SONETICÍDIO

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SONETICÍDIO


*





Diz-me Manoel de Barros que do lixo


Brota tudo o que serve a poesia.


Eu, que poeto e que também sou bicho,


Aplaudo essa ostensiva (alter)grafia.


*


Depois, sentada neste meu cochicho,


(sobra-me entulho nesta casa fria)


Observo o ´bric-à-brac` e chego ao nicho


Duma verdade oculta, que eu nem via;


*





Sendo mestra em fazer coisa nenhuma,


Rainha dos coxins de sumaúma


E artesã do que houver de mais inútil,


*


Dedico-me à palavra. Uma por uma,


Rejeito as que não tenham peso-pluma


E rasgo as de aparência menos fútil.


*











Maria João Brito de Sousa – 14.07.2018 -18.44h





 

Comentários

  1. E tudo sai
    tudo se diz
    sem ferir seja que nariz

    Bom e feliz dia

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  2. “Digam à malta”

    Se faltar não vou sentir
    Minha falta certamente
    Digam à malta a sorrir
    Não suporto a triste gente

    Dando o dito por não dito
    Eu por aqui vou ficando
    Mas tristezas não permito
    Digam à malta chorando

    Que chorando de alegria
    Tristezas vão afastando
    Digam à malta pensando

    Se vier triste o novo dia
    Digam à malta gritando
    Vão de alegria cantando.

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    1. Sim, passo palavra à malta,
      Conforme me foi perdido
      Mas quando a si não faz falta,
      Fará falta a algum amigo

      E embora fique ao abrigo
      Do que entre amigos se exalta,
      Fique então, fique consigo,
      Onde a dúvida o assalta.

      Se a malta afasta a tristeza
      E se encharca de alegria,
      Direi, com toda a certeza,

      Que por falta de energia
      Não estará connosco à mesa,
      Mas... se pudesse estaria!

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Cá vai, como sempre, aquilo que me ocorreu escrever, sem tempo para reflectir. Abraço grande!

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  3. Enquanto isso neste meu Brasil vive-se em clima de poeticídio. Não há no século XXI poetas no Brasil. Não sei se por falta de inspiração dos que versificam ou pela ausência de dom ou mesmo por simples promiscuidade.
    Para um país que já teve uma plêiade de poetas hoje somos órfãos dos grandes sonetos, das elegias, das trovas e até de versos brancos. Exceções há, mas são tão raras que não comportam menções e uma pergunta se faz: O que há neste século com os nossos corações? Não sei. Estamos num mundo de divagações.

    António Ferreira,
    Belém -Pará - Brasil

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    1. Estamos numa época de mudança, mas de uma mudança bem mais acelerada do que todas as grandes alterações cíclicas anteriores.

      Tanto no Brasil, quanto em Portugal, se têm erguido, ao longo de séculos, vozes que temem pelo futuro da Poesia.

      O Soneto resistiu sempre e eu acredito que continuará a resistir, sempre com renovado fôlego.
      Está a passar, sem dúvida, por um período que lhe não é nada favorável, mas vai sobreviver!


      O meu fraterno abraço!

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  4. Faço aqui este quarteto em mistério,
    Pois vejo a ausência de poetas
    Que talvez já estão no cemitério
    Em tumbas mal floridas e desertas.

    António Ferreira
    Belém - Pará - Brasil

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    1. Em tumbas mal floridas e desertas
      Muitos poetas jazerão decerto
      Que a morte chega a horas sempre incertas
      E faz, de um chão florido, um chão deserto...

      Maria João Brito de Sousa

      Oeiras - Portugal

      Muito obrigada, poeta amigo António Ferreira. O meu abraço!

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