SAUDADES

NO QUARTO DOS BRINQUEDOS - Algés.jpg


SAUDADES
*


 


O mais difícil seria acordá-las,


Que em tudo quanto é canto estão dormindo;


Nas estantes, nos livros ou nas malas,


É-nos quase impossível vê-las vindo
*


 


Mas é-nos fácil i-las pressentindo


Nos quartos, nas cozinhas e nas salas


Pra onde ingenuamente formos indo


Já que sempre nos coube, a nós, levá-las.
*


 


Terão todas as formas que lhes dermos


E só nos doerão se não soubermos


Usá-las de maneira criativa
*


 


Terão, pois, o tamanho que quisermos


E não serão, segundo os nossos termos,


Mais do que uma memória ainda viva.
*


 



Maria João Brito de Sousa -04.08.2020 - 11.00h
*


 


"Sou trabalhador dos correios e gosto de selo" - "private joke" para um bom amigo

Comentários

  1. Tão lindo, fiquei fascinada por estas suas palavras vou guardar nos favoritos! Obrigada por esta partilha com a qual me identifico muito! Beijinhos e boa semana

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    1. Muito obrigada, Sandra!

      Beijinhos e que tenha uma excelente semana

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  2. Como sempre, gostei muito do poema. Se a Maria João me permite a brincadeira, deixo a quadra com laivos 'adivinhatórios'. Tudo com a melhor das intenções, mas sem vontade nenhuma de ir encher - ainda mais - o Inferno.

    «Xilreios» há que de tão melodiosos
    conseguem despertar musas adormecidas
    pé-ante-pé vêm brincar às saudades
    de memórias d'oiro jamais esquecidas.

    Beijinhos .
    [ venha a inspiração de onde vier, há que agarrá-la. ]

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    Respostas
    1. Ah, a Janita descobriu a fonte deste meu soneto, rsrsrs... e é exactamente a mesma das décimas que ontem publiquei

      Mantive a omissão propositadamente. Queria ver se alguém dava por isso... e deu!

      Beijinho grande, ainda sorrindo

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  3. Brancas nuvens negras4 de agosto de 2020 às 14:12

    Que belo poema onde a palavra saudade afinal nunca aparece.
    Sempre a construção do poema com mestria.
    L

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    Respostas
    1. Obrigada, L.

      Tem razão, a palavra não aparece senão no título, mas creio que todos perceberão que de saudades que falo...

      Abraço

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    2. ..." que é de saudades que falo", desculpe. Isto de ter um cérebro muito activo a trabalhar com uns olhos tão pouco funcionais, dá origem a todo o tipo de erros, gralhas e omissões...

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    3. Brancas nuvens negras4 de agosto de 2020 às 14:58

      Foi com admiração que referi que a palavra saudade não aparece no poema, não há dúvidas quanto ao tema, fica ainda mais encantador.
      L

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  4. Vivam as alegrias
    e os bons dias neste bom dia
    em toda a fantasia

    beijinhos

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