SILÊNCIO!

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SILÊNCIO!



*


Silêncio, que um poema vai ser escrito


Ainda que a palavra esteja gasta,


Esvaziada, esmagada como pasta,


Sangue pisado de um verbo proscrito,


*


Mescla magoada que em versos debito,


Mosto de um vinho sem nome nem casta...


Calai-vos por favor, que isto me basta


E em nome deste nada me credito,
*


Pois se de alma dorida, atormentada,


Peço silêncio em troca deste nada,


Ouvi-me, que este nada é quanto tenho...
*


Silêncio, que a palavra, amargurada,


Só em silêncio pode ser gestada;


Dela renasço e nela me despenho!
*


 


Maria João Brito de Sousa - 18.09.2020 - 11.25h

Comentários

  1. Fui tentado a manter o silêncio no entanto quero dar nota de que acompanhei momentos tristes que aconteceram por aqui com alguém. Restam-nos as palavras.
    A minha homenagem e o meu pesar.
    L
    Brancas Nuvens Negras

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    Respostas
    1. Muito grata pela solidariedade, L.

      Não tenho estado em condições de responder a ninguém e muito menos de vos visitar... peço desculpa. A minha saúde física também tem piorado ultimamente...

      Abraço

      Eliminar
  2. Li. e em silêncio saio, não sem antes deixar um forte abraço.

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  3. Bom fim de Semana sem nostalgias

    Bejinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Anjo.

      Não sou muito dada a grandes nostalgias, mas... as coisas estão ainda muito frescas e os lutos têm de ser feitos, cada um a seu modo, segundo creio. Não te posso prometer que não transpareça, aqui ou ali, um pouco de nostalgia...

      Beijinhos

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