FERA E DONO

FERA E DONO
*
Tu estavas de joelhos frente à fera,
Ao monstro que rugia e que rosnava.
Na tua face impávida, severa,
Nem sombra de temor se adivinhava.
*
A morte, ali, espreitando, à tua espera
E cada gesto teu a ignorava,
Como se protegido pela esfera
De um aço que a vontade em ti forjava.
*
- A fera é o Soneto!, afiançaste.
Não soube se o domaste, ou não domaste,
Porque a noite caiu. Fiquei com sono.
*
Fui-me deitar. Ainda vislumbrei
Em sonho os vossos vultos, mas não sei
Qual de vós dois passou de fera a dono.
*
Maria João Brito de Sousa – 16.07.2018 -13.06h
“Amores”
ResponderEliminar“Vem de ti, salta pra mim,
Vem cear à nossa mesa.”
Desde logo é um festim
Evento de rara beleza
Mas as coisas são assim
Podemos ter a certeza
Quano o jazz é de cetim
Fica nossa atenção presa
Congrega muitos saberes
Congrega todas as cores
Congrega um mundo inteiro
Vale a pena correrres
Atrás de muitos amores
Mas não há como o primeiro.
"Mas não há como o primeiro"
EliminarDos sonetos que escrevi
De repente e por inteiro,
Num dia que já esqueci.
Há-de vir o derradeiro,
Mas não fico por aqui
Que o que digo é verdadeiro
E ao escrevê-los não menti.
Ah, coubesse todo o mundo
Neste mar de que me inundo
Quando chega a maré-cheia,
Mais não seria que ideia;
Sucedâneo de sereia
Nas varandas do Dafundo...
Maria João
Bom dia, Poeta! Cá vai, com o abraço de sempre!