A MUSA E EU

A MUSA E EU
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Brincando aos Desentendimentos
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Da distraída musa em que me invento
Fiz alter-ego; a culpa é toda dela
Se o vento amaina e não me enfuna a vela,
Se o bote encalha e o verso nasce lento.
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Dela é o ponto fraco. O que é talento
Também, a bem dizer, lhe cabe a ela...
Se assino no final, quase à cautela,
É sempre com algum constrangimento.
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Tropeça um verso coxo e sonolento
Na esquina em que uma rima se afivela
Por falhar-lhe uma nota, um mero acento?
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Está perdida a toada tagarela
De compasso cantante e turbulento...
E onde é que a culpa mora se não nela!?
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Maria João Brito de Sousa - 19.11.2020 - 15.24h
"E onde é que a culpa mora senão nela!?"
ResponderEliminarAh, eu não creio que a culpa é da musa!
Sendo poetisa, a mesma que se usa
Para inspirar-se a si, qual se revela.
A culpa do mau verso, como vela
Não enfunada por ser obtusa,
Não é do vento que não se recusa
A enfuná-la e, é sim, mesmo dela.
Porém, Maria, musa e poetisa
É nau, é vela, é vento e deslisa
Veloz no vão das vagas verdejantes
Singrando à aragem de uma doce brisa
Que encanta, enternece e se eterniza
Fazendo versos como os feitos antes!
Parabéns, musa e poetisa! És divina ou divinal? Abraço fraterno! Laerte.
Muito, muito obrigada, Laerte!
EliminarDivina não serei, nem divinal...
Apenas incansável produtora
Do soneto, do qual sou servidora
Devota, fervorosa e tão leal
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Que chego a transformar num ideal
A sua melodia redentora
Que nunca pára; toda a hora é hora
De dar mais voz à voz que é musical.
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Estou doente, porém. De quando em quando
Vai-se-me a voz sumindo e degradando,
Perde, o soneto, a força d`harmonia.
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Descanso uns dias, nunca descurando
O verso que mantenho em lume brando
Até que em mim renasça a poesia.
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Maria João Brito de Sousa - 20.11.2020 - 12.02
Fraterno abraço
“Até que em mim renasça a poesia.”
EliminarA poesia és tu – teu alter ego!
E tua afirmação eu a renego!
É improcedente, querida Maria!
Eu a concebo como uma heresia
Qual a visão tolhida de um cego,
Que tateando tudo, pisa em prego
E amaldiçoa Deus, a sorte e o guia!
Deus te fez gênio e teu engenho e arte
É a genialidade que faz parte
Da parte anímica do teu doce ser!
E essa grande alma pois reparte
Conosco a poesia e destarte
Tua alma e ser és tu, a escrever!
Abraço fraterno! Laerte.
Muito grata, Laerte :)
EliminarSim, serei eu. De corpo e alma. Inteira,
Mas ironicamente retratada
Pelo pincel da Musa transformada
Numa caricatura ou brincadeira.
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Esta musa que afirmo verdadeira
É coisa que por mim foi inventada
Pra partilhar a "culpa", se culpada
Das minhas falhas, da minha canseira.
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Sou eu cantando a minha pequenez,
Sou eu que aqui respondo aos teus porquês
Num pequeno soneto de amizade;
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Já tudo o que afirmava se desfez
Para à realidade dar a vez;
Sou eu apenas, sou eu de verdade.
Maria João Brito de Sousa - 20.11.2020 - 14.30h
Outro fraterno abraço!
Eliminar“Sou eu apenas, sou eu de verdade.”
E quem falou que tu não eras tu?
Tu és teu ser inteiramente nu
E a tua alma, em vão, te persuade
Que tu em ti, teu ser a alma invade
A te envergar qual vara de bambu
A arquear-se por falso guru,
Mas volta à origem para a liberdade!
És tu, tua verdade e és teu guia
Para a composição da poesia,
Em que a meta é revelar o belo.
Tua alma encontra o meio e a magia
Para buscar no universo a via
Que havia eivada no teu ser singelo.
Beijinhos! Laerte.
Um alter ego que é uma maravilha e que habita uma poetisa excelente!
ResponderEliminarNoite serena. Beijinho
Ana Tapadas
EliminarMuito grata, Ana!
EliminarÉ sempre com profunda ironia que trato e destrato esta minha capa de cavaleira andante do soneto :)
Beijinho
O savoir faire é bom
ResponderEliminarmelhor ainda no dom, de ser
Beijinhos e um belo dia de Sol, frio
Obrigada, Anjo!
EliminarFrio mas ensolarado, o dia
Beijinhos
É sempre uma surpresa sim, embora saiba que há muito sempre me surpreendes com a beleza dos teus incomparáveis sonetos. Foi uma casualidade boa ter-te conhecido puder ler-te e dizer-te que ninguém te supera nesta tua arte. Bom domingo M João
ResponderEliminarabraço-te
Rogério? Natália?
EliminarSejas quem fores, muito obrigada, anónimo/a
Forte abraço
Reforço o que já comentei noutro espaço...Ou seja culpada ou tenha louros, a verdade é que essa musa tem uma capacidade acima de todas as culpas ou louros.
ResponderEliminarAqui se provou mais uma vez isso mesmo, nesta conversa poética, feita acima.
Magnifico minha querida.
Beijinho grande
Muito obrigada, querida MEA!
EliminarNa verdade, na verdade, devo à Musa mais os louros do que as culpas, rsrsrsrs...
Beijinho grande!