CAVALOS-DE-TRÓIA

cavalo-de-troia.gif


 





CAVALOS DE TRÓIA


*


 





Retiram-se ufanos os beijos deixados


nos lábios dos fados por deuses humanos...


Um ano, dois anos, serão já passados


e ainda lembrados seu espanto - ou seus danos -


*


 





Que, a todos os planos, ficaram guardados,


já que a beijos dados não se acham enganos


pois foram humanos, pois foram de fados,


não de disfarçados cavalos troianos...


*


 





Ah, se eram presentes, dádivas perfeitas


de bocas eleitas por deuses e crentes


de gestos decentes, sem mal, sem maleitas,


*


 





De quem tudo aceitas... Mostrar-lhes os dentes?


Pobres inocentes! Fazer-lhes desfeitas?


(são curtas ou estreitas as vistas das gentes!)


*


 





Maria João Brito de Sousa – 08.10.2018 – 12.43h


*


 





 


Soneto em verso hendecassilábico com rima encadeada


 

Comentários

  1. Pois
    a Cegueira grassa pelo Mundo

    Soberbo momento de inspiração

    Beijinhos de aqui dos Calhaus

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    1. Obrigada, Anjo.

      São sempre os que escrevo mais rapidamente, estes hendecassilábicos de rima encadeada... não os cronometro, mas já reparei que sim, que galopam como cavalos selvagens e que raramente preciso de os corrigir, no final.

      Beijinhos daqui, do estuário do Tejo

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  2. Gostei de ler.
    Andamos tão distraídos que estamos sempre predispostos a acolher os cavalos de Tróia que nos surgem pela porta.
    Abraço

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    Respostas
    1. É verdade, Elvira. Eu, neste soneto, associei a tal mão que brande o chicote ao cavalo-de-Tróia, dado que tantos, tantos cidadãos brasileiros vêem Jair Bolsonaro como um presente dos céus, tal como os troianos viram e receberam o célebre cavalo que os viria a destruir.

      Abraço, obrigada e uma serena noite.

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  3. “Incertezas”

    Estou aqui à beira mar
    Estou aqui à beira mim
    Nesta arte de abeirar
    Sigo apenas porque sim

    Sinto as brisas falar
    Sei porque falam assim
    Limito-me a escutar
    Desconto o que é ruim

    Sou aquilo que sonhei
    E mesmo nada sabendo
    No dia em que acordei

    Logo fui percebendo
    Que sabendo, nada sei
    Que sem ser, lá fui sendo.

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    Respostas
    1. Seguir em Frente

      "Que sem ser, lá fui sendo"
      O melhor que pude ser
      E, pouco a pouco, escolhendo
      O que havia pra escolher

      Porque, agora, o que pretendo
      É fazer, fazer, fazer,
      Não apenas o que entendo,
      Mas aquilo que eu puder.

      Incertezas? Se demais
      Podem tornar-se letais,
      Mas há que seguir em frente

      Sem perda de identidade,
      Tudo à custa da vontade,
      Mesmo vivendo à tangente.


      Maria João

      Cá vai, encadeando o seu último verso, como manda a boa tradição, Poeta.
      Forte abraço!

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  4. Respostas
    1. Bom dia, Poeta!

      Vou espreitar agora, embora o Fb seja um espaço no qual tenho muita dificuldade em ver.

      Abraço

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  5. “Cervejola”

    “Mesmo vivendo à tangente”
    Dum abismo sem sentido
    Diz-me um estudo recente
    Que pode ser invertido

    E p’rá incerteza latente
    Criaram um comprimido
    Que põe a feição da gente
    Com um ar bem divertido

    Mas eu prefiro a cerveja
    E logo mudo de feição
    Ao bebê-la bem bebida

    Por muito que já não veja
    Sinto toda uma emoção
    É o meu sentido p’rá vida.

    Prof Eta

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    1. Versalhada

      "É o meu sentido p`rá vida"
      Escrever rimas, fazer versos,
      Muitas vezes de corrida,
      Se os dias forem adversos,

      E, se a dor for comedida,
      Nascerão versos emersos
      Não em cerveja bebida,
      Mas nos temas mais diversos...

      Emociono-me ao pensar
      E até ao raciocinar,
      Mas não posso ter inveja

      De quem fique emocionado
      Depois de ter despejado
      Um copito de cerveja...
      rsrsrsrs

      Maria João


      Aqui vai, Poeta! Estava a trabalhar em Word e a sua cervejola surpreendeu-me, rsrsrs... Abraço grande!

      Eliminar
  6. “Paraíso da cevada”

    “Um copito de cerveja...”
    Fresca, muito fresquinha
    É tudo o que se deseja
    P’ra refrescar alma minha

    Alma minha por quem seja
    Desta forma, geladinha
    Por certo logo deseja
    A segunda cervejinha

    Uma após a outra, enfim…
    Lá te mostram o percurso
    P’ró paraíso da cevada

    É uma estrada sem fim
    Onde bebes como um urso
    E não vês o fim à estrada.

    Prof Eta

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    1. Paraísos Alternativos

      "E não vês o fim à estrada"
      Porque a estrada nunca o teve...
      Será mesmo da cevada,
      Ou do chá, que é bem mais leve?

      Eu poeta, eu alquebrada,
      Eu, a quem ninguém conteve
      Quando em versos vou lançada,
      Comparo a cerveja à neve;

      Só serve pra fazer frio
      E até sinto um arrepio
      Quando auguro esse percurso.

      Olho o meu chá fumegante
      E é bem mais reconfortante
      Hibernar, como o tal urso...

      Maria João

      Rsrsrsrs, cá vai, com outro abraço, Poeta!

      Eliminar
  7. “Doutor urso”

    “Hibernar, como o tal urso...”
    Na sua manta enroladinho
    Na cerveja fez percurso
    Mas pode mudar p´ró vinho

    Como solução de recurso
    Lá marcha um abafadinho
    E p’ra terminar o “curso”
    Avança com um uísquezinho

    Já doutorado a seu jeito
    Na arte de bem degustar
    Os álcoois da nossa praça

    Faz-se vestir a preceito
    Para ninguém suspeitar
    Deste passado sem graça.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Sábio Urso

      "Deste passado sem graça"
      Que se chama hibernação,
      O pobre urso já não passa,
      Talvez não chegue ao Verão...


      Mas se passa a sua raça,
      A sorte cumpriu-se então
      E este urso não se embaraça
      Porque sabe ter razão.

      De pêlo pardo, ou cinzento
      O urso lá toma alento
      Para nova caminhada

      E mal chegue a Primavera
      Lá está, como qualquer fera,
      Prontinho para a caçada.

      Maria João

      Cá vai, com outro abraço, Poeta.

      Eliminar
  8. “Les moutons”

    “Prontinho para a caçada”
    Que o voto não pode fugir
    Convém tê-los em manada
    Assim rugem num só rugir

    Mé… mé… faz a carneirada
    No momento de se assumir
    E com uma só chapelada
    Incute-se-lhes o decidir

    Se é de todos a decisão
    Nossa a responsabilização
    Por não estarmos a exigir

    Que os destinos da nação
    Fujam aos da alienação
    Carneiros façam-se ouvir.

    Prof Eta

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    1. Ce Mouton ci

      "Carneiros, façam-se ouvir",
      Berrem a plenos pulmões,
      Ponham depressa a fugir
      Os lobos e os lobões

      Que não é de admitir
      Que andem feitos galifões
      A roubar, a engolir,
      Os vossos poucos tostões!

      E foi depois deste apelo
      Que o carneiro manso e belo
      Se transformou de tal forma

      Que ninguém, ninguém diria
      Que um carneiro poderia,
      Tanto assim, fugir à norma...

      Maria João

      Cá vai, Poeta. Será provavelmente o último de hoje porque tenho consulta de INR amanhã de manhã. Abraço grande.

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  9. “Transformação”

    “Tanto assim, fugir à norma...”
    Das mudanças infinitas
    Que neste mundo transforma
    Coisas belas em bonitas

    Por isso na minha forma
    Fico pelas coisas catitas
    Que o meu ser pede reforma
    E eu sei que não acreditas

    Neste mundo em fusão
    Onde permaneço sentado
    Sem tomar uma decisão

    Mas eu estou transformado
    Profunda a transformação
    Sou um ser em qualquer lado.

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    Respostas
    1. Reposta de Uma Gregária

      - "Sou um ser em qualquer lado"
      Que a ser ubíquo aprendeu,
      Não um ser ultrapassado,
      Nunca um pequeno pigmeu!

      Foi-me isto comunicado,
      Nunca, jamais o disse eu,
      Que nunca terei sonhado
      O que sonhou Prometeu

      E sempre que adopto falas
      De outro alguém, seja quem for,
      Estarei nestas duas salas,

      Não quero um espaço maior,
      Nem quero fazer as malas
      E ir desta pra melhor.

      Maria João

      Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!

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