ALICE

digitalizar0132.jpg


 


ALICE
*
(minha avó paterna)
*


 



Amei-te tanto, tanto, minha avó!


Louvavas-me os “murais” da grande sala


Quando com doce e modulada fala


Me garantias: - “Nunca estarás só,


*


 



Transbordas vida até chegar ao nó


De quanto em ti se exalta e vibra e estala!”


Depressa em meu ouvido a voz se cala,


Que quem assim me fala há muito é pó...
*


 


Eras, Alice, a minha avó paterna,


Mais maternal que muitas ternas mães,


E quando percebi não ser eterna
*



A tua voz, a voz que já não tens,


Doeu-me tanto, que hoje ergo a lanterna


Pra sondar céus e Terra, a ver se vens.
*


 



Maria João Brito de Sousa


26.07.2018 – 17.59h
***


 

Comentários

  1. Rica homenagem,existem pessoas que deviam ser eternas na nossa vida,aliás,toda a gente boa devia ser eterna,beijinhos,excelente fim-de-semana!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Alice, muito, muito próxima da figura materna, partiu mais jovem do que eu sou agora; tinha sessenta e um anos quando um AVC ma levou.

      Eu tinha onze. Foi a minha primeira grande dor, a minha primeira grande ausência.

      Beijinhos e um bom fim-de-semana, Luciana.

      Eliminar
    2. Com 11anos na altura,deve ter sido difícil de suportar,acredito que sim,
      Obrigada pelos votos de bom fim-de-semana!!

      Eliminar
    3. Foi. Para mim e para todos nós, sobretudo para o poeta António de Sousa, seu marido. Nunca mais houve tertúlias naquela casa. Tudo mudou. Passou a haver um fosso entre períodos. Havia a vida com Alice e a vida sem Alice. Para toda a família e amigos.

      Tudo mudou muito rapidamente.

      Eliminar
  2. Assim é a vida
    recordações e recordações após a partida...

    Bom e feliz dia
    assim como um melhor fim de Semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Bom dia, Anjo!

      Que essas recordações nos impulsionem sempre no melhor dos sentidos!



      Beijinhos e bom fim-de-semana!

      Eliminar
  3. “Projecto de lei”

    “E é assim que sigo em frente”
    Marcha a ré faço também
    Nada me parece diferente
    Do que avisto mais além

    Deduzir constantemente
    Eu deduzo mais de cem
    E a dedução infelizmente
    Tanto deduzi, ficou sem

    Demais, sei que nada sei
    De menos, vou querer saber
    Com conta, peso e medida

    Espero pelo projecto de lei
    Que albergue todo o ser
    Antes e depois desta vida.

    Prof Eta

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Projecto (Des)leal


      "Antes e depois da vida",
      Se essa mudança de estado
      Puder ser compreendida
      Por alguém, em qualquer lado,

      Sempre há-de ser aprendida
      Qualquer coisa... um só bocado,
      Melhor que a melhor bebida,
      É pra ser saboreado.

      Posso mesmo garantir
      Que nada sabe melhor
      Que aprender e produzir

      E que, seja como for,
      Nascemos pra deduzir,
      Construir e pressupor.

      Maria João

      Bom dia, Poeta!
      Cá vai, enquanto não saio por motivo de força maior, claro. Abraço grande!


      Eliminar
  4. Bom fim de Semana
    e um feliz dia desejo eu também

    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Feliz fim-de-semana, Anjo!

      Hoje faz um solzinho bem bonito, por aqui...

      Bjinhos

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas