O SONETO E EU

O SONETO E EU
*
Desde a mais tenra tenra idade o conheci,
Que meu avô paterno era escritor
E os tecia, ainda com fervor,
Nesse tempo já gasto em que nasci.
*
Se bem o conhecia, mais temi
Sua complexidade e seu teor...
Chamavam-me poeta, mas, valor
Nunca eu vira nos textos que escrevi.
*
Só aos cinquenta e cinco me atrevi
A dedilhar-lhe o verso e a compor
Um soneto qualquer, que já esqueci...
*
Não sei se era melhor, se era pior,
Do que este que vos deixo agora, aqui,
Mas sei que o preenchi de infindo amor!
*
Maria João Brito de Sousa – 13.07.2018- 17.19h
Bela homenagem
ResponderEliminare muita saudade Menina
que o tempo não apagou...
Vamos alegrar o dia
Beijinhos de aqui
Bom dia, Anjo!
EliminarOlha que não sou nada saudosista. Quando recordo os meus primeiros contactos com o soneto, faço-o com bastante alegria.Também é com alegria que evoco o meu primeiro soneto, escrito há mais de onze anos. Foi o precursor de uma obra imensa, que me exigiu muito estudo e muitas, muitas horas de trabalho. Nem por um segundo me sinto arrependida de o ter escrito
Feliz dia para ti!
Izabel lucky girl
ResponderEliminarEstava triste em Cinfães
O tédio a atormentou
Mas depois tudo mudou
Foi ali a Nova Orleães
Ouviu Jazz nos coretos
Viu até a parade gay
O que mais viu, não sei
Mas mudaram os afectos
Izabel tem muita sorte
É do reino da psicologia
Traça p´rá vida o norte
Assim da noite p´ró dia
Não há Cinfães qu’a conforte
Nova Orleães traz-lhe alegria.
Prof Eta
Uma Poeta Gregária
Eliminar"Nova Orleães traz-lhe alegria",
Seja essa Izabel feliz,
Pois a mim não ma traria,
Que viajar nunca eu quis.
Ir daqui prá Trafaria,
Sempre empinando o nariz,
Com colete... não seria
Prudente, segundo diz
O relatório da TAC...
Podia até dar-me um baque
De colunas desinteiras...
Eu só estou bem onde estou,
Nova Orleães não me tentou
E eu prefiro a minha Oeiras!
Maria João
Bom dia, Poeta. Penso que entenderá que me refiro à minha coluna fracturada e há muitos anos gravemente atingida por doença degenerativa do tecido conjuntivo. De qualquer forma, sempre fui muito agarrada ao meu espaçozinho, nunca senti a menor necessidade de viajar... pelo menos de viajar deslocando-me fisicamente.
Um abraço grande!
“Carochas rafeiras”
ResponderEliminar“E eu prefiro a minha Oeiras!”
À beira do enorme Tejo
Antes cheia de palmeiras
E agora já nem as vejo
Foram as carochas rafeiras
Que lhes traçaram o ensejo
Antes fossem às bananeiras
Com magnésio de sobejo
Mas posso ainda imaginar
Esta majestática avenida
Num século ainda vindouro
Com palmeiras por plantar
P’ra não servir de comida
Aos bichos de mau agouro.
Prof Eta
EliminarVelhinha Imprestável
"Aos bichos de mau agouro"
Não hei-de eu alimentar,
Que nem sequer gosto de ouro,
Quanto mais ter de o comprar...
Venha barata ou besouro,
Que eu não posso sustentar
Mulher morena, homem louro,
A mim mesma, a "branquejar"...
Quando, em tempos, fui morena,
Mal escrevia e tinha pena
De estar sub-aproveitada,
Agora que estou branquinha,
Toda partida e velhinha,
Já não sirvo pra mais nada!
Maria João
Outro abraço grande, Poeta!
“Para nada"
ResponderEliminar"Já não sirvo pra mais nada!”
Por muito que tenha dito
Fica esta boca calada
E venha mais um copito
Dessa bebida encantada
Qu’embala o que foi escrito
Nessa barca aparelhada
Em tempo algum maldito
Para nada vou servindo
Umas rimas de permeio
Sentidas, ou talvez não
Mas as que me vão sentindo
Sabem bem donde veio
O sentido e p’ra que são.
Prof Eta
EliminarMundo Cego e Mouco
"O sentido e pr`a que são"
Os versos que fui escrevendo,
Todos o entenderão,
Todos vão ficar sabendo;
Num poema há tal paixão,
Que essa paixão se vai vendo
Sempre aliada à razão,
Sempre a razão protegendo...
Quando esta vida me impunha,
Não aquilo que eu propunha,
Mas tarefas sem ter fim,
Eu de tudo fiz um pouco
Mas o mundo, cego e mouco,
Não viu a poeta em mim.
Maria João
Boa tarde, Poeta! Desculpe-me o atraso, mas tive uma visita inesperada.
Abraço grande!