FOGO(S)

FOGO(S)
*
Saiu de sua casa às seis e meia
Levando o despontar de uma ambição
No fundo da carteira meio cheia
De sonhos e moedas de tostão.
*
Pelo caminho, teve a triste ideia
De olhar pra trás e teve, então, noção
De quão longe ficara a sua aldeia,
De si, depois daquela decisão.
*
Que futuro a esperava? A mente humana
Tem pulsões destas mas também se engana,
Sobretudo se corre atrás do sonho.
*
Se narro este prelúdio que me ocorre,
Falo um pouco de um fogo que não morre,
Mas em fogo que mate, as mãos não ponho.
*
Maria João Brito de Sousa – 12.10.2018 – 09.30h
Bonito mesmo MJ
ResponderEliminarmas há momentos em que é necessário
o vazio armário
assim obriga...
Beijinhos de aqui quase em Festa
e um feliz dia também
Obrigada, Anjo
EliminarBem sei que sim, bem sei...
Beijinhos daqui
Normalmente é o fogo da fome que arde no corpo que faz as pessoas largarem o seu chão. Somos toda a vida consumidos por fogos. É o fogo da fome, que nos aniquila o corpo, o fogo da liberdade, o fogo da paixão, o fogo da saudade etc. E ainda que pense que não, alguns destes fogos, também matam, amiga.
ResponderEliminarAbraço e bom fim-de-semana
Eu sei, Elvira, eu sei bem que sim. Além de já ter provado todos os fogos de que fala - incluindo a fome -, também é um fogo, isto que me acende em poesia e que a faz nascer diariamente. E não penso que não, nem afirmo não pensá-lo. Muito pelo contrário.
EliminarMais; em oposição ao que o sujeito poético deste soneto afirma, eu, Maria João, ponho mesmo as mãos no fogo por alguns fogos. Não tenho eu feito outra coisa a vida inteira...
Obrigada, um abraço e um feliz fim-de-semana