CONFRONTOS

Cegonha-com-Bebe.jpg


 


CONFRONTOS


*





Nascem versos a torto e a direito;


Aonde o dedo pouse, o verso emerge,


Inexplicado, urgente e com defeito,


Ou sem defeito, quando em som converge.


*


 


De carne, sangue e nervos sendo feito,


De nervos, sangue e carne não diverge


E pulsa-me nas veias que são leito


Do mesmo sangue que este corpo asperge.


*


 


Nascem-nos versos sem pedir licença;


Virámos costas, demos-lhes dispensa


E, de repente, sem nos darmos conta,


*


 


Nasceu mais um... mais um que, em rebeldia,


Se impõe, nos contradiz, nos contraria,


Nos conquista a vontade e nos confronta.


*


 





Maria João Brito de Sousa – 21.08.2018 – 18.50h








Na sequência da leitura do soneto NASCEM VERSOS, de MEA


(escrito à pressa. Pode conter erros ortográficos, sintáticos, métricos ou tipográficos)

Comentários

  1. “Persistência”

    Hoje nasceu o imperfeito
    Do meu perfeito reflectir
    Isso deixou-me desfeito
    Pois inverteu-me o sentir

    Meu ser mais rarefeito
    Não sabe p’ra onde ir
    Nascera assim perfeito
    Estava agora a deflectir

    Procurar outra existência
    Não parecia uma opção
    Dar o corpo à desistência

    Também não foi a solução
    Vivi sempre a persistência
    Da minha perfeita ilusão.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Persistência II


      "Da minha perfeita ilusão"
      Nasce o verso,inda a vagir...
      Depois, mais versos virão,
      Muitos mais,logo a seguir,

      Rumando na contra-mão
      Desse imperfeito existir,
      Sem terem a compaixão
      De me pedirem pra vir...

      São versos que a compulsão
      Impõe à própria razão,
      Sem a razão consentir.

      Não lhes sei dizer que não,
      Tão forte é a tentação
      De podê-los traduzir...

      Maria João

      Outro abraço grande, Poeta!

      Eliminar
  2. “Caravela”

    “De podê-los traduzir...”
    Sem que houvesse tradução
    Contudo podia-se sentir
    Os ecos do coração

    O pulsar fazia-se ouvir
    Alma sobrepunha à razão
    Sem saber para onde ir
    Polvilhada dessa emoção

    E ao longe a caravela
    Com carga de especiaria
    Sobrepunha-se ao luar

    Nunca soube o nome dela
    Tão pouco se existiria
    Mas o odor ficou no ar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Jangada

      "Mas o odor ficou no ar";
      Seria lugre ou falua?
      Quis deitar-me a adivinhar,
      Procurei-a em cada rua,

      Em cada braço de mar,
      Procurei-a até na lua,
      Mas nunca a soube encontrar,
      Nem que barcaça era a sua...

      Talvez fosse uma canoa
      Que ao passar junto a Lisboa
      Me deixasse essa ilusão,

      Ou talvez uma jangada
      Pelas ondas embalada,
      Fosse a sua embarcação...

      Maria João


      Cá vai, com outro forte abraço, Poeta!

      Eliminar
  3. Só deixar o desejo de uma bela e feliz noite
    que ainda estou práqui afogado
    no Windows 10

    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Boa sorte com o Windows 10, Anjo. Eu ainda estou com o 8 , mesmo sabendo que qualquer dia fica desactualizado...

      Serena noite para ti

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas