DO NADA QUE TENHO AO POUCO QUE SOU
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DO NADA QUE TENHO AO POUCO QUE SOU
*
“Perdi a esperança, perdi a vontade”...
Tudo, na verdade, perdi da abastança
Vinda da bonança após a tempestade.
Mas tudo se evade que a vida é mudança
*
E a ponta da lança é de ferro e saudade...
Mas urdi-me em jade, com perseverança.
Desfiz-me da trança, gritei; Liberdade!,
Da trivialidade moldei a pujança.
*
Pouco me sobrando, por dentro me sondo
E vou recompondo do duro, o mais brando,
Até não sei quando, num gesto redondo,
*
Janelas que rondo, assim me franqueando
Se sigo teimando, tal qual marimbondo*
Zumbindo e compondo, juntar-me ao meu bando.
*
Maria João Brito de Sousa – 01.08.2019 – 10.03h
*
NOTA – O primeiro verso é da autoria de MEA no seu soneto DO POUCO QUE QUERO, QUASE NADA TENHO
* Marimbondo (do kimbundo, Angola) – Vespa, vespão
“Mushin”
ResponderEliminarMente não está ocupada
Aprende a fluir na corrente
Parecendo estar parada
Mas apenas não se sente
Essa mente dá em nada
Mas de forma eficiente
Controlas cada jogada
Porque ela já não te mente
Qualquer que seja a estrada
Avanças de forma fluente
Sem descanso nem guarida
P'ra enfrentar outra jornada
Que surja na tua frente
Mesmo que indefinida.
Poesia
Eliminar"Mesmo que indefinida",
Sem o estar concretamente,
Como pensa que, à partida,
Nascem sonetos na mente?
Deve ser coisa parecida
Com o que acontece à gente
Que passa anos de vida
A escrever tudo o que sente,
Sem sentir-se arrependida
E estando até bem contente,
Apesar de confrangida
Por quem é contra a corrente
Da poesia prá vida
E da rima da semente...
Maria João
Cá vai, com o abraço de sempre, Poeta!
E assim vivemos
ResponderEliminarassim damos vontade ao que vier
seja como Deus quiser
cabeça entre as orelhas
cá andamos -,`
Beijinhos e um belo fim de Semana
Com a cabeça entre as orelhas, mas muito capaz de pensar e decidir por mim mesma, cá ando, Anjo, apesar de não ter os olhos a funcionar bem e de não ter uma coluna vertebral que me permita caminhar mais do que alguns - poucos... - metros.
EliminarBeijinhos e um excelente fim-de-semana.
Queria tanto ser Poeta
ResponderEliminarSaber em versos contar
A dor que me vai na alma
E neles minh’alma lavar…
Um beijinho grande, Maria João.
Obrigada e um grande beijinho, Janita!
EliminarCara Maria João, achei graça à sua referência ao marimbondo. Tendo feito comissão militar em Angola, vi marimbondos às dúzias. No meu quarto de um dos quartéis do mato em que estive colocado, havia sempre um marimbondo, pelo menos, a zumbir junto à janela ou a fazer ninho na casa de banho, sobretudo no cubículo do chuveiro.
ResponderEliminarCostuma-se dizer que os marimbondos são vespas, mas na verdade são mais do que vespas e até são mais do que vespões, tão grandes eles são. São "vespõezões". Porém, e ao contrário do que se costuma dizer, os marimbondos não são agressivos, de maneira nenhuma. São até muito menos agressivos do que as "nossas" (salvo seja) vespas europeias. Eu, pelo menos, nunca fui ferrado por nenhum, apesar de ter sempre marimbondos no quarto, como disse.
As imagens de marimbondos que encontrei na Internet são do Brasil, os quais apresentam características distintas dos marimbondos angolanos. Consegui, ainda assim, encontrar uma imagem de um marimbondo brasileiro muito parecido com os de Angola, mesmo muito parecido. A única diferença, praticamente, consiste em que o abdómen do marimbondo angolano tem o dobro do comprimento do abdómen do marimbondo retratado. De resto, a semelhança é enorme. A imagem é esta: https://www.greenme.com.br/images/2018/informar-se/animais/vespa-marimbondo.jpg. Os marimbondos de Angola são parecidíssimos com este, como disse, menos no abdómen, que é muito mais comprido.
Muito obrigada, caro Fernando.
EliminarConfesso que a palavra marimbondo chegou até mim através de uma imagem nas revistinhas do Chico Bento, do Maurício de Sousa.
Com o seu enorme e ponteagudo "nariz", o bicharoco pareceu-me um mosquito e foi nessa qualidade que, em primeira mão, o descrevi.
Posteriormente, um amigo garantiu-me que era um vespão e logo tratei de rectificar o segundo ponto da curta nota que deixei sob o soneto.
Fui espreitar a imagem cujo link me enviou e aquilo que vi parece-me corresponder à imagem das vulgares vespas europeias. Só não posso garantir que o sejam porque as cataratas - sim, ainda cá estão... - não me concedem uma minimamente satisfatória visão de pormenor.
Penso ter encontrado uma imagem perfeitamente correspondente ao insecto que descreve. Espreite aqui, por favor https://www.google.com/search?q=vesp%C3%A3o&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjRyo_louvjAhVPdcAKHfx4CxoQ_AUIESgB&biw=2049&bih=864#imgrc=sjE6k5ca-_blTM:
Um abraço
Prezada Maria João, os marimbondos são uma espécie de vespas, ou melhor, de vespões. Apresentam todas as características das vespas, tais como a finíssima cinturinha que une o abdómen ao resto do corpo e as riscas amarelas e pretas deste mesmo abdómen. Esqueci-me de referir que, além de comprido, o abdómen dos marimbondos angolanos é afilado. O comprimento destes marimbondos andava à volta dos 5 centímetros bem medidos. Vendo-os, eu pensava: «Se algum bicharoco destes me ferrar num braço, vou andar de braço ao peito durante um mês, pelo menos»... Mas nunca fui ferrado, nem conheci alguém que o tivesse sido. A má fama dos marimbondos angolanos resultava mais do seu tamanho, que assustava, do que de uma eventual ferocidade, que não tinham.
EliminarNa zona de guerra onde eu estive, na região dos Dembos, o meu quarto (e de mais três alferes como eu) era um pequeno e inofensivo jardim zoológico. Além dos marimbondos, havia no quarto osgas de aspeto repelente, que andavam pelo teto sem cair e comiam os mosquitos todos que entrassem no quarto. As abençoadas osgas foram o melhor mosquiteiro que poderíamos ter. No forro do telhado (que era de chapa ondulada de zinco e fazia um barulho infernal quando chovia) também havia morcegos. Durante a noite não nos incomodavam, porque andavam cá fora; durante o dia, de vez em quando um ou outro morcego fazia barulho, se calhar porque tinha algum pesadelo... De vez em quando, também, entrava no quarto um louva-a-deus. Os louva-a-deus angolanos eram iguaizinhos aos de cá, sem tirar nem pôr. Por vezes, também, descobríamos um carreiro de formigas a subir por alguma parede. Estas formigas eram iguais às de cá na forma e no tamanho, mas tinham a cor branca e não preta! E também gostavam muito de açúcar. Tudo isto se passava na zona de guerra, onde a vegetação predominante era a selva, a sumptuosa e incomparável selva africana. Não há palavras para descrever uma tão grandiosa catedral vegetal. Todos os superlativos são poucos.
Na fronteira norte de Angola, onde também estive e o Rogério idem, só aparecia no quarto uma ou outra mosca durante o dia e um ou outro mosquito durante a noite. Mas não havia osgas para comer os mosquitos, infelizmente, e de vez em quando eu acordava ferrado.
Caro Fernando,
Eliminaragradeço-lhe muitíssimo esta minuciosa descrição da micro-fauna com a qual em tempos privou e que, em parte, me é desconhecida.
Não querendo contradizê-lo, não pude deixar de me espantar quando falou do aspecto repelente das osgas... é que eu considero-as uns bicharocos muito bonitos, para além de extremamente úteis, conforme refere. Quando era miúda, tratava de levar para o meu quarto quantas conseguisse apanhar. Vivia então em casa dos meus pais e a minha atracção pelas osgas saía-me cara...
A minha mãe, por essa altura, tinha empregada e a pobre senhora recusava-se a entrar no meu quarto, não fosse dar de caras com alguma osga. Sobrava para mim a arrumação da cama e a limpeza do quarto. Paciência, era um baixo preço pelo privilégio de poder dormir sem recear acordar coberta de borbulhas vermelhas e pruriginosas.
Grato abraço.
Cara Maria João, quando eu disse que as osgas que tinha no quarto apresentavam um aspeto repelente, esqueci-me de dizer porquê. Aquelas osgas tinham uma pele esbranquiçada e translúcida, que deixava ver as vísceras através dela. A imagem mais parecida que encontrei com a das osgas do meu quarto é a seguinte: https://xelande.files.wordpress.com/2014/08/img_0920.jpg
EliminarConfesso, caro amigo, que nunca tinha visto uma osga translúcida/transparente. Lembro-me de que, tal como o camaleão, são dotadas de mimetismo e ficam mais escuras ou mais claras conforme a superfície em que estejam pousadas, mas a sua transparência é uma perfeita novidade para mim.
EliminarFico-lhe muito grata pelo link da imagem, mas posso garantir-lhe que continuo a considerar as osgas uns bichocos muito engraçados, ainda que com os órgãos internos ao alcance da vista.
Um abraço amigo.
“Sintonias”
ResponderEliminarSe a vergonha existiria
Eu estaria envergonhado
Mas nada de mal se veria
Pois olhara pró outro lado
E que bons sonhos teria
No mundo assim dourado
Onde a miséria adormecia
Permanecendo eu acordado
Mea culpa não emergiria
Pois de nada sou culpado
Sendo apenas espectador
Estando todos em sintonia
Se há alguém dessintonizado
Esse alguém carrega a dôr.
Prof Eta
Sintonia
Eliminar"Esse alguém carrega a dôr"
E o orgulho também,
Que orgulho é não ser pior,
Nem melhor do que ninguém
Quando alguém nos tenta impor
Ditames de mal ou bem
Que já sabemos de cor
Desde a barriga da mãe.
Venha, então, a sintonia
No sentido da harmonia,
Mas sem uniformidade
E será com a alegria
De um sorriso e de um bom-dia
Que lhe direi; - Que saudade!
Maria João
Cá vai com o abraço de sempre, Poeta!
PS - O orgulho que aqui menciono tem a ver um sentimento saudável de trabalho cumprido.
Poeta querida ....não sei nada de ti.....o telemóvel não atendes ....precisas de carregamento? Fiz sim ou não . Nas ainda hoje ! Beijinhos
ResponderEliminarLigeirinha, tenho-te ligado vezes sem conta e obtenho sempre a mesma resposta; - O número que acaba de ligar não se encontra atribuído.
EliminarNão preciso de carregamento porque tenho um plano de pagamento mensal, mas não sei como contactar-te...
Beijinho grande
“ASP forever”
ResponderEliminarO discurso está ausente
Roubado pela emoção
Flui na nossa una mente
Um pulsar de gratidão
Nunca abaixo de excelente
Unânimes na atribuição
Não poderia ser diferente
Quando vem do coração
Acima de tudo a mente
Comandante desta união
Que nunca almejou o ouro
E um amor consequente
Dia a dia na preservação
Deste infindável tesouro.
Prof Eta
EliminarFonologia Forever and a Day
"Deste infindável tesouro"
(se ASP for o que penso...),
Resta a alguns força de touro
Para criar com bom-senso.
Para os demais será estouro
Ou será ribombo imenso
Disfarçado de besouro
Às voltas, confuso e tenso...
Não temerei quem o usa;
Temo o uso que lhe dão...
A minha mente recusa
Trabalhar sem coração,
Mas há gente que me acusa
De viver numa ilusão.
Maria João
Bom dia, Poeta! Desculpe-me o atraso na resposta, mas a saúde continua muito fracota, as cataratas cada vez me limitam mais e o cansaço venceu-me finalmente.
Não sei ao certo o que é o ASP, mas penso que seja isto "O ASP (de Active Server Pages), também conhecido como ASP Clássico hoje em dia, é uma estrutura de bibliotecas básicas (e não uma linguagem) para processamento de linguagens de script no lado servidor para geração de conteúdo dinâmico na Web. Exemplos de linguagens aceites são: VBScript, JScript, PerlScript, Tcl ou Python sendo que apenas as duas primeiras são suportadas por padrão.
A mais comumente difundida foi VBScript, sendo encontrada várias referências a ASP VBScript em artigos.
ASP foi substituído pelo ASP.NET, mas até hoje é suportada por versões atuais do IIS." . (Wikipédia)
Será? Como calculará, nada entendo de computadorês, limito-me a preencher espaços criados por entendidos...
Abraço grande.
Bom fim de Semana MJ
ResponderEliminarque o raio do tempo
é mesmo contratempo
Beijinhos
Obrigada, Anjo!
EliminarO raio do tempo está maluco de todo, tens razão.
Beijinhos e um bom Domingo
Bom fim de Semana de novo
ResponderEliminarque tudo vá bem
que eu sem NET
é que nada nem ninguém, me tira a o sorriso
por assim dizer-,`)
Beijinhos