TEMPO PERDIDO

Imagem retirada daqui, via Google
TEMPO PERDIDO
*
De ti me despedi há tanto tempo
Que não me lembro bem se eras real,
Se eras como estes versos que hoje invento
Quando adentro este mar de espanto e sal.
*
Se um lamento me ocorre, não lamento
O afastamento agreste e essencial;
Tudo foi brusco e tudo foi tão lento
Quanto uma tela imensa e surreal.
*
Enquanto assim vivia, soçobrava;
Vulcão não era. Morria na lava
Que em mim mantinha oculta, sufocada.
*
Tenho uma vaga ideia de ter sido
Prisioneira de mim. Tempo perdido,
Tempo de que hoje guardo um quase nada.
*
Maria João Brito de Sousa - 26.10.2020 - 13.04 h
Tanta vez que penso nisso, tempo perdido. E depois tento encontrar algo bom para me convencer de que não foi perdido de todo. O teu tempo não foi perdido, se vires amiga querida, deu origem a este excelente poema! Mil beijinhos 🌷🌼🙏❤
ResponderEliminarObrigada, Sandra
EliminarEsta fugaz evocação deu, efectivamente origem, a este soneto, nem muito bom, nem muito mau, mas a ruptura com esse tempo acabou por dar origem a uma obra muito, muito vasta que poderia ter sido iniciada muitíssimo mais cedo se eu não tivesse estado tanto tempo prisioneira de mim mesma. E, no entanto, se eu voltasse atrás sob a influência das mesmíssimas circunstâncias, muito provavelmente voltaria a aprisionar-me sem disso dar conta.
Mil beijinhos também para ti
🍀💙❤
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EliminarSaudades de nós próprios. Um poema que fala connosco.
ResponderEliminarObrigado
L
Obrigada, L.
EliminarFalo pelos cotovelos, sobretudo comigo mesma, mas garanto-lhe que não tenho saudades senão da minha relativa funcionalidade física. O resto, o muito bom, o menos bom e o mau, está bem vivo e é definitivamente património meu; de quando em quando dou-lhe uns momentos de protagonismo, mas nunca o autorizo a tomar as rédeas da minha vida.
Abraço
Passo a passo andamos
ResponderEliminare aos poucos
já vergados, mas não loucos
Beijinhos e um belo dia MJ
Já vergaditos, mas não loucos, disseste bem, Anjo!
EliminarObrigada e beijinhos