CANSAÇO

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CANSAÇO


 


*


 


 


"A velhice é cansaço... e esse cansaço"


Mais alto soa que qualquer cantiga,


Mais bem me vence do que me castiga,


Melhor me prende que o mais terno abraço.


*


Já pouco faço e, disto que faço,


Evola-se um suspiro, uma fadiga,


Uma exaustão severa e muito antiga


Que não tem tempo e se perdeu no espaço.
*


Quero alcançar-te e já não tenho braço,


Tento elevar-me e fico tonto e lasso


Esmagado pela dor que me mastiga.


*


Descanso o corpo e fico preso ao laço;


Repouso em vão que a cada novo passo


"Esse mesmo repouso me fatiga!"
*


 



Maria João Brito de Sousa - 30.05.2020 - 09.45h


*


Soneto inspirado em dois versos de Filinto de Almeida, 1857/1945


*


 


Poema elaborado no site Horizontes da Poesia a partir de dois versos (o primeiro e o último) indicados pelo poeta e administrador Joaquim Sustelo.


 


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Comentários

  1. Maria Elvira Carvalho31 de maio de 2020 às 15:49

    Já lá vai o tempo em que o cansaço era coisa da velhice. Hoje andam cansados novos e velhos.
    Gostei de ler e penso que respondeu ao desafio de forma exemplar.
    Também gostei de a ver mesmo que de máscara.
    Abraço, saúde e bom domingo

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    Respostas
    1. Obrigada, Elvira

      Ainda cá tenho duas máscaras das descartáveis. Esta foi-me enviada por uma amiga e é muito prática porque pode ser lavada a alta temperatura e deixa algum espaço livre entre a boca e o tecido. Pode parecer um açaime, mas eu gosto muito mais desta do que das descartáveis.

      Forte abraço!

      Eliminar

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