O BANDO

o bando.jpg


O BANDO
*



Às negras asas, deixou-as pender,


Nem mesmo a queda agora a apoquentava;


Sabia que este vôo era a perder,


Pra quê lutar se desistir bastava?
*


 


No princípio teimara em não descer,


Mas entendeu que o fim se aproximava,


Que as asas se negavam a bater


E que a queda final pouco tardava.
*


 


Agora que sabia não poder


Escapar ao negro abismo que a chamava,


De que lhe valeria o verbo querer
*


 


Ou a férrea vontade que gabava?


Cerrou os olhos para não mais ver


O bando que a voar continuava.
*


 



Maria João Brito de Sousa - 27.09.2020 - 10.45h


 


À Clara, minha irmã.


 

Comentários

  1. O poema é lindo, não quero interpretar o que li a não que é um poema sobre o voo de uma andorinha.
    Gostei muito.
    L

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    1. Muito obrigada, L.

      É isso mesmo. Foi realmente um belo vôo de andorinha.

      Forte abraço

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    2. Expliquei-me mal (faltava uma palavra).
      Queria eu dizer que, se o poema for uma metáfora fica mais triste.
      Obrigado.

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    3. ... também é uma metáfora, L., também...

      Obrigada, mas eu penso tê-lo entendido logo à primeira e respeitei a sua relutância em aceitar esta pequenina homenagem à minha irmã.

      Outro abraço

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  2. Minha Querida,
    O "negro abismo" transformou a Cruz que insiste em continuar o voo, agora, na nova perspectiva da LUZ... Pois ao 'teimar em não descer' estava apenas a dificultar a natural forma de CRESCER, invertendo a direcção do SER que voa na espiral que sai do espaço temporal!
    É a (re)descoberta da VIDA porque TODOS estamos aqui de passagem!

    Passagem

    Todos nós
    estamos aqui de passagem...
    E Todos
    recebemos a coragem
    de entrar no desconhecido
    ao longo de cada instante vivido.

    Todos temos, neste desígnio de viagem,
    uma busca de beleza
    que nos harmoniza com a Natureza.
    ... pois Todos encontramos harmonia
    em algum momento do dia...

    Todos,
    absolutamente todos,
    fazemos parte de uma Consciência Maior
    que transforma os momentos de dor
    num imenso espaço de Amor!

    Esta é a Consciência que nos conduz...
    E nos leva à RE-descoberta da LUZ!
    Lena B.
    (((((☼∞☼)))))


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  3. Minha Querida,
    O "negro abismo" transformou a Cruz que insiste em continuar o voo, agora, na nova perspectiva da LUZ... Pois ao 'teimar em não descer' estava apenas a dificultar a natural forma de CRESCER, invertendo a direcção do SER que voa na espiral que sai do espaço temporal!
    É a (re)descoberta da VIDA porque TODOS estamos aqui de passagem!

    Passagem

    Todos nós
    estamos aqui de passagem...
    E Todos
    recebemos a coragem
    de entrar no desconhecido
    ao longo de cada instante vivido.

    Todos temos, neste desígnio de viagem,
    uma busca de beleza
    que nos harmoniza com a Natureza.
    ... pois Todos encontramos harmonia
    em algum momento do dia...

    Todos,
    absolutamente todos,
    fazemos parte de uma Consciência Maior
    que transforma os momentos de dor
    num imenso espaço de Amor!

    Esta é a Consciência que nos conduz...
    E nos leva à RE-descoberta da LUZ!
    Lena B.
    (((((☼∞☼)))))

    Beijo no reencontro dos Tempos!

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    Respostas
    1. Compreendo, Lena B.

      ... devo, no entanto, confessar que também eu vou teimando em não descer, apesar de saber perfeitamente que todos estamos de passagem e que os nossos órgãos e sistemas têm prazo de validade. É (quase) sempre assim, tanto connosco quanto com os outros animais; a vida teima em manter-se viva enquanto houver um átomo de lucidez.


      Beijo sincero e transparente

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  4. É sempre a Natureza a funcionar no seu melhor e cada um de nós a funcionar também no seu melhor! A inversão acontece sempre para o melhor da Natureza!!! E está sempre Certo! É a transparência da Luz no seu melhor!
    Beijo mergulhado no mar da Amizade 'de-Vida'.

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    Respostas
    1. Sim, a natureza dá sempre o seu melhor, Lena B.

      Na véspera da sua partida, tinha falado por telefone com a minha irmã e conheço-a suficientemente bem para estar segura de que não desistiu; foi o seu próprio corpo que a traiu.

      A morte nunca foi para mim um tema tabu. Sei bem que é a coisa mais natural do mundo e a única que todos nós temos certa, mas isso não obsta a que me doa o facto de ela ter partido com apenas cinquenta e sete anos.

      Beijo no marulhar das ondas

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    2. Preciosa Maria João, cada vez mais SINTO que a morte não é mais do que transformação (ou será (re)inversão?) no espaço-tempo.. porque a VIDA continua, apesar da transparente invisibilidade!
      Beijo no marulhar das ondas sempre deliciosas!

      Este "Mistério de Vida" 'saiu-me' depois da partida do meu primo-irmão, bem mais novo do que eu...
      A Vida
      é uma surpresa estranha e sentida
      que todos imaginamos
      que conhecemos e amamos.

      Mas quando a Vida foge de nós,
      todos ficamos sem voz,
      porque a Vida é um mistério
      que ainda não compreendemos a sério!

      A Vida segue em movimento constante.
      Não pára nem um instante!
      Nasce, cresce, muda de forma…
      É como semente que se transforma
      para sempre se manifestar
      numa eterna vontade de criar!

      E assim a Vida vai e vem…
      sobe e desce também…
      É como onda invisível,
      mas muito… muito sensível,
      que discretamente se insinua!

      Porque a Vida continua…

      a Vida continua…
      por ser um mistério … sério!

      Eliminar
    3. Minha querida Lena B., gostei muitíssimo de ler o teu "Mistério de Vida" que compreendo e aceito, com não poderia deixar de ser. Não te mentirei se te disser que creio na persistência da vida depois da morte, porque de facto tudo o que cada um de nós foi, fez, criou e transmitiu continuará a repercutir-se por muito tempo, mais apagados uns do que outros, mas assim é. No entanto, não creio, nem sinto, que uma identidade possa sobreviver à morte do corpo físico. A não ser, claro está, nalguns casos raros em que no decorrer de um acidente ou de um grave episódio de doença aguda, a pessoa entra em paragem cárdio-respiratória e é pronta e eficazmente socorrida. Por quatro vezes me contei entre esses sortudos que "renasceram", embora apenas recorde perfeitamente dois dos episódios. Dos outros dois só o soube através das folhas de alta e do relato de técnicos de saúde.

      Mas, na minha opinião, tens toda a razão; ainda que olhada do ponto de vista evolucionista (o meu) a vida não deixa de estar povoada de pequenos/grandes mistérios que está na nossa humana natureza admirar e tentar desvendar... e é magnífica, a Vida!

      Do marulhar das ondas ao ventre da terra, um grande beijinho



      Eliminar
    4. Minha Querida, estamos a dizer a mesma coisa com triangulações complementares! Os mistérios mantêm-se porque continuam misteriosos, apesar da luz do Sol continuar a iluminar os Mistérios!
      A nossa energia individual contém grânulos de transformação que a Terra devolve ao 'Céu'... São resultado do nosso "trabalho de sapa" que por aqui vamos desenvolvendo... (semelhante às toupeiras mas mais 'ventilado'!
      A conversa levar-nos-ia looooongeeee, mas não posso ocupar o teu blogue...
      Beijo que liga a Terra ao Céu, atravessando toda a Via Láctea...

      Eliminar
    5. Tens razão, Lena B.

      Valha-nos que as complementaridades nos enriquecem...
      Hoje não estou grande coisa. Tenho de me focalizar na minha instável TA que vou tentando estabilizar com a necessária medicação... e não só, que até em termos de sobrevivência pessoal algum conhecimento do nosso próprio corpo vai sendo precioso. Decisivo, por vezes.

      Beijo cheio de sol

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    6. Decisivo, de facto! Nesta nossa dimensão é fundamental conhecermo-nos bem por dentro, numa ligação interactiva "mente-pensamento-sentimento-emoção-corpo". A respiração faz toda a interligação "mente-corpo-mente" e usa o sistema nervoso para manter o equilíbrio por entre todas as ramificações 'neuronais' que 'falam' com o corpo todo... Nenhum médico nos conhece tão bem como nós mesmos!
      Beijo nos raios de sol!

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    7. Depende, Lena B. ;

      Conheço pessoas que se desconhecem completamente, ao nível dos seus próprios órgãos, pelo menos... eu própria, nos primeiros segundos que se seguiram ao enfarte, julguei estar a ter uma crise de azia. Como te digo, levei alguns segundos a aperceber-me de que era um grave problema numa coronária... mas ainda fui a tempo de lançar um SOS

      Beijo solar

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    8. Uma lei imutável: Nada acontece por acaso, minha querida! Há que ir descobrindo devagarinho por tentativas sucessivas, muitos erros e montes de cabeçadas!... Mas, acreditando que é possível, demore o que demorar...

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    9. Mas eu acredito nos acasos, Lena B.... sei que, no fundo, são a complexíssima e sofisticada expressão da combinação de uma infinidade de relações de causa/efeito. Mas não deixam de ser acasos, nem isso me desanima de forma alguma.

      Sabes, quando em pequenina me apaixonei pela Biologia e pela Medicina, atirava-me às teses e sebentas por pura paixão, não consciencializava bem que isso poderia ver a ser muito útil, tanto para mim, quanto para outras pessoas ou animais. Depois descobri-o, como seria de prever...

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    10. E entre casos e acasos ainda surgem os ocasos!!!
      E a Vida continua a fluir... e a sorrir, correndo para o Mar em que as emoções vibram e não param de se/nos fazer sentir!

      Beijo de Sol! que brilha mas não ofusca o olhar!

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    11. Casos, acasos, ocasos... assim é, tudo isso registamos, segundo a nossa humana óptica.

      Beijinho com muito sol, Lena B.

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