TANTO MAR...

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TANTO MAR...


*





(Em verso dodecassilábico alexandrino)


*


 


 


Amei, quando era tempo, o ramo em fruto e flor.


Agora é bem menor, mais fraco o meu talento,


Bem menos turbulento e atenuado em cor,


Mas é ainda amor quanto hoje represento.


*





De quando tudo enfrento ao rir-me face à dor,


Renego-lhe o pior. Com muito ou pouco alento,


Tiro do mau momento o que haja de melhor;


Irónico, o esplendor, e estranho, o seu sustento...


*





Assim será por fim quando a luz se apagar


E nem mesmo o luar eu veja sobre mim,


Que é mesmo só assim que agora devo amar


*





Sabendo cultivar, não rosas de jardim,


Mas ramos de alecrim, do tal que cruza o mar


Pra poder inspirar mundos que o são sem fim.


*


 


 





Maria João Brito de Sousa – 24.11.2018 – 14.47h







Comentários

  1. Não há português que não esteja apaixonado pelo mar. Mas poucos haverão capaz de dizê-lo com tanto talento.
    Abraço e bom domingo

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  2. “Chovem pérolas”

    “E são muitas, essas vozes”
    Que atingem às vezes o céu
    E o céu atira-lhes nozes
    Mas burro não sou eu

    São talvez os algozes
    Porque o burro já morreu
    Os porcos correm velozes
    Não sei bem o que lhes deu

    Talvez sejam mais iguais
    Com as pérolas enfeitados
    Que muita da porcaria

    Talvez nem sejam animais
    Pois um porco engalanado
    Sempre engana a maioria.

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    1. OS DEMAGOGOS

      "Sempre engana a maioria",
      Quem nisso aposta carreira
      E faz duma porcaria
      Uma jóia "verdadeira",

      Ou exalta a tirania
      Como uma coisa porreira
      Que é modernaça e porfia
      Mais no fim que na maneira...

      Que na maneira, dizia,
      De ficar na dianteira
      Graças à demagogia

      Da promessa derradeira,
      Mas só traz desarmonia
      Para a Terra, toda inteira.

      Maria João

      Cá vai com outro abraço!

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  3. “Aqualândia”

    “Que um peixe a engoliria...”
    Com essa vontade ser
    E à fauna psicícola um dia
    Todos iríamos pertencer

    Outro capítulo se seguia
    Pois ao mar assim descer
    Antes ninguém previa
    E já estava a acontecer

    Era um reino da fantasia
    Onde a baleia por suposto
    Da aqualândia ficou rei

    Mas essa baleia tomaria
    Todo o poder por gosto
    E foi um desgosto bem sei.

    Prof Eta

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    1. BICHOLÂNDIA


      "Foi um desgosto bem sei"
      E, no entanto a baleia
      Dos peixes não será rei;
      Seja bela ou seja feia

      É mamífero, por lei,
      Que às vezes vem dar à areia
      Das praias em que eu brinquei
      Pensando que era sereia...

      Quanto a nós, já fomos peixes,
      Vermes, batráquios, bactérias...
      Fomos até semi-vidas!

      Poeta amigo, não te queixes
      Porque tudo o mais são lérias
      Das mentes desentendidas.

      Maria João

      Bom dia, Poeta! Cá vai, com o abraço de todos os dias.

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  4. “Marte corrupto”

    “Para a Terra, toda inteira”
    Virá um dia certamente
    Alguém que à sua maneira
    Nos mereça inteiramente

    Mas haverá quem não queira
    Nesta terra estar presente
    Afixado sinal numa beira
    Para Marte siga em frente

    Será Marte assim tomado
    Por todo um mar de gente
    Que uma nova Terra farão

    É da Terra o nosso fado
    Um fado nunca diferente
    Em Marte haverá corrupção.

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    1. Simbioses...

      "Em Marte haverá corrupção"
      Quando o homem lá chegar
      Mas até no foguetão
      Pode a mesma começar,

      Que esta humana condição
      Tem arestas por limar
      E eu sempre fiz questão
      De as poder analisar...

      Desgraçados marcianos,
      Quando enfrentarem humanos
      Que sejam mesmo corruptos!

      Decerto desprevenidos,
      Vão ficar surpreendidos,
      Não mais serão impolutos. Rsrsrsrs...


      Maria João

      Cá vai, Poeta! Abraço grande.

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  5. Bela homenagem aos nossos Navegantes de outrora

    Bom e Santo Domingo, Beijinhos
    e viva a inspiração

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  6. “Robalos com presunto”

    “Das mentes desentendidas”
    Nascem leis às catadupas
    De legalidade já feridas
    Pois as mentes são chalupas

    Alugmas leis são pedidas
    Mas tu não te preocupas
    É há estudos com medidas
    E com conclusões birutas

    Mas quem pode, pode muito
    Pode à sua maneira moldar
    Todo e qualquer assunto

    Sem muito se preocupar
    Ganha no fim um presunto
    E tudo o mais a acompanhar.

    Prof Eta

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    Respostas
    1. Aldrabices à la Carte

      "Tudo o mais a acompanhar",
      Como um bom vinho do Dão,
      É bom prémio pra se dar
      A quem viva da traição

      De a meio mundo enganar
      Por essa compensação...
      Muitos hão-de acreditar,
      Outros não se enganam, não.

      Mas é difícil saber
      Se é,ou não. realidade,
      Quando a aldrabice souber

      Como impor sua vontade
      E poucos hão-de ter
      A noção do que é verdade.

      Maria João


      Outro, Poeta!

      Eliminar
  7. “Há festa em Marte”

    “Não mais serão impolutos”
    Com a humana poluição
    Mas se acaso forem brutos
    Darão ordem de expulsão

    À imensa corja de astutos
    Antes que lhes deitem mão
    Encham Marte de viadutos
    Rotundas, arquinho e balão

    Que o povo gosta de festa
    Mas os marcianos talvez não
    A seu tempo o saberemos

    Se Marte também se presta
    À nossa humana condição
    E todos juntos beberemos.

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    Respostas
    1. Festa ou Desilusão?

      "Todos juntos beberemos"
      De quanta fonte encontrarmos...
      Contudo, inda nem sabemos
      Se essa fonte irá molhar-nos,

      Ou se seca encontraremos
      A fonte que procurarmos;
      Nós pela fonte viemos,
      Mas não qu`remos afogar-nos!

      Levaremos submarinos
      Para o longínquo planeta,
      Não vão sortes e destinos

      Transformar a festa em treta,
      Nem sequer servindo "finos"
      Numa caverna obsoleta...


      Maria João

      Outo abraço, Poeta!

      Eliminar

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