GALOPE
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GALOPE
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(Soneto em verso alexandrino)
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Nem sempre é transparente o verso em que me embalo
E nem sempre vos falo assim tão claramente,
Que a força da corrente é tanta que me calo
E só no intervalo oiço o que tinha em mente.
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O poema é prepotente, exalta-se e, num estalo,
Açula-me o cavalo em que cavalgo sempre
Que o verso emerge urgente, abrindo-se num halo
De assombro, ainda ralo, ainda incoerente,
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Ainda tão somente em vias de pensar
E até de se explicar, arfante e tão espantado
Que nem concebe errado expor-se a galopar
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Sem antes descansar, sem mesmo ter parado,
Sem sequer ter-se olhado: as ventas a soprar
E esse sopro a deixar o poema embaciado.
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Maria João Brito de Sousa - 30.06.2020 - 14.28h
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Imagem retirada daqui
Fico sempre encantada com a sua capacidade de inspiração.
ResponderEliminarComo vai a sua saúde amiga. Vai estar dois dias em exames? Piorou?
Abraço e saúde
Muito obrigada, Elvira.
EliminarA saúde contínua fracota... neste preciso momento estou com um enorme abcesso dentário em cima de todas as outras mazelas. Pode não matar, mas dói que se farta...
Hoje fui convocada para uma avaliação médica, em Lisboa. Vim muito mais cedo do que contava porque os procedimentos sanitários de distanciamento social obrigam a que as pessoas sejam atendidas à hora exacta. Não há ninguém em espera dentro das salas.
O único exame que, creio, me virão fazer em casa, será o teste do INR que ficou marcado para quinta-feira...
Um forte abraço e, mais uma vez, muito obrigada pelo seu cuidado
Belíssimo, como todos os que faz, alexandrinos ou heróicos!...Adoro os seus sonetos.
ResponderEliminarSaudades de cá passar pois tenho andado arredado do meu blogue “divagar devagar 2”. Pelo que deduzi continua doente. Espero que não seja de gravidade maior.
Desejo-lhe as melhoras e vou passar mais vezes por aqui...
Bjinhos e 🍀🍀🍀🌹🌹🌹🙏💋
Ah! Poeta amigo Batista Oliveira!
EliminarSou eu quem está em dívida para consigo! Adicionei o seu contacto móvel à lista do meu velho telemóvel - uma daquelas caixinhas pretas que só os dinossauros usam.- e pouco depois, a caixinha enlouqueceu e fez desaparecer quase todos os contactos que tinha na memória... depois... olhe, depois aconteceu a vida, com muita produção poética a esforçar-me o olho que ainda tem alguma acuidade visual e muitas maleitas infecciosas pelo meio, sobretudo as famigeradas cistites e pielonefrites. Ao bicho-mau-que-nem-bicho-é, tenho escapado graças a um tirânico e rigoroso confinamento... pelo menos até este momento em que estou a tentar esquecer-me de que tenho a cara "feita num bolo" por causa de um maquiavélico abcesso dentário para o qual comecei ontem a ser medicada... mas o pobre canino abana que nem varas verdes. Isto só lá vai com tronculares e alicate, o que francamente me arrepia por causa da dupla anti-coagulação a que estou submetida... bom, nem quero pensar nisso!
Será sempre muito bem vindo a este meu mar de sonetos!
Forte abraço!
Belo soneto alexandrino, raro como poucos!
ResponderEliminarFascina-me vê-la com produção diária tão profícua, o que nos leva a acreditar que a vida do poeta pertence a Deus, que é a inspiração e a razão de tudo.
Assim, aventuro-me nesta quadra Alexandrina:
Na vida sempre estamos a galopar
Sem sentirmos os entraves pelos caminhos,
Onde há empecilhos ao destino solapar,
Mas o futuro e a sorte são para adivinhos.
António Ferreira,
Belém - Pará - Brasil
Muito grata pelas suas gentis palavras bem como pela bonita quadra que aqui me deixou, poeta amigo António Ferreira.
EliminarO verso alexandrino é bem menos simples do que possa parecer e eu levei muito tempo até lhe descobrir os segredos. Neste tipo de verso, a técnica é absolutamente essencial, pois nem todos os versos dodecassilábicos podem ser chamados de alexandrinos. Para o serem, além das doze sílabas métricas com acentuação tónica obrigatória na sexta e na décima segunda, cada verso tem de ser perfeitamente divisível em dois hexassilábicos completos. Para que isso aconteça, terá de criar-se um ponto de cisão (ou cesura) entre os dois hemistíquios do alexandrino, recorrendo a uma palavra aguda no final do primeiro, ou fazendo com que - caso a palavra final do primeiro hemistíquio seja grave - a vogal com que termina possa ser absorvida pela vogal inicial do segundo hemistíquio.
Exemplo do primeiro caso; "sem antes descansar//sem mesmo ter parado" 6+6
Exemplo do segundo caso; "que nem concebe errad/oe/xpor-se a galopar" 6+6
O meu fraterno abraço poético
E com inspiração
ResponderEliminarse faz um belo momento de Verão
Um belo dia MJ
Beijinhos
Obrigada, Anjo!
EliminarOlha, tudo o que te posso garantir é que a inspiração de que falas me obriga sempre a galopes destes
Que tenhas um dia muito feliz.
Beijinhos
Essa lição sobre o verso alexandrino me leva a buscar familiaridade com a forma exigida para a sua composição. Não devem ser apenas versos de doze sílabas, porém devem ser Alexandrinos.
ResponderEliminarMuito obrigado pela ‘dica’.
António Ferreira,
Belém - Pará - Brasil
Desculpe-me a ousadia, poeta amigo António Ferreira! Não era minha intenção dar-lhe lição nenhuma, mas... o verso alexandrino é mesmo muito exigente e exige muito estudo e trabalho até poder ser chamado assim.
EliminarPosso afiançar-lhe que teria ficado muito grata a quem quer que me pudesse explicar o que a si lhe expliquei porque levei imenso tempo a estudá-lo sozinha e a dissecá-lo até perceber exactamente o que era um verso alexandrino.
O meu avô, que era um grande poeta do Modernismo Português que se manteve eternamente apaixonado pelo soneto em decassílabo heróico, nunca escreveu alexandrinos e muito menos o fizeram os outros modernistas com quem convivi. Esta minha procura foi mesmo um trabalho "a solo".
Fraterno abraço