"SINE DIE"

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“SINE DIE”


*


 


 


A minha velha musa entrou em greve.


Partiu sem avisar, por tempo incerto,


deixando-me sozinha no deserto


em que estiola a mão que já não escreve.


*


 


 


Sei que lhe devo o que ela me não deve,


que sempre tenho o saldo a descoberto,


que a mão me ficou lenta e que, decerto,


se fartou deste corpo que prescreve...


*


 


 


Há-de voltar numa manhã qualquer,


quando eu tiver esquecido que partiu,


cantando um verso para me entreter,


*


 


 


Por ela musicado à beira rio...


Há-de voltar, mas só se perceber


Que a mão me vacilou, mas resistiu.


*


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 09.09.2018 - 10-59h


 


 


 


 

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