobre o branco que as contém.
Maria João Brito de Sousa – 09.10.2017 – 12.07h
Chá fez.
ResponderEliminarBom dia, Poeta! Vou já ver o que fez o Chá!
EliminarCom admiração e cumprimentos desse humilde admirador dos belos versos escritos pela nobre poetisa, atrevo-me a dizer palavras versificadas em soneto.
ResponderEliminarAdílio Belmonte,
Belém-Pará-Brasil
NEM PRETO NEM BRANCO
Não sei como ler frases de retratos
Mostrados para mim em tua nudez,
Testemunha fiel desses distratos
De um amor sem pudor nem polidez.
Muitas vezes procuro o escuro,
Mas vejo ainda tudo bem mais claro
E a luz me ofusca sempre no obscuro
E o meu profundo amor já te declaro.
A noite espraia sua escuridão
E nós, bem à distância, à espreita,
Vivemos solitários na vaidade.
Já há tanta emoção no coração
Que não suporto tal fugaz desfeita
É assim fico sofrendo de ansiedade.
Fico-lhe muito grata por mais este bonito soneto, poeta amigo Adílio Belmonte e partilho consigo a magia de infância a que o preto e branco invariavelmente me transportam, uma vez que dois dos admiráveis artistas plásticos que frequentavam a casa em que cresci, em Algés, produziram , junto à menina que eu então era, dezenas de originais, ora a carvão, ora a tinta da China; eram eles o Manuel Ribeiro de Pavia e o Júlio, irmão do José Régio.
EliminarO meu grato e fraterno abraço.
Maria João