ENAMORAMENTO

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ENAMORAMENTO



(Soneto em verso hendecassilábico)


*





Subindo do fundo da soma impossível


de duas constantes sem sombra, nem sol,


coberto de neve qual alvo lençol,


movendo-se agora, conforme o desnível,


*





Já cresce que cresce, embora invisível,


algo que mal vejo, talvez um atol,


talvez – pressuponho - um simples farol


no centro improvável de um mar mais sensível...


*








Será um poema que ao longe me chama,


ou mera faísca que brilha e me inflama


o sangue e as mãos... e por dentro e por fora?


*





Ah, seja o que for que assim se me imponha,


vou já dar-lhe troco pois não me envergonha


crer que outro soneto de mim se enamora.


*








Maria João Brito de Sousa – 22.02.2018 – 09.00h


 

Comentários

  1. “Razão sanitária”

    Uma inteligência artificial
    Dotada de sentimento
    Ainda não é coisa banal
    Vai sê-lo neste momento

    Temperada ao natural
    Amassada com fermento
    Leva uma pitada de sal
    Vai cozer em fogo lento

    Reparte-se por todos os seres
    Dos confins da humanidade
    Sem manuais de instrucção

    Programa-se nela os deveres
    Elimina-se a diversidade
    E cria-se a sanitária razão.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Ah... se há tanto ser humano
      Que nem sentir sabe, ainda,
      Isso deve ser engano;
      Pode até ser muito linda,

      Num segundo, andar um ano,
      Ter uma memória infinda
      E operar sem causar dano,
      Mas... sentir? Não se deslinda...

      Damásio... que dirá ele?
      Que a IA sente na pele
      Aquilo que eu sinto agora?

      Ou, muito pelo contrário,
      Pensa que só um otário
      Crê nas lágrimas que chora?

      Maria João


      Bom dia, Poeta. Acredito que a IA possa desenvolver uma capacidade de raciocinar muito, mas mesmo muito superior à do ser humano, mas não me parece que venha a ser capaz de sentir... falta-lhe o genomazinho animal. Ser um artefacto raciocinante não faz dela um ser racional... mas fico aberta a novos argumentos.

      Abraço grande.

      Eliminar

  2. dizer que gostar é como bajular
    mas eu
    acredito no teu versar
    e assim
    deixo o desejo de uma bela noite sossegada
    regeneradora
    num sono encontrado e descansado...

    Beijinhos de aqui dos Comboios fantasmas
    da Beira Interior e dos Calhaus

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    Respostas
    1. Fico contente por gostares e por acreditares no meu versar, Anjo.

      Obrigada e que tenhas, também, uma noite feliz e repousante

      Beijinhos daqui, do estuário do Tejo

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    2. Estuário que a esta hora
      será deslumbrante
      nas auras de luzes e Luar

      Beijinhos e uma feliz noite de encanto

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    3. Ah, nem a propósito,Anjo; acreditas que , por causa da porcaria das cataratas, vejo três luas todas desfocadas quando olho para o céu? Pois olha que é verdade...
      Via o estuário antes de construírem estas enormes torres do centro comercial. Agora só vejo um nadinha de mar...

      bjinhos

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    4. A luz de um bom dia ajuda
      portanto
      um bom e feliz dia e fim de Semana também

      Beijinhos de aqui dos Calhaus

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    5. Por detrás das torres, o sol vai dando um arzinho da sua graça...

      Em princípio, não estarei em casa no fim de semana e não terei acesso a nenhum computador.

      Bjinhos e um bom fim-de-semana para ti, Anjo

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  3. Cara amiga,


    Dia a dia a poetisa, nessa profunda arte de belo poetar, impõe-se sobre temas, sonhos e realidades que nos alimenta e fortalece o espírito.
    A originalidade desse soneto não admite glosa, mas SOMENTE encômios.

    Adílio Belmonte,
    Belém - Pará - BRASIL

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    Respostas
    1. Muito obrigada pela leitura e pelas gentis palavras com que brinda o meu soneto, poeta amigo Adílio Belmonte.

      Para si e todos os seus, um abraço poético e os votos de um excelente fim-de-semana.

      Maria João

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