SOMBREADO A GIZ

ESBOÇADO A GIZ.jpg






SOMBREADO A GIZ


*





Pus-te as malas à porta. Fiquei nua


Na fria solidão do hall de entrada


Quando, nu, caminhaste pela estrada


Que se estendia além da nossa rua.


*


Lá longe, um barco velho, uma falua


Desfeita em claridade enevoada,


Compunha aquela tela inusitada


Prolongando uma sombra, que era a tua.


*


Alguém pintou o quadro. Eu nunca o fiz.


Destes traços serei mero aprendiz,


Que noutros fui esboçando o que encontrava


*


Nas águas do que quis, quando o não quis.


Larguei o lápis, sombreando a giz


As sombras que outra barca projectava.








Maria João Brito de Sousa – 12.07.2018 – 12.33h


 


 

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